Abelhas nativas.



 Abelha Jandaíra(Melípona Aubnitida).

Amigos!
Hoje resolvi,mais uma vez falar da abelha nativa que é a mais importante e produtiva do semiárido nordestino:a jandaíra(melípona subnitida).

 A bela rainha de jandaíras.

A jandaira,é bem rústica e por isso mesmo,se adapta a muitas regiões do Brasil(eu tenho um amigo,que as cria,com sucesso em Cuiabá,MT),mas ela já está em muitos estados brasileiros.


Jandaíra,em um galho de imburana.

Ela é de fácil manejo,(embora seja bem defensiva)podendo ser criada por meliponicultores com pouca experiência.

Abelha jandaíra na flor de "amor agarradinho"(Antigonon Leptopus).


 Eu mantenho algumas colônias,aqui em João pessoa e,embora seja uma região litorânea,elas se adaptaram muito bem,e estão lindas(como pode-se observar nessas fotos).


Colônia matriz de jandaíras.


Eu estou fazendo a seleção das melhores matrizes,para,nas próximas multiplicações,manter as melhores características e passá-las adiante.Por exemplo,as minhas abelhas vivem nas mesmas condições ambientais,têm as mesmas fontes de pólen e néctar e recebem os mesmos cuidados,portanto as que se destacam,são usadas nas multiplicações.


Como vamos começar a temporada de chuvas(aqui em João Pessoa),eu só farei multiplicações depois do segundo semestre,até lá vou revisando-as e acompanhando seus desenvolvimentos.

Abraço.
Paulo Romero.


Meliponário Braz.



Abelha Uruçu Nordestina(Melipona Scutellaris).

A uruçu nordestina (melípona scutellaris) é endêmica do nordeste brasileiro;ocorre na zona da mata dos estados de Alagoas,Bahia,Ceará, Pernambuco,Paraíba,Rio Grande do Norte e Sergipe.

Dentre as abelhas nativas,criadas no Brasil;com certeza a uruçu nordestina é uma das mais importantes e produtivas,economicamente falando( se ela for bem manejada,pode concorrer e vencer as ápis,pois tem um mel muito valorizado).Além de ser muito bonita.




Em 2010,eu tive o prazer de ir em Igaraçu(PE),conheçer o sr.Franciso das Chagas,considerado o maior criador dessa espécie de abelha no Brasil.Apesar de ostentar esse título,Chagas é muito simples,amigo e incentivador dos novos meliponicultores.


As uruçus são ótimas produtoras de mel,e esse é o mel mais valorizado do país,alcançando um preço médio de R$150,00 o litro e ainda existe mercado,pois a procura por esse mel é crescente.

Apesar de ser nativa do nordeste brasileiro,ela é criada em quase todas as regiões do país,e tem se adaptado bem a diferentes climas,pois é bem rústica e tem uma boa adaptação a diferentes ambientes.

As uruçus são criadas basicamente em dois modelos de caixas:a caixa FO/INPA e a caixa nordestina(horizontal).




São abelhas de fácil manejo,(apesar de serem bem defensivas)e se adaptaram muito bem as criações racionais,onde produzem em média três litros de mel por caixa/ano;é claro que a produtividade vai variar de acordo com o manejo e com as floradas existentes na região.





Assim,como acontece com a maioria das abelhas nativas,quem tem contato com a uruçu nordestina,se apaixona logo de cara.

Apesar de ter um preço médio alto:em torno de R$350,00 a caixa(com abelhas,rsrs.)ela desperta cada vez mais o interesse dos meliponicultores e amantes das abelhas nativas,sendo considerada por muitos "a melhor abelha nativa brasileira".


É claro,que eu também estou no meio desses apaixonados por elas.

E espero continuar com as minhas queridas jandaíras,(lá no cariri)e com as uruçus aqui em João Pessoa,aumentando aos poucos a quantidade de exemplares.

Já existem algumas experiências com a uruçu nordestina no semiárido,embora os grandes estudiosos do assunto digam que isso é impossível,mas...(eu mesmo,já faço à algum tempo,e me surpreendo com os bons resultados)posso dizer que essa será mais uma barreira geográfica quebrada pela uruçu nordestina;que como todo nordestino,é antes de tudo forte.

Abraço.
Paulo Romero.

Meliponário Braz.




Abelha Manduri/rajada(Melípona Asilvai).


Recentemente,eu adquiri(ganhei)mais uma espécie de abelha nativa,para meu meliponário,a abelha manduri ou rajada(melípona asilvae).




Essa é mais uma espécie nativa da caatinga nordestina,assim como a jandaíra (melípona subnitida),e a cupira(partamona seridoensis).

Por ser uma abelha de pequeno porte e não ser tão produtora de mel,ela quase não é criada racionalmente,o que tem sido muito maléfico para a espécie,pois ela tem sofrido muito com a ação dos “meleiros”,em algumas localidades,onde essa espécie existia em grande quantidade à poucos anos atrás,hoje ela quase não é mais vista.

A manduri é considerada a menor melípona,mas mesmo sendo pequena ela é bastante forte e rústica,como a nossa caatinga.

Portanto a criação racional é uma das saídas,para evitar que essa bela abelha,seja extinta,é claro que também a destruição da caatinga tem influenciado nesse processo de diminuição da espécie na natureza.




Essa abelha é bem tímida,e às vezes passa despercebida por aqueles menos experientes,se você fizer algum barulho próximo a entrada da colônia,elas se recolhem e ficam quietas.Talvez essa seja uma forma de se defender do seu pior inimigo natural(o homem),que não vendo nenhum movimento acha que ali não tem abelha.

Muitas vezes,"elas" constroem seus ninhos nos troncos das árvores da caatinga,e se espalham em direção as raizes;talvez por falta de moradias,já que a nossa caatinga está a cada dia menor,com menos árvores.

Como a maioria das melíponas,a entrada da colônia é feita de barro;com estrias e com espaço para passar apenas uma abelha por vez,as colônias possuem um pouco menos de mil indivíduos,que se revezam na divisão das tarefas.



Essa abelha,também deposita uma camada de batume na parte superior da caixa,possivelmente para diminuir o espaço interno e para controlar a temperatura.Se esse batume começar a atrapalhar os trabalhos com a colônia,ele deve ser retirado.

A caixa racional,que eu achei mais adequada para essa abelha é a caixa idealizada pelo pesquisador Fernando Oliveira/INPA;com dimensões reduzidas: ninho 14x14x6cm,sobre-ninho 14x14x6cm e melgeira 14x14x05cm,em épocas de boa produção,pode-se adicionar mais uma melgeira;mas também pode-se usar uma caixa modelo nordestina(horizontal).

A primeira vista,essa caixa parece ser pequena para essa espécie,mas é adequada,pois se você fizer uma caixa maior,as abelhas irão depositar uma grossa camada de batume,o que vai exigir muito trabalho das abelhas e vai dificultar o trabalho do meliponicultor,na hora das revisões,colheita e divisões.

Apesar de ser pequena, essa abelha é bem produtora;com uma boa florada,o meliponicultor colherá em média um litro de mel,por ano,podendo passar um pouco,dependendo das condições locais.

Eu estou muito entusiasmado com essa nova aquisição,pois além de aumentar as espécies criadas em meu meliponário,eu pretendo divulgar a criação racional dessa espécie,visando salvá-la da extinção,principalmente no cariri paraibano(área de caatinga).

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.






Abelha Moça Branca(Fresiomelita Duoderleine).


Dentre as espécies de abelha nativa,que eu tenho atualmente,existe uma que para mim é muito especial:é a abelha moça branca.

Eu considero essa abelhinha especial,porque,apesar de ser bem pequena,ela é muito forte,rústica,boa produtora de mel e com grande poder de recuperação de suas colónias.

Elas produzem em média um litro de mel,por ano,mas podem tranquilamente chegar a dois litros se houver boa florada.

Por pertencerem ao grupo das trigonas;elas para serem divididas precisam de uma realeira(no caso,casulo real),do contrário não se obtém êxito na divisão.Esse casulo,é facilmente reconhecido pelo meliponicultor,pois tem o tamanho bem maior que os demais(o dobro)e só existe um ou dois por colônia,dependendo da época do ano.

Para localizar o "casulo real",deve-se ter muito cuidado e paciência,senão perde-se muitas crias,que são muito frágeis e se "quebram"com facilidade.

São abelhas muito mansas,portanto indicadas para criação racional,pois não "mordem" e isso facilita muito o manuseio da caixa,no momento das revisões e da coleta do mel.
Devido à esse comportamento,elas são indicadas para aulas de educação ambiental.

Essa abelhinha ainda é encontrada com certa facilidade por aqui,inclusive, algumas pessoas a chamam de “mosquito”(quando na realidade,o mosquito seria plebeia).


Um fato que me chama atenção,é que a maioria dos seus ninhos são encontrados em imburana,árvore que tem grandes ocos;o que se imaginaria era que,por ser a moça branca bem pequena,ela utilizaria árvores mais finas,como a catingueira,por exemplo.

Recentemente,eu encontrei duas colónias em troncos de imburana;uma dessas colónias à +ou- dois metros de altura e outra,com um metro de altura(a entrada da colónia).

Só quem conhece essa abelha,para ver o quanto a sua cera é macia,fácil de ser manipulada,cheirosa(com um cheiro muito grande de resina de imburana);e o sabor de seu mel,um gosto ácido,que também lembra a imburana,segundo o povo do cariri,esse é um dos méis mais medicinais que nós temos;com a palavra os estudiosos.


Para mim esse mel é muito bom,sempre que estou por lá,tiro um pouquinho pra saborear.

Outra cacterística dessa abelha são suas crias,ao invés de serem em discos como estamos acostumados a ver;são em forma de cachos,realmente muito bonitas.

Eu utilizo caixas racionais de dois modelos,para essa abelha:uma horizontal,que mede 40cmx15xcmx15cm/.E outra vertical:20cmx20cmx25cm,de altura.

Deve-se colocar uma folha de acetato,por baixo da tampa da caixa,pois,por ser transparente,permite uma boa visão do interior da caixa,sem a necessidade de interferir diretamente no equilíbrio da colônia.Por cima desse acetato,coloca-se um emborrachado escuro e depois a tampa.


OBS.:As duas colónias naturais,que eu encontrei em imburanas,continuam exatamente no mesmo lugar,pois,jamais eu iria cortar o tronco de uma árvore como a imburana,para tirar essas abelhas(nem permitirei que ninguém as tire)elas são bem perto de casa e servirão de atração para meus amigos,que vem nos visitar,e não conhecem essa abelha,em seu estado natural.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz




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