terça-feira, 28 de setembro de 2010

Preservação da caatinga.

Até quando os governantes vão ignorar,e até patrocinar a destruição da nossa caatinga??

Essa é uma questão que tem me deixado, muito desacreditado das autoridades,nesses últimos tempos.Pois,o que se vê é a nossa caatinga,sendo,a cada dia transformada em deserto,e na maioria das vezes,as nossas autoridades são quem patrocinam essa destruição.

Órgãos públicos,como o banco do nordeste,tem financiado a destruição,do que ainda resta das nossas matas nativas.



Quantas vezes,nós temos presenciado os tratores de esteira,derrubando a caatinga(através de um financiamento do banco do nordeste),para algum projeto de plantio de capim,palma forrageira,ou outra cultura agrícola,ou de forragem animal...E,na maioria das vezes,esses projetos não dão certo e são abandonados,e o que fica é uma área quase desértica.



Na minha opinião,esses agentes financeiros (principalmente os públicos),deveriam financiar e apoiar projetos, que ajudassem na preservação e na recuperação da caatinga,e não financiar a destruição desse importante e desprotegido bioma.

Por exemplo,o governo deveria incentivar os produtores locais a preservarem suas matas...,dando incentivos(por exemplo redução dos impostos,para quem mantivesse as matas intactas).

Se,por acaso algum meliponicultor,for à um desses agentes financeiros,com a intenção de conseguir montar um projeto de meliponicultura,com o financiamento desses órgãos,com certeza,terá muitas dificuldades em conseguir sucesso em seu pleito...,pois o que importa não é se o projeto é ecologicamente correto,ou sustentável..,mas sim,se ele dará bons lucros aos bancos que estão financiando-os,não importando se eles destruirão a natureza ou não.

E o governo se faz de cego,como se não tivesse nada com isso,como se o mais importante,no momento fosse os lucros exorbitantes que esses bancos conseguem,e ainda se passam como agentes de desenvolvimento regional...,desenvolvimento de quê??Se os pequenos não têm acesso à esses créditos,pois não tem garantias financeiras,para oferecer aos bancos.

Se as coisas continuarem,nesse ritmo de destruição...,em um futuro bem próximo,nossa caatinga será transformada em um imenso deserto.

Embora nossa luta seja desigual(Davi x Golias),não pretendo desistir dessa luta pela preservação do meu lar.

É claro,que temos que tentar defender, todos os nossos ecossistemas:amazônia,pantanal,cerrado...,mas como sou do semiárido nordestino,estou tentando chamar atenção,para à nossa realidade local.

Entrem nessa luta...,Não precisa fazer pirotecnia...,Faça aquilo que você puder,em defesa da natureza:plantem árvores nativas,colham e distribuam sementes,façam mudas e doem aos seus vizinhos,incentivem as pessoas a entrarem nessa luta,passem essa mensagem à diante,seus filhos e o planeta irão agradecer.

Desculpem o desabafo,mas não aguento mais ver tanta destruição ser tratada,com descaso pelas autoridades.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Domingo,com as abelhas.

No último domingo,eu fui visitar,meu amigo Tadeu Leite,que é um criador de uruçu(melípona scutellaris),em uma bela praia daqui de João Pessoa.



Cheguei em sua residência,pela manhã,e já o encontrei em meio as caixas e ao movimento das abelhas campeiras.

O Tadeu,é professor universitário(aposentado)e fez da meliponicultura uma verdadeira paixão,é muito bom ver como ele trata as abelhas,com tanto cuidado,amor,responsabilidade e acima de tudo respeito,pois ele só realiza uma divisão,quando a colônia está muito forte,e não terá grandes dificuldades em se recuperar,outra coisa que chama a atenção,é o fato de sempre receber propostas para vender alguma colônia,mas ele nem pensa nisso,ele pode até fazer alguma doação(se souber que a pessoa que vai levar as abelhas,terá o mesmo cuidado e amor que ele tem,por elas).


Essa foi a segunda vez que visitei seu belo e organizado meliponário,aproveitei a visita,para fazer a transferência de uma mirim,para uma caixa nova.
Também realizamos algumas divisões de scutellaris,que estavam muito fortes.


(Eu,fazendo a transferência de uma mirim)


(Caixa,nova e a caixa velha,ao lado...)

Passamos o dia entre as abelhas,boas conversas,um bom aperitivo,rsrs,afinal ,como todo bom nordestino,nós apreciamos uma branquinha(de boa qualidade).

Após esse dia maravilhoso,o amigo Tadeu,me surpreendeu com um presente inesquecível:uma bela colônia de uruçu, e uma caixa racional(nova),para que eu faça a divisão e comece a criação de mais essa espécie.


(Colônia,que ganhei de presente.)


(Caixa nova,também presente de Tadeu.)

Ele me incentivou muito,para que eu transforme essa minha paixão, em um negócio,pois não existe nada melhor que trabalhar com aquilo que gostamos,nisso,ele tem toda razão.

Pretendo,aos poucos ir botando esse plano em prática,embora saiba que as coisas não são tão fáceis,mas vale a pena enfrentar,principalmente,quando acreditamos naquilo que estamos fazendo.

Tadeu,deve ter mais de cinquenta colônias de melípona scutellaris,além de algumas mirins,e ainda esse ano estará com umas cem uruçus,pois ele mora em uma área,que tem mata atlântica,uma bela área de mangue,além de muitas árvores frutíferas,e suas abelhas estão se dando muito bem nesse local.

Realmente,esse domingo foi um dos melhores que passei,nos últimos tempos.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Preservação da caatinga e das abelhas nativas.

Será que nós devemos desistir dos nossos sonhos,se eles parecem impossíveis de serem alcançados??

Sinceramente,eu acho que não.Mas sei que temos que tocar a vida em frente.Sempre tentando realizar os nossos sonhos,mas tendo que conviver com a realidade.

Nos últimos tempos,eu tenho sido chamado de sonhador,ingênuo,louco,etc.,por achar que é possível se viver bem,no semiárido nordestino,com aquilo que a própria natureza nos oferece.Esse é um dos meus sonhos.



Acontece que se criou,em nossa região,uma cultura onde só se deve criar gado,cabras ou ovelhas,o resto é perder tempo e dinheiro.

Não tenho nada contra as vacas(eu crio algumas),nem as cabras e ovelhas,mas apenas acho que existem muitas outras formas de se investir e ter um bom retorno financeiro,sem prejudicar a nossa tão ameaçada caatinga.

Entre essas alternativas,está a criação racional de abelhas nativas,que já estão ficando um pouco mais conhecidas(embora sendo nativas as pessoas nunca deram o devido valor,muitas nem sabem de sua existência,por isso,várias espécies já se encontram em extinção);a criação de peixes em tanque rede;criação de galinhas caipiras;produção de verduras,através do uso da hidroponia,etc.

Eu venho à algum tempo,tentando mudar o modo como as pessoas do “meu cariri”paraibano,veem essas alternativas,mas essa tarefa não tem sido nada fácil,afinal para se mudar a cultura de um povo,se leva tempo,paciência e muita perseverança.



Quantas vezes,ao falar sobre a criação de abelhas nativas,eu fui chamado de sonhador,pois algumas pessoas acham que temos que continuar investindo nas mesmas coisas,e sofrendo com a seca.



Quando eu percebia que alguém se interessava pelo assunto,eu aproveitava e tentava convencer.Falando dos casos de sucesso,nessa atividade,da importância para a nossa caatinga,afinal as plantas dependem das abelhas (e de outros insetos),para se multiplicarem.

Felizmente,esse meu trabalho quase solitário(em minha região), está sendo aos poucos entendido por algumas pessoas,que já acreditam na viabilidade econômica e na importância ecológica dessa atividade.



Claro,que as outras atividades que citei,também são bastante viáveis para nossa região;porque o mais importante é a diversificação das atividades,só assim,teremos um bom retorno financeiro.

Espero que esses meus sonhos de menino do interior,se tornem realidade,afinal tenho feito minha parte.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.