sexta-feira, 16 de abril de 2010

Embrapa semiárido,incentiva preservação de abelhas nativas.



Mais uma vez,eu achei muito interessante essa matéria,da Embrapa semiárido à respeito de um projeto de conservação de abelhas nativas,e resolvi postar a matéria em meu blog.

Criadores vão participar de projeto da Embrapa para conservar abelhas sem ferrão.

Arquivo da Embrapa Semi-Árido


Nos fundos da sua casa, em Juazeiro-BA, a advogada e produtora Balbina Carneiro Rios Filha acomoda, em caixas, nada menos que 130 enxames de abelhas sem ferrão, também chamadas de meliponíneos (mandaçaia, manduri e abelha branca). Na cidade vizinha, separada de Juazeiro pelo rio São Francisco, Petrolina–PE, o comerciante Deusdete Freire Paiva cria abelhas semelhantes (mandaçaia e cupira) em 75 pequenas caixas arrumadas uma ao lado da outra no quintal da sua residência.

Os endereços dos dois são ruas movimentadas em áreas urbanas populosas. O frenesi diário das abelhas saindo e retornando para as caixas ao longo do dia jamais trouxe incômodo para a vizinhança. Para eles, estar no meio desse vai e vem é uma boa terapia. Deusdete ainda aproveita para coletar e comercializar o mel, que tem fama de possuir propriedades terapêuticas. Balbina, que produz manga orgânica, costuma coletar os enxames que acomoda em casa nos troncos das árvores derrubadas para dar lugar a plantios irrigados.

Pesquisa – As experiências do comerciante e da produtora vão ajudar na execução do projeto “Conservação dos Recursos Genéticos de Animais Silvestres, da Aqüicultura e da Apicultura”. Três centros de pesquisa da Embrapa (Amazônia Oriental, Meio Norte e Semi-Árido) estão envolvidos em um plano de ação que tem o objetivo de preservar espécies ameaçadas de extinção como a mandaçaia e manduri, aqui na região.

Bióloga, a pesquisadora da Embrapa Semi-Árido, Márcia de Fátima Ribeiro explica que o monitoramento dos criadouros como os mantidos por Balbina e Deusdete, com o registro das ações e orientações de manejo, é uma estratégia do projeto para conservar essas abelhas. As instituições também irão manter estruturas como Bancos Ativos de Germoplasma (BAG) para criar espécies em cativeiro. Nesse centro de pesquisa, uma parte da criação será mantida em ninhos no recém instalado Laboratório de Abelhas Nativas.

Os pesquisadores preveem ainda a conservação das espécies em habitats naturais. De acordo com Márcia, a manutenção das abelhas nessas condições é mais simples. Contudo, os trabalhos de identificação da população das espécies-alvo e o monitoramento da sua existência no ambiente exigem o deslocamento por grandes extensões de terra.

90% – O projeto vai concentrar estudos em 13 espécies de importância econômica e ambiental. Especialistas da Embrapa Amazônia Oriental irão pesquisar oito, dentre elas: uruçu cinzenta, uruçu amarela, canudo amarela, jataí, canudo e urucu boca de renda. Na Embrapa Meio Norte, serão três (jandaira, uruçu e tujuba), e outras duas na Embrapa Semi-Árido (mandaçaia e manduri ou monduri). Exemplares de abelhas sem ferrão coletados em áreas de ocorrência natural vão ser mantidos sob congelamento para caracterização de DNA.



Márcia afirma que todos esses estudos podem auxiliar a reduzir uma lacuna na pesquisa: o pouco conhecimento acerca da extinção das espécies de abelhas no país.

Com a devastação de áreas naturais, certamente as perdas serão consideráveis. O mais grave é que se acredita que cerca de 90% da polinização das árvores nativas são feitas pelas abelhas sem ferrão. Se esses insetos forem extintos, porão em risco a reprodução de espécies vegetais nos biomas brasileiros. Mesmo nos sistemas agrícolas, onde se recorre a tecnologias sofisticadas de produção, gerência e comercialização, não se pode dispensar os “serviços de polinização” das abelhas.

Os estudos que começam a ser realizados pelo projeto preveem a identificação e caracterização das abelhas com ênfase nos locais que elas utilizam para fazer seus ninhos, na sua distribuição geográfica e espécies de plantas visitadas para coleta de néctar, pólen e resina.

Das 20 mil espécies de abelhas que existem em todo o planeta, apenas cerca de 400 são sem ferrão. Sem predadores a ameaçar sua existência, elas evoluíram perdendo a capacidade de ferroar e injetar veneno. Contudo, mantêm formas inusitadas de defesa como se enroscar nos cabelos, morder ou colocar secreções ácidas sobre a pele das pessoas, o que causa grande irritação e ardência.

Diferenças - Além da presença de ferrão (ou não) há outras características que diferenciam as chamadas abelhas melíferas ou abelhas 'europa' dos meliponíneos. Entre elas estão a maneira de comunicar as fontes de alimentos: enquanto as primeiras dançam, as segundas fazem indicações com pistas de cheiro e vibração de asas, e ainda indicam a altura em que está a comida. As abelhas com ferrão, diante da falta de alimento, costumam abandonar coletivamente o local, num enxame de abandono. Nos meliponíneos isso é incomum porque a rainha, com as asas desgastadas pela idade, não consegue voar e acompanhar as operárias.

O tamanho das colônias entre essas abelhas tambem é muito diferente. As colônias das abelhas sem ferrão possuem, em média entre 500 e 1000 indivíduos, embora existam espécies com até 3500 e 5000 indivíduos. No caso das abelhas cacahorro ou arapuá a população pode chegar a 30 mil indivíduos. As abelhas melíferas, ou com ferrão, as colônias chegam a abrigar até 80 mil indivíduos.

Contatos:

Márcia de Fátima Ribeiro – pesquisadora;
marcia.ribeiro@cpatsa.embrapa.br

Marcelino Ribeiro – jornalista;
marcelrn@cpatsa.embrapa.br

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.
Postar um comentário