sábado, 31 de outubro de 2009

Abelhas nativas,brasileiras.





(Foto tirada por Paulo Romero,em destaque um galho de umburana com um colónia de jandaira)

Segundo algumas literaturas,existem mais de 400 espécies de abelhas nativas no mundo;dessas,mais de 300 espécies estão no Brasil.Quase a metade delas estão em risco de extinção,devido,principalmente,a destruição das matas nativas.

As abelhas nativas,dividem-se,em:meliponas e trigonas.

Entre as meliponas,podemos destacar:jandaira(melipona subnitida),mandaçaia (melipona quadrifasciata),uruçú(melipona scutelaris),manduri(melipona marginata)entre outras.
Entre as trigonas,podemos destacar:moça-branca(frieseomelita varia),jataí(tetragonista angustula),mosquito(plebeia ou friesela),iraí(nannotrigona testacocieformes),entre outras.

ALGUMAS DIFERENÇAS ENTRE MELIPONAS E TRIGONAS:

MELIPONAS:
-São abelhas maiores;
-fazem a boca de entrada da colónia com geoprópolis;
-fazem estrias,na entrada da colónia;
-tem sempre um vigia na entrada da colónia.

TRIGONAS:
-são abelhas menores;
-a entrada da colónia tem cera ,ou nada;
-possuem as patas traseiras maiores;
-tem sempre vários vigias,na entrada da colónia.

SUBSTITUIÇÃO DE RAINHAS

As meliponas substituem as rainhas com facilidade.Das abelhas da colónia,25% podem virar rainha a qualquer momento,dependendo da alimentação que elas recebem.Ou seja,fêmeas dessas abelhas,podem ser rainhas ou operárias,o que vai determinar a sua função,é a alimentação que as mesmas receberem.

As trigonas são diferentes;o que vai determinar a sua função na colónia é a genética.
Nesse grupo,rainha é rainha e operária é operária.Os machos decorrem de ovos não fecundados.

As trigonas teem um processo de substituição da rainha,bem complicado.
Em determinadas épocas do ano,quando existe florada em abundância,a colónia sempre vai ter realeiras(células maiores,que darão origem a a uma rainha).Já,quando as floradas não existem,ou estão escassas(época da seca),essas realeiras também serão raras.Se nessa época,por algum motivo a rainha morrer,a colónia vai fracassar.

Os meliponicultores devem sempre fazer trocas de enxames,para evitarem a consanguinidade das abelhas(cruzamento de indivíduos de uma mesma família).
Outra coisa que pode ser feita para evitar a consanguinidade das abelhas,é quando for fazer a divisão das colónias;pegar discos de cria de duas colónias diferentes e abelhas de outra colónia,ou seja,para se obter uma nova colónia,usa-se material de três colónias.

Entre as meliponas,existem três espécies que são genuinamente nordestinas:a jandaira,o uruçú e o manduri.Essas abelhas conseguiram se adaptar ao clima semi-árido,onde as chuvas são poucas e mal distribuídas,com temperaturas altas durante o dia e frio durante a noite.
Essas abelhas são de fácil adaptação ao criatório racional,sendo as mais criadas na região nordeste.

Eu mesmo,crio jandaira e tenho alguns manduris em colónias naturais,mas vou transferí-los para caixas racionais.

Se você vai começar a criar abelhas nativas,o primeiro passo é estudar sobre o assunto(se você ainda não dominar as técnicas de criação racional),construir ou comprar as caixas,conseguir as colónias na natureza,ou com um meliponicultor.

CAIXAS ISCAS


Uma forma simples e funcional de se conseguir enxames é usando caixas iscas.Essas caixas são simples de construir,funcionam muito bem e você não precisa cortar árvores para conseguir sua abelhas.

As caixas iscas podem ser de madeira,isopor,garrafa pet;e o que sua imaginação mandar.No caso das garrafas pets,essas devem estar bem limpas,você deve passar uma solução de cerume ou própolis, com álcool de cereais,no interior da garrafa ,para atrair as abelhas;também enrole uma lona preta ou papel alumínio,para escurecer a garrafa.Faça um furo na tampa,e coloque perto de alguma colónia natural.Fique sempre observando a isca,se você perceber que as abelhas estão entrando na caixa isca,espere alguns meses para que elas construam os discos de cria,potes de alimento,enfim,formem uma nova colónia com condições de ser transferida para a caixa racional.

Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.