terça-feira, 22 de março de 2011

Eu sou o meu cariri.

Amigos!

Como sempre,vou falar mais um pouco de minha querida caatinga paraibana,e de meu amor por esse pedaço de chão.

Resolvi "inventar"alguns versos,mesmo sem nenhuma técnica,e sem entender do assunto,eu achei uma boa maneira de falar das coisas do "meu cariri paraibano".

Espero que tenham paciência e desculpem se os versos forem muito ruins,mas com certeza,eles saíram do coração desse "matuto",e representam a minha realidade,a minha vida.

Eu sou o meu cariri.

Eu sou mesmo,céu e chão,
Sou igual ao jabuti
Pois nunca deixo o sertão,
O lugar que eu nasci
Sinto-me igual a um lajedo,
Tenho a cor do arvoredo,
O cheiro da chuva fina
Mudando a cara da mata,
Espantando a seca ingrata
Chamando o galo campina.



Pareço uma jandaíra,
A procura de uma flor
Quando encontra,ela retira
O seu néctar,seu sabor
E transporta "pro" cortiço
Onde lá tem rebuliço
Pra transformar tudo em mel
É tudo bem planejado
Pra que nada dê errado
O pote cheio é o troféu.



Eu sou um gato-do-mato
A procura da rolinha
Pisando leve e pacato
Só pra pegar a bichinha
Que está desprevenida
Mas essa é a lei da vida
Tenho que me alimentar
Pois tá difícil aqui
Pegar uma juriti
Um mocó,ou um preá.



Sou trovão de "tardezinha"
Que anima o sertanejo
Pois irei trazer a chuva
E mudar tudo que vejo
Enchendo tudo de água
Acabando com a mágoa
Mudando a face da terra
Pra fazer brotar do chão
Esperança em cada mão
Do baixio até a serra.



Às vezes,sou carcará
A procura de um cabrito
Puxar na língua e matar
Sem dar tempo nem pra grito
Às vezes pego um pintinho
Outras vezes um passarinho
E tudo que estiver perto
Até cobra já comi
Muitas vezes escolhi,
O mundo é do mais esperto.



Eu sou o mandacaru
Que em plena seca floresce
Sou um o pé de mulungu
Remédio bom pra estresse
Sou jurema bem florida
Sou a terra ressequida
O aboio do vaqueiro,
O cavalo de mourão
O chapéu de lampião
O espinho do facheiro.




Sou baraúna e aroeira,
Que sempre se mostram fortes,
Sou igual à catingueira
Que resiste a muitos cortes
Sou imbuzeiro frondoso
Sou um rio caudaloso
Que nunca fica vazio
Levando água ao sertão
Pra poder molhar o chão
E o homem fazer plantio.


Sou igual a seriema
Que canta ao meio dia
O seu cantar é o tema
Que o sertanejo aprecia
Eu sou chuva de janeiro
Tenho a cor do marmeleiro
E tudo que tem aqui
Me deixa mais animado
Sou o mugido do gado
Eu sou o meu cariri.



Abraços.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.
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