sábado, 19 de maio de 2012

A maior seca da nossa história.



Amigos!

Infelizmente o ano de 2012,vai ficar marcado na história,como o ano em que houve a maior seca do semiárido brasileiro.

Já estamos na segunda quinzena de maio,e a nossa temporada de chuvas(que geralmente vai de janeiro á junho),já está se passando,sem que “elas” tenham chegado,e as previsões não indicam que vai haver mais chuvas esse ano.

Algumas pessoas,que não conhecem o nordeste,acham que o maior problema causado pela falta de chuvas,é a falta de alimentos para os seres humanos;mas essa não é a nossa realidade,pois as lavouras que são plantadas,por aqui,são na grande maioria,apenas de subsistência.

O maior problema da falta das chuvas,é a falta de alimento para os animais:bovinos,caprinos,ovinos e equinos.Esses animais,andam por entre a caatinga “seca” não encontram pastagens para se alimentarem e vão ficando cada vez mais fracos;não resistindo e muitos chegam á morrer.

Também,a criação de abelhas:Apicultura e Meliponicultura,tem sido muito prejudicada pela falta de "floradas",e consequentemente,a falta de alimentos para as abelhas.

Com a estiagem,os criadores de abelhas,estão sendo obrigados á fornecer alimentação artificial de subsistência,pois,do contrário eles perderão as suas colônias.No caso das africanizadas,elas enxameiam(abandonam suas colmeias,em busca de melhores condições de alimentação),já as abelhas nativas;como a rainha não voa,elas simplesmente ficam nas caixas,junto à rainha e esperam a morte chegar.

Essa frase é triste e chocante,mas é a realidade.Como não existem árvores floridas,as abelhas não encontrarão néctar e pólen(suas fontes de alimentação,energética e proteica).

Por isso,a alimentação artificial é indispensável,e deve ser fornecida de acordo com as necessidades da colônia;no mínimo uma vez por semana.
Eu,por exemplo,estou alimentando as minhas abelhas nativas,duas vezes na semana.Mas sempre faço revisões,para saber como elas estão respondendo á alimentação.

Existem alguns amigos meus,que já perderam algumas colônias de ápis e de abelhas nativas também,devido a seca.

Essa realidade,tem trazido enormes prejuízos para toda a região,pois a Apicultura/Meliponicultura são importantes fontes de geração de renda,principalmente para os pequenos produtores rurais.

É muito triste ver o meu semiárido,sendo tão castigado pela falta de chuvas,e saber que não existe nenhum plano sério de convivência com a seca.

As ações,que surgem,são paliativos e,na maioria das vezes,os recursos que são destinados para ajudar a população dessa região;são desviados para outros fins,e não chegam às mãos de quem realmente necessita.



Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Sustentabilidade=Meliponicultura.



Sustentabilidade.Essa é uma atitude que deve ser incorporada por todos nós,se pretendermos deixar um meio ambiente relativamente preservado,para as futuras gerações.


Uma atividade,para ser ecologicamente sustentável,deve ser desenvolvida de forma à causar um impacto mínimo,ao meio ambiente.


A maioria das atividades agrícolas,são prejudiciais à natureza,pois os desmatamentos,o uso irracional de fontes de água e o uso exagerado de agrotóxicos,tem trazido impactos negativos para todo o planeta.
Mas a cada dia,a exigência de mais alimentos(pois a população mundial cresce à passos largos),tem “obrigado”aos agricultores aumentarem suas áreas de plantio,derrubando grandes áreas de matas nativas.


Uma ótima alternativa,para se conseguir renda e ainda contribuir para a preservação das matas,é a criação de abelhas;sejam elas nativas ou africanizadas.Essa importante atividade,deve ser apoiada pelos órgãos governamentais(principalmente os ligados a preservação do meio ambiente),pois para se obter sucesso nessa atividade,a principal regra é manter uma boa área de mata preservada.  



A nossa meliponicultura,se apresenta como a alternativa ecológica e economicamente sustentável;além de ter baixo custo de investimento e manutenção,e ser de fácil manejo,pois como as abelhas não possuem ferrão,não há necessidade de vestimentas especiais para lidar com elas.


Antes de iniciar uma nova atividade produtiva e/ou econômica,analise seu potencial de poluição e destruição da natureza.Lembre-se que: “dessa vida não levamos nada”,portanto deixe um mundo melhor para seus filhos e netos.

Abraço!
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
                                  

terça-feira, 24 de abril de 2012

Meu sertão.




Apesar de ser um blog,que o principal assinto é as nossas abelhas nativas;eu também escrevo algumas "coisas" sobre o meu torrão natal.

Meu sertão!

Se você,não presenciou
O começo do “inverno”,
Não viu vaqueiro de “terno”
Em um “jegue”,não montou
Um imbu,nunca chupou
Nem nunca,tomou coalhada
Não trabalhou,na enxada
Nunca viu,”barreiro”cheio
Não sabe o que é “arreio”,
Do sertão não sabe nada.


Se não conhece,jirau
Não viu,”latada” e “chiqueiro”
Não correu,no “tabuleiro”
Atrás de um animal,
Não tomou leite,em curral
Nem bebeu água de”poço”,
Não fez,”animais de osso”
Pra brincar,quando criança,
Não trás isso,na lembrança,      
Do sertão,não és”,seu moço”.


Quem nunca,dormiu em rede,
Na varanda,ao “meio dia”
Onde,a “caipora”,assovia
No “oitão”,atrás da parede
Nem nunca matou a sede,
Com“buga”de imbuzeiro,
Não acendeu”candeeiro”,
Nem puxou o seu “pavio”
Não tomou banho de rio,
No sertão,és forasteiro.
                                                                              

Se você nunca ouviu,
O “aboio” do vaqueiro,
Nem um galo,no “poleiro”
Cantar,espantando o frio,
Trovão,no mês de abril,
Animando o sertanejo,
Um “xinxo”,de fazer queijo,
Onde se molda,a coalhada
Pra que fique,bem prensada
É no sertão,onde eu vejo.


Quem nunca viu,de pertinho
A macambira,queimando
E o “gado”,se aproximando
Todos,no mesmo caminho
O “berro” de um “bezerrinho”
Que se desgarrou,do “gado”
E o vaqueiro,com cuidado
Leva-o,para o rebanho
Monta no burro,"castanho"
No sertão,que eu fui criado.


Um velho carro-de-boi,
Embaixo da aroeira,
Lembrança,da vida inteira,
De um tempo,que já se foi,
Sempre,conduzido à dois,
Obedecendo,ao “carreiro”,
Seu destino derradeiro,
É abandono e tristeza,
Onde "ontem",foi beleza
Na casa do fazendeiro.




Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

sábado, 14 de abril de 2012

A grande seca de 2012.



Amigos,infelizmente esse é o tipo de postagem,que eu não gostaria de estar fazendo,pois é difícil relatar a realidade de grande parte do nordeste brasileiro,com a terrível seca.

O que escrevo aqui,não é nenhuma novidade,pois a imprensa de todo o país,tem noticiado a situação do semiárido,durante esse ano de 2012.

Eu passei o período de páscoa,no cariri paraibano,e pude ver a dificuldade dos agricultores e criadores de animais dessa região; diante da longa estiagem...
Em nossa região,não chove à quase oito meses,pois tivemos umas pequenas chuvas no começo desse ano,mas não foram, suficientes para abastecerem os reservatórios(açudes e barragens),nem fazerem o pasto brotar,para alimentar os animais.


A situação,se torna ainda pior;pois a nossa principal fonte de alimento para os animais em épocas de seca(a palma forrageira),está sendo dizimada por uma praga:A cochonilha do Carmim(Dactylopius Opuntiae).

Infelizmente os governos,nada fazem de concreto,para controlar essa praga, e os agricultores se veem entregues a própria sorte;perdendo as áreas plantadas com palma e consequentemente perdendo os animais,que não tem mais essa importante fonte de alimentação...



O período das chuvas”inverno”,vai até junho,mas pelo que pode-se perceber,infelizmente,esse ano elas não chegarão...Só resta ao homem do campo,pedir a DEUS,que amenize o sofrimento,pois é triste ver animais com fome,sem poder fazer nada para mudar essa realidade.

É triste ver as Jandaíras saírem,para o “campo”e não encontrarem flores...

As poucas árvores da caatinga,que se mantém verdes,também sofrem com a falta de chuva e com o sol “abrasador”.


Eu sinto uma dor no coração,ao ver minha querida caatinga,sofrendo com a estiagem...é desolador,olhar ao redor e só ver árvores secas,animais famintos e o olhar triste e apreensivo dos sertanejos...

As palavras,não conseguem descrever o que eu sinto ao ver “minha terra” e “meu povo” sofrer;...A tristeza,está presente onde antes havia só felicidade e beleza...Mas a luta continua,em busca de estratégias de convivência com as secas.

Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Feliz páscoa.



Amigos,estou indo passar essa semana de páscoa lá no “meu cariri” paraibano,e ao retornar,estarei atualizando o blog;com fatos e fotos da viagem...



Infelizmente,o semiárido nordestino está passando por uma grande seca,e a vida por lá ,que já não é fácil,fica cada vez mais difícil,principalmente para os animais que não encontram mais alimentos,pois a caatinga não conseguiu se recuperar,desde o última estiagem.


Desejo uma páscoa abençoada para todos os amigos,que acompanham esse blog.

Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.



domingo, 25 de março de 2012

A beleza da abelha jandaíra.




Amigos!

Hoje resolvi,mais uma vez falar da abelha nativa que é a mais importante e produtiva do semiárido nordestino:a jandaíra(melípona subnitida).

 A bela rainha de jandaíras.

A jandaira,é bem rústica e por isso mesmo,se adapta a muitas regiões do Brasil(eu tenho um amigo,que as cria,com sucesso em Cuiabá,MT),mas ela já está em muitos estados brasileiros.


Jandaíra,em um galho de imburana.

Ela é de fácil manejo,(embora seja bem defensiva)podendo ser criada por meliponicultores com pouca experiência.

Abelha jandaíra na flor de "amor agarradinho"(Antigonon Leptopus).


 Eu mantenho algumas colônias,aqui em João pessoa e,embora seja uma região litorânea,elas se adaptaram muito bem,e estão lindas(como pode-se observar nessas fotos).


Colônia matriz de jandaíras.


Eu estou fazendo a seleção das melhores matrizes,para,nas próximas multiplicações,manter as melhores características e passá-las adiante.Por exemplo,as minhas abelhas vivem nas mesmas condições ambientais,têm as mesmas fontes de pólen e néctar e recebem os mesmos cuidados,portanto as que se destacam,são usadas nas multiplicações.


Como vamos começar a temporada de chuvas(aqui em João Pessoa),eu só farei multiplicações depois do segundo semestre,até lá vou revisando-as e acompanhando seus desenvolvimentos.

Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

quinta-feira, 22 de março de 2012

A seca no "meu cariri paraibano".



Eu queria muita chuva,no sertão,
É por isso,que peço ao SENHOR,
Porque sinto,uma dor no coração,
Ao pensar nesse povo sofredor.



Mande água,pra poder molhar a terra,
Pois,meu povo já sente a seca forte,
Molhe tudo,do baixio até a serra,
Não permita que o nordeste enfrente a morte.



Animais e as plantas do sertão,
Necessitam da chuva,pra viver
Mesmo sendo acostumados a esse chão,
Não dá mais pra continuar sem chover.



Encha rios,açudes e barreiros,
Pra fazer a esperança retornar,
Porque sei,que o nordeste brasileiro,
Só aguarda uma chuva,pra plantar.



Meu senhor,ouça esse meu pedido,
Pra poder mudar a realidade,
Sou “matuto”e não vejo mais sentido,
Do “matuto”fugir para a cidade.



Esperando que a chuva esteja perto,
Vou ficando,por aqui,no meu sertão
 Porque sei,que meu coração aberto
Ajuda-me a ter fé,e gratidão.

Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Domingo no sítio.

Amigos!




Nesse final de semana,aconteceu mais um encontro de meliponicultores,daqui da Paraíba.

Durante esses encontros,nós sempre trocamos experiência de manejo,para facilitar a vida dos meliponicultores e tornar o manejo cada vez mais prazeroso e simples.



Dessa vez,fomos à cidade de Rio Tinto(que fica à 60 km de João Pessoa),litoral norte do estado.




Esse encontro foi no sítio do amigo Heráclito,que dispõe de uma bela área,além disso,seu sítio ficar bem próximo à uma grande reserva de mata(a reserva dos guaribas)que fica nos municípios de Mamanguape e Rio Tinto(PB),e possui uma área total de mais de quatro mil hectares de matas preservadas.



Estiveram presentes:Vanildo,Marcos,Anaíldes,eu e o anfitrião(Heráclito),além de seu caseiro,que também ficou atento ao detalhes de uma multiplicação de scutellaris,que foi realizada.



O amigo Heráclito optou pela caixa modelo FO/INPA;pois,como ele tem pouca experiência com as abelhas nativas,acha mais fácil as multiplicações de colônias,nesse modelo de caixa racional.




Durante uma caminhada pelo sítio,com o amigo Vanildo,eu pude ver,em um (tronco caído)dois ninhos de mirins,depois vamos providenciar as transferências,pois onde elas estão podem ser pisadas por animais(bois).



Como sempre,esse contato com a natureza e com as abelhas nativas,é motivo de muita alegria para mim.

Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

quarta-feira, 7 de março de 2012

As belezas da caatinga nordestina.

Amigos!


A caatinga nordestina,possui uma beleza,que me deixa,a cada dia mais apaixonado por essa região,tão linda,tão forte e ao mesmo tempo,tão fragilizada pelas constantes agressões sofridas ao longo dos séculos.


Animais e plantas da caatinga,se adaptaram ao clima semiárido,onde chove pouco e de forma irregular,geralmente temos quatro ou cinco meses de chuvas e sete ou oito meses de seca;por ano.


A população que vive nessa região,tem procurado alternativas de convivência com os períodos de seca.Dentre as alternativas mais viáveis estão a apicultura/meliponicultura(criação de abelhas africanizadas e nativas),a caprinovinocultura(criação de cabras e ovelhas),a piscicultura(criação de peixes),o turismo rural e de aventura,etc.


Particularmente,sou apaixonado pelas abelhas nativas e embora ainda não consiga renda com essa criação,acredito em seu potencial e ajudo na preservação das espécies nativas do semiárido paraibano:jandaíra(melípona subnitida),manduri/rajada(melípona asilvai),cupira(Partamona seridoensis),dentre outras.


A diversificação das atividades econômicas,são imprescindíveis para que o pequeno agricultor  consiga uma boa renda,para se manter na terra,e não seja obrigado a abandonar seu torrão e ir morar nas cidades,onde não existem as mínimas condições de receber esse homem do campo,que geralmente vai morar nas periferias das grandes cidades,sem ter perspectivas de mudar de vida.

Nossa caatinga é rica,só falta apoio,para que o sertanejo consiga se manter na terra,produzindo alimento para sua família de forma digna e honrada.

Nosso subsolo possui água em abundância,basta que essa água seja captada,para matar a sede dos animais,servir para irrigar as plantações e melhorar a vida de todos.


Nosso povo é trabalhador,honesto e forte,precisando apenas de condições para viver de forma digna nesse pedaço de Brasil;tão lindo e agradável e muitas vezes esquecido das autoridades.


Realmente espero que essa nossa realidade,seja transformada para melhor,em um futuro próximo e que a proteção ambiental,seja vista como prioridade,por parte da população e das autoridades.


Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.



quinta-feira, 1 de março de 2012

De volta ao cariri paraibano.



Amigos.


Eu passei a última semana,lá no “meu cariri paraibano”,onde fui participar da missa de 30º dia de falecimento de meu avô(Manoel Braz),aproveitei para rever os familiares,a minha querida caatinga e as abelhas nativas.

 Mandacaru florido.

Graças a Deus,as primeiras chuvas caíram,reacendendo as esperanças e as forças do caririzeiro,que espera mais chuvas e em maior intensidade.


Com as primeiras chuvas,a caatinga tem uma “explosão”de vida,e se transforma numa imensa área verde.

Como estamos saindo de um período de seca,eu apenas fiz algumas revisões nas abelhas nativas;principalmente nas cupiras(Partamonas seridoensis),que estão muito bem.


Colônia de cupira,com destaque para a rainha.


Eu mantenho as cupiras em caixas racionais,além de manter algumas em estado natural(No cupinzeiro),para que elas possam enxamear para as áreas próximas à casa de minha mãe.


Essa semana foi revigorante,pois eu fiz;(juntamente com familiares)uma bela caminhada no meio da caatinga,com direito a banho de chuva e beber água(pura e cristalina),diretamente nos córregos.
Durante essa caminhada,encontramos uma moça branca,uma Cupira,duas africanizadas e um ninho de gangarro(ave que faz seu ninho no interior do cupinzeiro).


Imburana de cambão(Imburana de espinhos).

Pretendo ir lá novamente na páscoa,tomar banho de açude,dividir algumas jandaíras e recarregar as forças,no meio da caatinga.

Em destaque um pé de Cumaru(Imburana de cheiro).


Em breve trarei mais relatos e fotos de minha estadia,no cariri paraibano.


Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.