terça-feira, 24 de novembro de 2009

Abelhas africanizadas X abelhas nativas.

Amigos!

A chamada abelha africanizada,é um híbrido,nasceu do cruzamento entre várias raças.

As raças que participaram desse cruzamento,foram:as abelhas européias(Apis mellifera mellifera,Apis mellifera lingustica,Apis mellifera caucasita e Apis mellifera carnica)com as abelhas africanas Apis mellifera scutellata.

Foram trazidas algumas rainhas de abelhas africanas puras,para o Brasil(com o intúito de melhorar a produtividade das nossas abelhas)em,1956.Essas abelhas foram introduzidas no estado de São Paulo,para pesquisas e cruzamentos.Acidentalmente,algumas dessas abelhas foram soltas,e se espalharam em todas as direções.

Por serem muito rústicas,e terem alta capacidade de enxameação,(migração de abelhas que pode ser parcial,com parte das abelhas e a rainha,formando assim uma nova colméia;ou total com todas as abelhas abandonando a colméia)essas abelhas chegaram a todos os estados brasileiros e vários países,como:Argentina,Uruguai,Costa Rica,México entre outros.

Na década de 70,meu pai viu pela 1ª vez uma colméia dessas abelhas,em nosso sítio no município de São João do Cariri,PB.Como ninguém,por aqui sabia nada dessas abelhas aconteceram vários acidentes com pessoas e animais.

No sítio do meu avô,aconteceu um acidente com um cavalo.Um rapaz,que trabalhava conosco,amarrou o animal em uma árvore que tinha um enxame e ele não viu.Com os movimentos do cavalo,que puxava a corda para se alimentar,as abelhas foram para cima do animal.
Quando o rapaz avistou o animal completamente coberto pela abelhas,e se debatendo,ele correu para tentar soltá-lo,mais também foi atacado por muitas abelhas e,não aguentou,teve que correr para a mata,deixando o animal sem defesa.O rapaz parou longe e ficou observando,as abelhas matarem o cavalo,sem poder fazer nada.
Fatos como esse,fizeram com que algumas pessoas tivessem aversão as abelhas africanizadas.

É claro que as abelhas africanizadas são ótimas produtoras de mel;fazendo com que a apicultura seja considerada um bom negócio,além de contribuir para a preservação das matas nativas,tão ameaçadas pelas queimadas,desmatamento e a desertificação,etc.

A apicultura e a meliponicultura são ótimas alternativas de sustentabilidade para as áreas do semiárido nordestino,pois não necessitam de grandes investimentos,e ajudam a melhorar a renda do homem do campo,dando mais dignidade e visão de futuro.

Uma coisa que eu já observei é que, existem colméias dessas abelhas muito agressivas e outras até consideradas "mansas".Os pesquisadores deveriam selecionar rainhas dessas colméias mais mansas,reproduzi-las,e distribuir com os apicultores, com o objetivo de melhorar o manejo desses indivíduos.

Eu acho que,com a introdução das africanizadas em nossa região,as abelhas nativas estão tendo problemas para conseguir moradia.
Como já foi dito as africanizadas se reproduzem muito rápido,e teem o hábito de enxameação,por isso estão sempre à procura de novos ocos para construírem seus ninhos.

Eu também percebo que as abelhas nativas, não ocupam mais os grandes ocos,como por exemplo os troncos de umburana e de umbuzeiro,elas sempre estão nos galhos ,que possuem ocos menores.Os grandes troncos já estão ocupados pelas africanizadas.



A quantidade de colónias naturais,de abelhas nativas,vem diminuindo drasticamente,pelo menos aqui em minha região,algumas espécies já se encontram em extinção.

Possivelmente,essa diminuição no número de colónias de abelhas nativas seja causada pela degradação do nosso semiárido;mas,também pode ser devido à competição com as africanizadas por alimento e,principalmente por moradia.

Na minha modesta opinião uma das saídas para se evitar a extinção das abelhas nativas é a sua criação racional,com o uso de técnicas de manejo mais avançadas e o incentivo aos pequenos meliponicultores por parte dos órgãos oficiais,com o repasse das tecnologias existentes e a profissionalização do setor.

Sinceramente eu espero ainda ver,as nossas abelhas nativas de volta ao seu habitat natural,convivendo em harmonia com todas as espécies animais e plantas.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Poesia sobre meliponicultura no nordeste brasileiro.

O amigo Joaquim Pífano, apicultor de Portugal, em visita ao meu blog me propôs um desafio: fazer uma poesia falando da meliponicultura no Nordeste Brasileiro. Mesmo sem ser poeta, aceitei o desafio e aqui está o resultado!

A Meliponicultura no Nordeste Brasileiro
Autor:Paulo Romero.

Meu amigo Joaquim, de Portugal
Apicultor experiente e respeitado
Me fez um desafio sem igual
Falar da Meliponicultura em meu estado

As abelhas nativas do nordeste
São fortes e se adaptam muito bem
E o homem por ser cabra da peste
Sabe dar o valor que ela tem

Manduri, Canudo e Jandaíra
Hoje é mais difícil de encontrar
Jataí, Mosquito e a Cupira
Só encontro muito Arapuá

No nordeste a criação racional
De abelhas nativas tá crescendo
Pois o homem já viu o potencial
Precisa preservar e está fazendo

Lá do mato a abelha vem num toco
Pra poder ser transferido para a caixa
Mesmo o mel produzido ali é pouco
De meio litro a um litro, é nessa faixa

Pra transferir as abelhas para a caixa
Você tem que ter muito cuidado
Pois os discos de cria que se encaixa
Não devem ser por você machucado

Uma vez a transferência já completa
Faça um reforço alimentar
Pois o sucesso é sua meta
E é isso que você vai alcançar

Quando a colônia estiver bastante forte
É a hora de fazer a divisão
E se você tiver cuidado e sorte
Só irá aumentar a criação

Pra retirar o mel tenha cuidado
Uma seringa é bom você usar
Higiene sempre é recomendado
Pra que o mel não venha a fermentar

Esse alimento é fonte de energia
Conhecido por ser medicinal
É por isso que todo mundo deveria
Consumir esse néctar natural

Amigo, preserve a natureza
Não destrua o seu meio-ambiente
Pois isso é sua maior riqueza
Aprenda a preservar daqui pra frente

Aveloz, marmeleiro e catingueira
Fazem parte da paisagem do sertão
Umburana, umbuzeiro e quixabeira
O pereiro, juazeiro e o pinhão

A meliponicultura tem ajudado
Na preservação ambiental
Pois o meliponicultor tem evitado
De cortar a mata natural

Criem abelhas, faz bem pra todos nós
É o que eu sempre vou dizer
Mesmo que eu seja uma só voz
É isso que eu sempre irei fazer

Me desculpe se a rima não prestou
Mas foi feita com muita dedicação
Atendendo a um pedido hoje estou
Dando uma de poeta do Sertão

Meu amigo Joaquim, aquele abraço
Muita sorte na sua criação
Por aqui vou seguindo passo-a-passo
Esse ofício que escolhi por profissão

Um abraço.

Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

TRANSFERÊNCIA DE ABELHAS DO TRONCO PARA AS CAIXAS RACIONAIS




O primeiro passo:localize a colónia na natureza.Após localizá-las ,você deve agir com muito cuidado e sem pressa.

Para transferir a colónia para o meliponário,o melhor horário é depois das 17:30hrs.pois as abelhas campeiras já estarão se recolhendo.

TRANSFERINDO A COLÓNIA PARA O MELIPONÁRIO

Eu,particularmente,costumo ir ao local com antecedência,levar um serrote e serrar o galho,após serrá-lo,eu o deixo no mesmo lugar amarrado com um arame.Eu faço isso para diminuir o estresse das abelhas;com o corte e transporte na mesma hora.

No dia escolhido para trazer o galho para o meliponário,após checar se as abelhas estão recolhidas,você deve fechar a entrada da colónia com um bolinho de papel ou folhinha de árvore,para que não saiam abelhas.

De preferência,traga o galho no ombro,para evitar os solavancos característicos do carrinho de mão.Esses solavancos podem romper os potes de mel,de polén,danificar os discos de crias,o que pode ser fatal para toda a colônia.

Ao chegar ao meliponário com o galho,pendure-o no local onde vai ficar a caixa racionalcom a nova colónia e tire o papelzinho da boca de entrada.

Eu costumo deixar a colónia natural nesse local por,pelo menos um mês antes de fazer a transferência para as caixas racionais.Isso faz com que as abelhas se acostumem com o novo ambiente que irão viver.

A PREPARAÇÃO DAS CAIXAS RACIONAIS

Dependendo do tipo de abelha nativa que você for criar,compre ou construa a caixa racional recomendada para essa espécie.
Antes de começar a transferência das abelhas para a caixa escolhida,passe um pouco de cera de abelha na parte interna da caixa(você também pode passar folhas de "capim santo"/capim cidreira),também passe um pouco de cera na entrada da caixa para que as abelhas identifiquem ,e se acostumem com a nova moradia.

MATERIAIS UTILIZADOS PARA AUXILIAR NA TRANSFERÊNCIA

-Machado,
-Serrote ou serra circular,
-Faca de mesa,
-Martelo,
-Cunhas de madeira ou ferro,
-Sugador de abelha,
-Colher,
-Fita crepe,
-Vasilhame para colocar o mel dos potes que se romperem,
-Caixa racional.

COMO ABRIR O TRONCO

Dependendo do tipo de madeira,o galho se racha facilmente.Usando o machado,o serrote ou a serra circular,começe a abrir o galho com muito cuidado e calma.
Após começar a abrir uma fresta,vá batendo as cunhas ,com cuidado.De preferência vá abrindo dos dois lados ao mesmo tempo,até chegar ao meio.
Quando for levantar as partes do galho,tenha cuidado para não danificar os discos de cria.Após aberto,volte a sua atenção para a rainha e os discos de cria

Vá soltando os discos de cria com muito cuidado,utilizando a faca de mesa,sem danificá-los.Coloque-os na caixa ,na mesma posição em que estavam no galho.

Os discos de cria possuem pilares,que se forem destruídos,devem ser refeitos com cera da própria abelha,para que as abelhas nascentes tenham espaço para se movimentarem entre os discos.

Localize a rainha,que geralmente está próximo aos discos de cria.Com a ajuda de uma colher , uma folha de árvore ou um papel,pegue-a e coloque-a na caixa.

OBS.:Não pegue a rainha com a sua mão, pois,pode deixar cheiro nela e as abelhas poderão rejeitá-la.

Se os potes de alimento estiverem rompidos ,não coloque-os na caixa,pois,o alimento derramado pode atrair formigas,apis,forídeos,etc.

Utilizando o sugador de abelhas,pegue o maior número de abelhas possível,principalmente,as abelhas jovens que ainda não voam e,coloque na caixa.

Use a fita crepe para lacrar a caixa,tapando todas as frestas que tiver ,isso faz as abelhas se sentirem mais protegidas.

Terminada a transferência para a caixa racional,coloque-a no mesmo local onde estava a colónia natural,na mesma altura e com a boca voltada para o mesmo lado,que esta a boca da colónia natural.

ALIMENTANDO A NOVA COLÓNIA

Para ajudar no fortalecimento da nova colónia,você deve fornecer alimento artificial para as abelhas.

Essa alimentação só é fornecida,um dia após a transferência,para que as abelhas possam se organizar melhor,podendo assim defender a colónia de possíveis saques
.
Existem algumas formas de se preparar esse alimento energético,eu vou falar de duas,que eu gosto muito:xarope,é feito com água,capim santo,folhas de laranjeira,açúcar e mel de apis;e pasta candi,que é feita com açúcar e mel de ápis.

Xarope:junte todos os ingredientes em uma vasilha limpa e leva ao fogo,essa mistura deve ser bem fervida,coada e oferecida às abelhas em alimentadores próprios para isso.Existem meliponicultores que utilizam alimentadores de pássaros,copinhos,algodão molhado com essa solução,etc.

Eu gosto de alimentadores externos,pois,posso acompanhar a forma como as abelhas utilizam o alimento,e não preciso ficar abrindo a caixa direto.

Pasta candi:Essa pasta é feita usando-se duas partes de açúcar de confeiteiro e uma parte de mel de apis.Leve ao fogo para homogeneizar e,após esfriar,deve ser servido às abelhas.

As abelhas nativas também precisam de alimentação protéica,e isso pode ser resolvido,oferecendo pólen de ápis,misturado com mel,formando uma "massa"e "mergulhando na cera de Apis derretida",formando bolas e servindo às abelhas.

Um abraço.

Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

sábado, 31 de outubro de 2009

Abelhas nativas,brasileiras.





(Foto tirada por Paulo Romero,em destaque um galho de umburana com um colónia de jandaira)

Segundo algumas literaturas,existem mais de 400 espécies de abelhas nativas no mundo;dessas,mais de 300 espécies estão no Brasil.Quase a metade delas estão em risco de extinção,devido,principalmente,a destruição das matas nativas.

As abelhas nativas,dividem-se,em:meliponas e trigonas.

Entre as meliponas,podemos destacar:jandaira(melipona subnitida),mandaçaia (melipona quadrifasciata),uruçú(melipona scutelaris),manduri(melipona marginata)entre outras.
Entre as trigonas,podemos destacar:moça-branca(frieseomelita varia),jataí(tetragonista angustula),mosquito(plebeia ou friesela),iraí(nannotrigona testacocieformes),entre outras.

ALGUMAS DIFERENÇAS ENTRE MELIPONAS E TRIGONAS:

MELIPONAS:
-São abelhas maiores;
-fazem a boca de entrada da colónia com geoprópolis;
-fazem estrias,na entrada da colónia;
-tem sempre um vigia na entrada da colónia.

TRIGONAS:
-são abelhas menores;
-a entrada da colónia tem cera ,ou nada;
-possuem as patas traseiras maiores;
-tem sempre vários vigias,na entrada da colónia.

SUBSTITUIÇÃO DE RAINHAS

As meliponas substituem as rainhas com facilidade.Das abelhas da colónia,25% podem virar rainha a qualquer momento,dependendo da alimentação que elas recebem.Ou seja,fêmeas dessas abelhas,podem ser rainhas ou operárias,o que vai determinar a sua função,é a alimentação que as mesmas receberem.

As trigonas são diferentes;o que vai determinar a sua função na colónia é a genética.
Nesse grupo,rainha é rainha e operária é operária.Os machos decorrem de ovos não fecundados.

As trigonas teem um processo de substituição da rainha,bem complicado.
Em determinadas épocas do ano,quando existe florada em abundância,a colónia sempre vai ter realeiras(células maiores,que darão origem a a uma rainha).Já,quando as floradas não existem,ou estão escassas(época da seca),essas realeiras também serão raras.Se nessa época,por algum motivo a rainha morrer,a colónia vai fracassar.

Os meliponicultores devem sempre fazer trocas de enxames,para evitarem a consanguinidade das abelhas(cruzamento de indivíduos de uma mesma família).
Outra coisa que pode ser feita para evitar a consanguinidade das abelhas,é quando for fazer a divisão das colónias;pegar discos de cria de duas colónias diferentes e abelhas de outra colónia,ou seja,para se obter uma nova colónia,usa-se material de três colónias.

Entre as meliponas,existem três espécies que são genuinamente nordestinas:a jandaira,o uruçú e o manduri.Essas abelhas conseguiram se adaptar ao clima semi-árido,onde as chuvas são poucas e mal distribuídas,com temperaturas altas durante o dia e frio durante a noite.
Essas abelhas são de fácil adaptação ao criatório racional,sendo as mais criadas na região nordeste.

Eu mesmo,crio jandaira e tenho alguns manduris em colónias naturais,mas vou transferí-los para caixas racionais.

Se você vai começar a criar abelhas nativas,o primeiro passo é estudar sobre o assunto(se você ainda não dominar as técnicas de criação racional),construir ou comprar as caixas,conseguir as colónias na natureza,ou com um meliponicultor.

CAIXAS ISCAS


Uma forma simples e funcional de se conseguir enxames é usando caixas iscas.Essas caixas são simples de construir,funcionam muito bem e você não precisa cortar árvores para conseguir sua abelhas.

As caixas iscas podem ser de madeira,isopor,garrafa pet;e o que sua imaginação mandar.No caso das garrafas pets,essas devem estar bem limpas,você deve passar uma solução de cerume ou própolis, com álcool de cereais,no interior da garrafa ,para atrair as abelhas;também enrole uma lona preta ou papel alumínio,para escurecer a garrafa.Faça um furo na tampa,e coloque perto de alguma colónia natural.Fique sempre observando a isca,se você perceber que as abelhas estão entrando na caixa isca,espere alguns meses para que elas construam os discos de cria,potes de alimento,enfim,formem uma nova colónia com condições de ser transferida para a caixa racional.

Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

As abelhas e as plantas da caatinga.


(Foto tirada por Paulo Romero,em outubro de 2009,em São João do cariri,PB.)

Em destaque uma umburana.

As plantas da caatinga,teem uma importância muito grande para a sobrevivência das espécies animais.Isso é fato,como eu já falei antes,as abelhas dependem das plantas para sua sobrevivência e principalmente, as plantas precisam das abelhas e de outros insetos para a polinização de suas flores.

Se o homem continuar a destruir a "caatinga",as espécies de abelhas,principalmente as nativas(por serem mais frágeis)vão desaparecer,e isso já pode ser observado em diversos estados nordestinos e com muitas espécies de abelhas nativas.

Na foto acima,uma umburana com uma cicatriz em seu tronco, feita por meleiros,para tirar mel;coisa muito comum na região nordeste do Brasil,infelizmente.

As abelhas nativas são responsáveis por cerca de 85% das polinizações nas matas brasileiras.Existem pesquisas que provam que,sem as abelhas a produção agrícola seria muito afetada em termos de produtividade;em alguns estados do Brasil,já existe o "consórcio"abelha/agricultura onde todos saem ganhando: ganha o produtor de mel,que com as flores em abundância tem sua produção aumentada e ganha o agricultor que com um grande número de abelhas para polinizarem as suas plantas,garantem um aumento na sua produção agrícola.

Aqui no nordeste mesmo,existem consórcios entre produtores de girassol,manga,acerola,etc,com apicultores/meliponicultores.

Uma colónia de abelha nativa(asf )chega a ter ,em média 5.000(cinco mil )indivíduos;a arapuá é uma exceção(chega á 30.000 indivíduos),já a apis mellífera (africanizada),pode facilmente chegar à 60,70 mil abelhas por colmeia.Com essa diferença na quantidade de abelha por colónia,é claro que a produção de mel também é proporcional à quantidade de abelhas.
Em média as abelhas nativas,produzem de 1 à 2 litros de mel por ano,podendo variar,dependendo das floradas.


OBS.:asf =abelha sem ferrão/(abelhas indígenas)




Em minha região(São joão do cariri,PB)as árvores mais utilizadas pelas abelhas para a construção de ninhos,são a umburana(foto acima),o umbuzeiro,a catingueira e a craibeira.Principalmente no caso da umburana,por ser sem dúvida o local mais procurado pelas abelhas para a construção de seus ninhos ,muitas vezes a árvore é derrubada para facilitar o acesso ao mel.



Se as pessoas parassem com essa prática devastadora e,ao invés de destruir o meio ambiente começassem a plantar árvores nativas do semiárido, diminuiria o processo de desertificação,fazendo com que a nossa caatinga,tivesse uma chance real de se recuperar.

Já as plentas mais visitadas pelas abelhas nativas,para coletarem pólen e néctar ,são:malva,jurema,maniçoba,marmeleiro,catingeira,anjico,muçambê,mata pasto,amarra cachorro,mufumbo e jitirana.

MEU PEQUENO GESTO

Eu mesmo tenho plantado alguns pés de umburana,por ser a árvore que mais sofre com a retirada do mel,pelos meleiros.É muito fácil plantar essa árvore,basta cortar um galho,cavar um buraco e colocá-lo dentro,como se fosse uma "estaca" de cerca,e pronto dentro de algum tempo ela irá começar a crescer os primeiros galhos.





Com o umbuzeiro,também podemos fazer mudas à partir de galhos,mas é um pouco mais complicado,pois na cova tem que ser colocada areia para facilitar o enraizamento e nem sempre as mudas brotam,algumas,simplesmente secam.Já as mudas feitas à partir das sementes,demoram muito para crescer e a grande maioria os animais comem;o que não acontece com as mudas feitas com galhos ,pois são altos e os animais não alcançam.

A catingueira e a caibeira teem sementes que brotam facilmente,simplesmente pega-se as sementes secas e coloca em um saquinho com areia e estrume,molhar três vezes por semana,que em poucos dias já teremos as mudas.Quando as mudinhas estiverem com 30 centímetros,devem ser plantadas no local definitivo,as catingueiras se adaptam bem em qualquer terreno,já as caibeiras,devem ser plantadas em terrenos mais baixos,perto de riachos para que tenham um bom crescimento.

É claro que a época de plantar as mudas em seus locais definitivos,deve ser na estação das chuvas.

Esse pequeno gesto, ajuda na preservação dessas espécies tão importantes para as abelhas nativas e para todo ecosssistema da caatinga,e tão ameaçadas pela ganância humana...

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

Flores de jurema



Entre tantas espécies de plantas nativas do semi-árido nordestino,sem dúvidas a jurema é uma das mais conhecidas.Existem algumas espécies de jurema,(jurema preta,jurema de imbira,unha de gato...),todas com as suas particularidades e usos de acordo com as necessidades dos animais e do homem.Por exemplo,a jurema preta,é muito apreciada pelas cabras,que não teem tanto interesse nas outras espécies.Já a jurema de imbira é muito utilizada como moirões de cerca,por ser muito resistente.

Eu não posso deixar de mencionar que, a jurema também é famosa pelos seus espinhos,no caso da unha de gato,o nome já diz tudo,os seus espinhos paressem com as unhas de um gato(daí o nome).Para se andar por onde tem jurema temos que ter muito cuidado,mesmo assim,não é raro rasgar a roupa com os espinhos.Esse é um dos motivos,pelo qual os vaqueiros usam uma vestimenta feita com couro de boi,para se protegerem dos espinhos.

Essa planta,também é muito visitada pelas abelhas,à procura de pólen.Quando ela está com flores é fácil de ver abelhas voando por entre suas flores...

UM ABRAÇO.
PAULO ROMERO.
Meliponário Braz.

sábado, 3 de outubro de 2009

Caixas racionais para abelhas nativas.


Amigos.

Uma boa alternativa,para conseguir as suas caixas racionais,é você mesmo constri-las.

Para isso vocês devem ter alguns cuidados indispensáveis:escolha bem o tipo de madeira,de preferência que não tenha cheiro forte,pois isso não vai agradar as abelhas,elas se comunicam ,no interior da caixa usando o feromônio(Odor característico)e o cheiro forte da madeira vai deixa-las confusas e/ou irritadas.

Escolha uma madeira que não seja susceptível ao ataque de cupins e que esteja bem seca.

Uma boa opção de madeira,é o louro canela,pois essa é uma madeira de ótima qualidade,garantindo uma vida útil bem longa,para as suas caixas racionais.

A caixa deve ser pintada por fora para,prolongar a sua vida útil
.Outra coisa importante:se você não possuir os equipamentos básicos para trabalhar com madeira;mande alguém que trabalhe com madeira,serrar as tábuas para que fiquem todas bem aplainadas,sem desigualdades e no "esquadro",pois na hora da montagem não vão existir brechas, fazendo  as abelhas se sintam seguras.
Algumas vezes,você se vê obrigado a construir as suas próprias caixas ,pois ,o mercado local não lhe oferece opções de modelos para à sua necessidade.

Lembre-se que cada abelha tem as suas particularidades,portanto ,prestem atenção no melhor modelo para cada tipo de abelha.

As primeiras construções podem parecer complicadas;mas depois de praticar,você vai se aperfeiçoando.

Na internet,existem os mais variados modelos e medidas.As mais utilizadas são as caixas modelo FO/INPA.;que foi desenvolvida pelo amigo e estudioso das abelhas nativas,Fernando Oliveira.


Aqui estão alguns exemplos de caixas,para as abelhas nativas.
















OBS.:É recomendado usar tábuas de no mínimo dois centímetros de diâmetro,para garantir um bom conforto térmico,para as abelhas.
Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

sábado, 26 de setembro de 2009

TRANSFERÊNCIA DE ABELHAS NATIVAS,DA MATA PARA O MELIPONÁRIO


(Foto tirada por Paulo Romero;em destaque um cupinzeiro,(com uma cupira),em cima de uma umburana)

PARTE I

O PLANEJAMENTO:Dia 21/06/2008,eu e meu irmão conversamos um pouco sobre a área do sítio que nós iríamos procurar as abelhas.Decidimos por uma área que fica após o riacho,pois é uma área que tem muitas umburanas grossas,e teríamos mais chances de encontrar algumas colónias.

A SAÍDA:Dia 22/06/2008,às 4:30hrs.da manhã nós saímos sem tomar nem café,pois estávamos atrasados,levamos uma foice e água para beber ;nunca se sabe o que vamos encontrar no meio do mato.Andávamos rápido para chegar ao local o mais cedo possível,o que facilitaria ver as abelhas saindo e entrando de suas moradias.

OS PRIMEIROS RESULTADOS:às 5:10hrs.da manhã encontramos a primeira "cupira",em um pé de xique-xique,marcamos o local,andamos mais um pouco e achamos mais uma cupira,dessa vez em um pereiro;após marcarmos o local da segunda cupira ,nos separamos,para cubrírmos uma área maior.

Deu certo logo á frente eu vi uma umburana muito jeitosa para ter alguma abelha,me aproximei e fiquei olhando para cima,procurando alguma abelha,algum oco,até ver algumas abelhas saindo de um oco,olhei bem e consegui ver a boca,era uma "jandaira";chamei meu irmão e lhe mostrei a abelha.
A umburana era muito alta e,como toda umburana,muito lisa;meu irmão ainda quis subir ,mas desistiu resolvemos deixar para outra hora.
Quando estávamos voltando para casa ainda achamos mais uma cupira ,bem perto de casa em um lagedo.

A TRANSFERÊNCIA PARA PERTO DE CASA:No mesmo dia 22/06/2008,saímos de casa de tardezinha,para buscarmos as cupiras ,levamos um carrinho de mão para facilitar o transporte dos cupinzeiros e uma corda para ajudar a puxar o carrinho.
Fomos logo para o pereiro,já estava quase escuro,eu tampei a boca de entrada das abelhas com um bolinho de papel higiénico,com cuidado para não machucar as abelhas,nem quebrar a escultura que elas fazem na entrada.

Meu irmão serrou o galho do pereiro com um serrote para não chocar muito o cupinzeiro,e botamos no carrinho forrado com alguns sacos para ficar macio;seguimos para o xique-xique,eu botei o carrinho em baixo do cupinzeiro e meu irmão cortou o galho com cuidado,ele já foi descendo dentro do carrinho.À essa hora já estava escuro,mas como nós conhecíamos o caminho ,não foi difícil.

Na volta para casa eu ia na frente puxando o carrinho ,pois,os cupinzeiros eram muito grandes e pesados.Ainda passamos no lagedo perto de casa,e levamos mais uma cupira para casa,pois não podíamos perder a chance de ter todas as abelhas dentro do cupinzeiro.

Quando chegamos em casa,pegamos a lanterna e fomos logo botar as abelhas nos seus lugares,onde iriam ficar depois da transferência para a caixa racional.Ao tirarmos a última "cupira" do carrinho,eu levei uma espinhada com o xique-xique,que quase chorava de dor,os espinhos atravessaram meu dedo polegar e a unha .

Em casa ainda com o corpo quente,meu irmão tirou alguns espinhos,os outros eu não aguentei a dor e não deixei ele tirar.(Dias depois eu fui ao médico para ele tirar os espinhos que estavam muito inflamados).Mas isso faz parte do dia-a-dia de quem vive no cariri,a maioria das pessoas esperam os espinhos inflamarem e furam com uma agulha de costura,para tirá-los.Voltando às abelhas ,de manhã eu fui observá-las e vi algum movimento na boca de entrada,vi que estava tudo certo.

Como eu ainda não estava com todas as caixas racionais prontas,deixei para fazer a transferência depois. Acima,vocês podem ver a foto de uma das cupiras,que trouxemos nesse dia.

Valeu o esforço ,pois eram mais três cupiras para minha criação,fora a "jandaira" que ficou no mato.

Só fomos buscar a jandaira,alguns dias depois...

Um abraço.

Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Semiárido nordestino.



Foto tirada por Paulo Romero em junho de 2009,em São João do Cariri,PB.

CENÁRIO TIPICAMENTE DA CAATINGA DURANTE A ESTAÇÃO DAS CHUVAS.

Meliponário Braz.

ABELHAS E PLANTAS



Algumas pessoas me perguntam porque ,ao invés de falar sobre abelhas nativas,em meu blog,eu falo das plantas do cariri?
Com certeza ,eu não posso falar de abelhas nativas,sem falar da flora da minha região.Por um motivo muito simples,as abelhas dependem das plantas para produzirem o seu alimento e moradia e as plantas dependem das abelhas e de outros insetos para fazer a polinização de suas flores.

Por isso à importância de se preservar às matas nativas;que dão moradia e alimento para as abelhas.E em troca as abelhas retribuem fazendo a polinização de suas flores,em uma convivência harmônica ,sem nenhuma das espécies prejudicar a outra;ao contrário elas se ajudam mutuamente.

Quem interfere e prejudica quase sempre as duas espécies é o homem que só pensa em tirar vantagens em tudo o que faz,não se preocupando com os outros nem com o futuro de sua própria espécie.

Na foto acima,você pode ver como ficam as plantas do cariri,durante o período das chuvas.

Nós devemos ter a consciência que dependemos da natureza para continuarmos nossa história na terra.Se cuidarmos bem "dela"ela nos retribui com proteção, ar puro,água limpa,alimentos saudáveis ,etc ,tudo em perfeito equilíbrio homem/natureza.


Uma boa alternativa para se preservar a caatinga,(que está altamente ameaçada,com o desmatamento,as queimadas e a desertificação)é,sem dúvidas a apiculturae a meliponicultura.

Com a criação racional de abelhas,o homem,que vive no semi-árido,não vai precisar sair para as cidades.E,criando abelhas,"ele"ajuda na preservação da mata nativa,pois,as abelhas precisam da mata nativa para produzirem seu alimento.

Um abraço.

Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

As plantas apícolas do semiárido paraibano.

No semiárido nordestino,existe uma grande diversidade de plantas nativas e outras que foram introduzidas pelos pesquisadores.
Um exemplo bem sucedido de plantas que foram introduzidas e que se adaptaram muito bem a região é o caso da algaroba,que é uma ótima produtora de madeira (de ótima qualidade),utilizada para fazer carvão,lenha e,principalmente,a construção de cercas.

A algaroba também produz uma "vagem",que é muito apreciada pelos animais,e fornece energia aos mesmos,além de ter muitos usos na indústria.Para as abelhas nativas ela tem sua importância,pois,na época da seca,(meses de setembro à fevereiro)quando a mata nativa parece morta,ela está com flores à disposição das abelhas.

Flores de marmeleiro.

Outros exemplos são:o nim indiano e a leucena,que estão sendo aos poucos introduzidos em nossa região,com o intuito de melhorar a alimentação dos animais e ajudar a preservar as matas,evitando que se corte um grande número de árvores nativas .
Todas as vezes que alguém precisar de madeira,para as construções do dia-a-dia,utilizará as árvores que foram trazidas de "fora",diminuindo o impacto sobre o meio ambiente.

Flores de catingeira.

Dentre as espécies nativas,do semiárido nordestino,existem algumas que se destacam,pela grande produção de néctar e pólen:marmeleiro,catingeira,malva,maniçoba,muçambê,jurema,anjico,amarra cachorro,mufumbo,maria velha,capa bode,dentre tantas outras.

Flores de jurema.

Algumas espécies de árvores nativas do semiárido,florescem durante o período da seca:o juazeiro,o pereiro,o feijão de boi,a craibeira e o imbuzeiro,são bons exemplos,justamente nesse período quando a maioria das plantas estão "secas";aparentemente sem vida,essas árvores estão verdes e com muitas flores,uma maravilha para as abelhas e,depois quando as flores virarem frutos,servem de alimentos para os animais.

Flores de malva.

O meliponicultor,também deve cultivar plantas que ajudarão,na manutenção de suas abelhas nativas em períodos do ano,em que as flores não estão disponíveis para as abelhas;algumas plantas de fácil manejo e que são boas fontes de néctar e pólen são:amor agarradinho,ora-pro-nóbis,coroa-de-cristo,ipezinho de jardim,xanana,manjerição,erva cidreira,etc.Todas essas plantas,manteem uma floração,por quase todo o ano e isso é muito importante para a manutenção do meliponáro.

Flores de maria velha.

O meliponicultor pode alimentar as abelhas,na falta de floração,mas essa é apenas uma alternativa;pois se houverem flores a disposição das abelhas elas com certeza vão preferi-las.

Flores de muçambê.


Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz
João Pessoa,PB

A criação racional de abelhas nativas.



A criação racional de abelhas,especialmente as nativas,deve seguir algumas regras.Primeiro a pessoa que vai"criar" essas abelhas,deve antes de mais nada gostar do que está fazendo,pois precisará de paciência e cuidados para ter sucesso na atividade.

Eu não quero dizer com isso que para ser um bom meliponicultor,a pessoa deve ter conhecimento de como as abelhas vivem em seu habitat natural,pois com cursos,leitura especializada,troca de experiências e boa vontade,até quem nunca teve contato com esses insetos,consegue se sair bem na criação racional de abelhas nativas.


Entretanto,quem vive em contato com "elas"em seu dia-a-dia vai aprendendo alguns maçetes que serão muito úteis para facilitar o manejo.Por exemplo,quando encontramos um ninho de abelhas,verificamos a posição das crias,do mel,o espaço interno,posição da boca de entrada,o diâmetro da árvore,posição em relaçao ao sol,altura do solo,etc.

Esses detalhes nos ajudam na hora de transferir os ninhos para as caixas racionais.Para que não façamos mudanças bruscas em seu modo de vida,e assim,termos sucesso com a criação..

No caso da "cupira"(partamona seridoensis,foto acima)a observação de seu modo de vida,na natureza,tem me ajudado muito,a resolver alguns problemas encontrados no manejo dessas abelhas.Como,a maioria dos pesquisadores que eu entrei em contato,antes de iniciar a criação,não tinham chegado a um modelo de caixa ideal para "elas",foi com a observação e criatividade,que estou tentando resolver o problema da "caixa ideal."Eu digo estou tentando resolver,porque nesse caso,para saber se deu tudo certo,temos que esperar algum tempo;pois essas abelhas já ficaram em uma caixa de um conhecido meu,por um período de um ano e depois abandonaram a caixa sem nenhum motivo aparente.

A cupira,não tolera mudanças de temperatura,pois,no interior do cupinzeiro,a temperatura mantém-se constante.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

domingo, 20 de setembro de 2009

O amanheçer,no cariri paraibano.



(Foto tirada por Paulo Romero,em São João do cariri,PB.em junho de 2009)

Como é costume no interior,quando eu estou no cariri paraibano,acordo bem cedo e vou para o curral,tomar leite,antes de começar algum trabalho.

Uma das minhas atividades preferidas,é observar o trabalho das abelhas nativas.Eu acho muito interessante ver,que as abelhas teem preferências por algumas flores,ou seja,nem sempre uma planta cheia de flores atrai as abelhas,algumas espécies são seletistas,isto é ,visitam mais determinadas flores e outras menos.

Em determinadas árvores,as abelhas chegam a fazer um barulho muito grande,com o seu "zumbido" característico,devido ao interesse por essas flores.Por exemplo:a algaroba é visitada por todas as espécies de abelhas nativas existentes em minha região;assim como a acerola,a leucena,a catingueira,etc.estou sempre vendo as jandairas visitando as suas flores.

Para se ver o movimento das abelhas nativas em suas colónias ,devemos prestar atenção aos horários.Os melhores horários são:de manhã cedo e depois das 17:00 (dezessete horas) pois,nesses horários o movimento de entra- e- sai ,das abelhas é muito grande
É claro que elas podem ser observadas em outros horários,mas quando o sol está muito quente ,elas diminuem o movimento,dificultando a sua observação.E existem abelhas que simplesmente não trabalham com o sol quente.

Uma boa maneira de se observar as abelhas nativas,é ficar próximo de alguma fonte de água,pois,elas estão sempre por perto,pegando barro e água;e levando para a suas colônias.

Existe um fato muito interessante:se você for um bom observador,poderá localizar alguns ninhos naturais, através da observação da direção em que as abelhas estão indo,após saírem da água.

É simples,veja a direção em que determinada espécie de abelhas está se dirigindo,siga nessa direção,procurando por árvores de grande porte.Encontrando alguma dessas árvores,na mesma direção em que as abelhas voavam,observe os galhos,o tronco,com calma e cuidado,se você perceber alguma abelha voando por ali,já é um indício de colónia natural.

Se não localizar nada,olhe em outras árvores por perto.Mas,se encontrar a colónia,tenha todo cuidado e zelo possível;afinal,elas estão em suas casas e não devem ser maltratadas,por nós em vez disso,elas devem ser preservadas.

Um abraço.

Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

Árvores da caatinga.


(Foto tirada por Paulo Romero em maio de 2009,em São João do cariri,PB, FLORA DA CAATINGA (EM DESTAQUE O TRONCO DE UM ANJICO)E AS PLANTAS DE PEQUENO PORTE;AO FUNDO,ALGAROBAS,JUREMAS,CATINGUEIRAS,MARMELEIROS,ETC.

A abelha cupira(Partamona seridoensis).



Foto tirada por Paulo Romero,em São João do Cariri,PB.
(Observe as abelhas na entrada de sua morada natural:um cupinzeiro)

CRIAÇÃO DE ABELHA CUPIRA


Fazem alguns anos,que eu crio a abelha cupira(partamona seridoensis),em caixas racionais,e estou muito intusiasmado com os resultados obtidos,nesses anos.Elas quase não saõ estudadas,pelos"doutores",apenas existem algumas referências,que muitas vezes,são falhas,pois eu mesmo posso provar que,muitas observações,que são feitas à respeito dessa espécie,não correspondem a verdade...

Para quem não conhece,essa abelha contrói seus ninhos em cupinzeiros ativos ou não,e tem um mel fino e muito apreciado por seus usos na medicina popular,sua cera(cerume)é bem mais dura que a da jandaira,e elas são bem defensivas(bravas).


Por construir seu ninho no cupinzeiro de barro(Temriteiros/Morada de cupins)o tipo de caixa usada para esse tipo de abelha tem que ter uma expessura da madeira um pouco maior;para se aproximar da temperatura do interior do cupinzeiro,que se mantém constante,não importando a temperatura ambiente,faça chuva ou faça sol a temperatura no interior do cupinzeiro se mantém estável.

As madeiras que eu uso para construir as caixas racionais são o pinho ou o louro,por serem fáceis de trabalhar,e as abelhas aceitam muito bem (o pinho tem que está muito bem seco,para diminuir o seu cheiro forte e não criar mofo).


Algumas vezes,quando eu encontro uma umburana seca,e que dá para fazer tábuas com certeza eu uso,pois,é uma madeira ótima e as abelhas já aprovaram esse tipo de casa,por ser a mais usada por elas(claro que a cupira não faz seu ninho na umburana);como já foi dito ela constrói seu ninho exclusivamente no cupinzeiro;quem aprovou a "morada"foram as outras abelhas,inclusive a africanizada (apis mellifera).


"Eu tenho lido em alguns sites,que meliponicultores usam a umburana para construir as caixas para abelhas nativas.Temos que ter cuidado com esse tipo de informação,pois como toda árvore nativa,a umburana é protegida por lei.E,portanto,só pode ser usada se já estiver seca na natureza,pois quando elas estão muito velhas ,secam e aí sim,podem ser utilizadas sem problemas.


A abelha cupira produz pouco mel,em média um litro,dependendo das floração,mas seu mel é considerado um dos mais medicinais,sendo muito procurado,em todo o interior da minha Paraíba.

Eu tenho muito interesse nela principalmente pelo desafio de dominar as técnicas de manejo,e também para evitar a sua extinção,pois com os métodos de colheita do mel usados na minha região as abelhas estão ameaçadas.Como acontece na maioria dos lugares,quando se encontra uma cupira(não interessa em que época do ano),o cupinzeiro é quebrado,para tirar o mel,(que muitas vezes é quase nada,devido a época não ser propícia para coleta de mel).Ou seja,a "cupira" teve o seu ninho destruído pra nada.


E isso acontece com frequência ,a maioria das pessoas não se preocupam com os danos que estão causando as abelhas,destruindo seus ninhos,matando seus filhos e as próprias abelhas,que morrem quando o cupinzeiro está sendo quebrado a machadadas.

Eu começei a minha criação de cupiras,quase por acaso,pois um cupinzeiro foi quebrado(ele estava em uma cerca que foi reformada)e nele havia uma cupira,então não tive dúvidas:peguei a caixa e coloquei as crias lá dentro,organizei tudo e não é que deu certo.

Claro que quando eu perguntava,aos meliponicultores experientes,se a cupira poderia ser criada em caixas racionais,a resposta era sempre a mesma:não.
E eu ficava,só pensando comigo mesmo,grandes meliponicultores,nem sabem que eu já as crio faz algum tempo,e tudo está dando certo.

CAIXA PARA ABELHA CUPIRA(partamona seridoensis)



Um dos principais problemas enfrentados por todas as pessoas ,com quem eu já troquei experiências ,é o tipo de caixa que a cupiradeve ser transferida,pois vários modelos já foram usados;paresse que deu tudo certo,as abelhas trabalham normalmente,chegam a passar até um ano na nova moradia,mas de repente,sem nenhum motivo aparente elas simplesmente abandonam a caixa .



Com certeza a espessura da madeira utilizada para fazer a caixa,interfere na adaptação da abelhas.Eu estou fazendo experiências com alguns modelos de caixas diferentes.





Em breve estarei fazendo mais postagens á respeito dessa abelha tão adorável,e tão querida por mim.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
Joaõ Pessoa,PB.

A abelha jandaíra(melípona subnitida)


A abelha jandaira (mellipona subnitida)produz um mel muito apreciado e procurado,por todo o nordeste brasileiro.Pois,o mel produzido por ela é muito saboroso,puro,e é considerado medicinal pela população do interior nordestino.
Esse é um dos muitos motivos pelo qual ela vem sendo,cada vez mais criada racionalmente.

Em são João do cariri (interior da Paraíba)ela não é chamada de jandaira,mas sim,de "uruçu".Por aqui,um litro de mel de "uruçu" é vendido por R$100,00(cem reais)esse sem dúvidas é o mel mais valorizado da nossa região.

Essa valorização do mel de jandaira,tem o seu lado negativo,pois,com esse preço os meleiros(como são chamados os homens que vivem nas matas procurando e tirando mel,sem nenhuma técnica racional)caçam e destróem os ninhos dessa e de outras espécies de abelhas nativas do semiárido.

O meu principal interesse nessa abelha,além de consumir um mel de qualidade,é a sua preservação,e a garantia que a espécie irá permaneçer salva da ameaça constante,das queimadas e derrubada das matas nativas.


Essa abelha nativa,se adaptou muito bem a criação racional,e já vem sendo criada em diversos estados do país.Essa tradição,vem desde os primeiros habitantes dessa região,e esse costume foi herdado dos índios "cariris",que habitavam toda essa região.
Na foto acima,pode-se ver a entrada de uma colónia de jandaira,em um galho de imburana,em nosso sítio.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

Época de chuvas no semiárido paraibano.

(Foto tirada por Paulo Romero,em julho de 2009,em São João do Cariri,Pb.)



Mais uma vez,eu pretendo passar para a tela do computador ,um pouco das experiências que estou acumulando ao longo do tempo.Pois sou nascido e criado no semiárido paraibano,e sou um bom observador das coisas que acontessem ao meu redor e um apaixonado pela caatinga.

Hoje pretendo falar um pouco da relação existente entre as abelhas nativas e as plantas da caatinga.

 
Muiotas pessoas nunca tiveram contato com as plantas do semi-árido,mas com certeza já ouviram falar,pelo menos na escola.

Esse ano,foi um ano atípico com relação as chuvas,que caíram com abundância no cariri paraibano,pois ainda se pode ver a maioria das plantas verdes embora estejamos no final de setembro.

Com certeza as abelhas vão produzir bastante mel,tanto as nativas,como as africanizadas ,pois as plantas estiveram verdes por quase nove meses esse ano,coisa rara por aqui.Plantas verdes,água boa e em abundância é o que as abelhas mais precisam para produzir mel com as flores nativas da nossa região .

Dentr as espécies de plantas mais visitadas pelas abelhas posso citar:catingueira,moróró,pereiro,craibeira,marmeleiro,quixabeira,umbuzeiro,juazeiro,anjico,umburana,xique-xique,mandacaru,facheiro,malva,aroeira,baraúna,jurema,maniçoba,amarra-cachorro,lava prato,favela;dentre tantas outras,algumas delas tidas como medicinais pelos caririzeiros.


Como não se usa agrotóxicos nas produções agrícolas em nossa região e as matas não tem poluição, o mel produzido por essas abelhas é,sem dúvida, de ótima qualidade,puro,medicinal ,o que prova que ,não desmatar é um bom negócio.

Preservando o meio ambiente o homem só tem a ganhar,pense nisso antes de cortar um árvore,pois amanhã  pode ser tarde demais.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

sábado, 19 de setembro de 2009

A caatinga nordestina;meu berço!


Eu sou Paulo Romero;nasci e me criei na zona rural do município de São João do cariri,interior do estado da Paraíba.
Como todo menino criado em sítio,eu sempre fui muito apegado à natureza,aos animais, as plantas,aos riachos,a tudo ao meu redor.

Não conto as vezes que,ao andar pelo mato,atrás dos animais,para ajudar meu pai na luta diária;achava ninho de abelhas de pequeno porte ,chamadas por nós de mosquitos(plebeia sp);com um mel delicioso.

Claro que eu também achava cupira(partamona seridoensis),que usa um cupinzeiro como ninho;tubiba(trigona sp) que faz seu ninho em ocos,principalmente de catingueira.Dentre tantas outras espécies, mandurí/rajada(melipona sp),canudo(scaptotrigona sp),breu(melipona sp),mandaçai(melipona mandacaia),jandaíra(melipona subnitida)que nós chamamos de uruçu,moça branca(frieseomellita sp),etc.

Essas abelhas eram "caçadas "de forma indiscriminada,para tirar o mel,e também tinham os seus ninhos destruídos todas as vezes que alguém ía tirar madeira ,para cerca,lenha,limpar áreas para plantar alguma cultura diferente,por exemplo, palma forrajeira,etc.

Com o passar do tempo,essas abelhas foram ficando cada vez mais raras,mais difíceis de serem vistas.Por isso,eu mantenho algumas colônias em caixas racionais,á +ou - 15 anos,principalmente jandaíra,manduri/rajada, cupira e moça branca.

Eu mesmo estou construindo algumas caixas para abelhas, também estou lendo muito a respeito do assunto além de já ter um certo conhecimento adquirido ao longo do tempo,lidando com as abelhas na natureza.Meu principal interesse ao construir esse blog é trocar informações com pessoas que,como eu,são apaixonados por essas abelhas.

Para construir esse blog,eu tive a ajuda indispensável do meu sobrinho Lucas,pois eu não tinha muita intimidade com a Internet,e se não fosse ele ,seria mais difícil ainda.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

A vida dura,no semiárido paraibano.


Foto tirada por Paulo Romero,em São João do Cariri,PB.em Outubro de 2009)Época da seca.

No semiárido nordestino,a dificuldade de se conseguir renda para sobreviver,é um dos maiores responsáveis pela destruição do meio ambiente.

Principalmente nos anos de seca,os pais e mães de família são "obrigados"a tirar da natureza os poucos recursos que ainda restam,tentando conseguir algum dinheiro para amenizar à fome de seus filhos.
Eles cortam as matas,para fazerem carvão(para ser vendido nas pequenas cidades),caçam os animais silvestres para se alimentarem e também para venderem como animais de estimação.

Com esse tipo de comportamento,muitas plantas e animais estão em crescente processo de extinção.Em são João do cariri (minha região),muitos animais já se encontram quase extintos ,por exemplo aves como:canário da terra,rolinha cascavel,papagaios,pintassilgo,asa branca;mamíferos como:tatu peba,tatu verdadeiro,tamanduá,gato pintado,mocó,lobo guará;entre tantos outros,são raríssimos de serem vistos.

Assim como os animais já citados,as abelhas nativas também estão cada vez mais raras na natureza.É ´cada vez mais difícil encontrar moça branca,manduri,tubiba,jandaira,canudo,mosquito,breu;etc.Devido ,principalmente a destruição das matas nativas,fazendo com que as abelhas nativas,dessa região estejam em adiantado estado de extinção.

Por isso,é muito importante a criação racional dessas abelhas,para preservar-mos as espécies,e conhecermos mais profundamente,seus hábitos e costumes.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.