sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Nova revisão em caixa de abelhas cupira.


Durante as minhas postagens,tenho feito alguns acompanhamentos de colônias de abelhas Cupira(partamona seridoensis).

Esses dias fiz mais uma revisão,e pude ver que as abelhas estavam tapando a parte superior da caixa racional com uma camada de batume,provavelmente porque havia alguma entrada de luz,mas também pode ser pra manter temperatura ou diminuir o espaço interno.



Elas foram tapando,e cubríram completamente,a parte superior da caixa.

Após perceber que elas já haviam tapado tudo,eu retirei o batume(apesar de todo o trabalho que essas pequenas tiveram),pois precisava ver como estava essa colônia,e o excesso de batume não permitia nenhuma visão do interior da caixa.



Essa Cupira eu mantenho aqui em João Pessoa,pra poder acompanhar seu desenvolvimento,e aprender mais a respeito dessa espécie,tão pouco estudada.

Na minha opinião essa caixa está bem,e surpreendentemente,está se adaptando ao litoral,mesmo sendo nativa do semiárido nordestino.


Caixa após a retirada do batume.

Eu não vi realeira durante a revisão(pois não quis retirar os discos,para procurá-las),mas coloquei uma caixa racional(com cera em seu interior) próxima a essa caixa matriz,pra servir de nova morada,caso elas resolvam fazer alguma divisão natural.Já vi algumas abelhas,colhendo cera da entrada da nova caixa,quem sabe em breve elas não formarão mais uma colônia.



Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Manduri/Rajada(melípona asilvai).



Recentemente,eu adquiri(ganhei)mais uma espécie de abelha nativa,para meu meliponário,a abelha manduri ou rajada(melípona asilvae.




Essa é mais uma espécie nativa da caatinga nordestina,assim como a jandaíra (melípona subnitida),e a cupira(partamona seridoensis).

Por ser uma abelha de pequeno porte e não ser tão produtora de mel,ela quase não é criada racionalmente,o que tem sido muito maléfico para a espécie,pois ela tem sofrido muito com a ação dos “meleiros”,em algumas localidades,onde essa espécie existia em grande quantidade à poucos anos atrás,hoje ela quase não é mais vista.

A manduri é considerada a menor melípona,mas mesmo sendo pequena ela é bastante forte e rústica,como a nossa caatinga.

Portanto a criação racional é uma das saídas,para evitar que essa bela abelha,seja extinta,é claro que também a destruição da caatinga tem influenciado nesse processo de diminuição da espécie na natureza.




Essa abelha é bem tímida,e às vezes passa despercebida por aqueles menos experientes,se você fizer algum barulho próximo a entrada da colônia,elas se recolhem e ficam quietas.Talvez essa seja uma forma de se defender do seu pior inimigo natural(o homem),que não vendo nenhum movimento acha que ali não tem abelha.

Muitas vezes,"elas" constroem seus ninhos nos troncos das árvores da caatinga,e se espalham em direção as raizes;talvez por falta de moradias,já que a nossa caatinga está a cada dia menor,com menos árvores.

Como a maioria das melíponas,a entrada da colônia é feita de barro;com estrias e com espaço para passar apenas uma abelha por vez,as colônias possuem um pouco menos de mil indivíduos,que se revezam na divisão das tarefas.



Essa abelha,também deposita uma camada de batume na parte superior da caixa,possivelmente para diminuir o espaço interno e para controlar a temperatura.Se esse batume começar a atrapalhar os trabalhos com a colônia,ele deve ser retirado.

A caixa racional,que eu achei mais adequada para essa abelha é a caixa idealizada pelo pesquisador Fernando Oliveira/INPA;com dimensões reduzidas: ninho 14x14x6cm,sobre-ninho 14x14x6cm e melgeira 14x14x05cm,em épocas de boa produção,pode-se adicionar mais uma melgeira;mas também pode-se usar uma caixa modelo nordestina(horizontal).

A primeira vista,essa caixa parece ser pequena para essa espécie,mas é adequada,pois se você fizer uma caixa maior,as abelhas irão depositar uma grossa camada de batume,o que vai exigir muito trabalho das abelhas e vai dificultar o trabalho do meliponicultor,na hora das revisões,colheita e divisões.

Apesar de ser pequena, essa abelha é bem produtora;com uma boa florada,o meliponicultor colherá em média um litro de mel,por ano,podendo passar um pouco,dependendo das condições locais.

Eu estou muito entusiasmado com essa nova aquisição,pois além de aumentar as espécies criadas em meu meliponário,eu pretendo divulgar a criação racional dessa espécie,visando salvá-la da extinção,principalmente no cariri paraibano(área de caatinga).

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Ser caririzeiro,é...


Esses dias,eu estava com um amigo e ele me perguntou se eu tinha coragem de fazer,mais algumas transferências de abelhas,pois já havíamos feito muitas.Eu lhe disse que sim,afinal,sou caririzeiro.
Com a minha resposta, ele me perguntou:mas afinal,o que é ser caririzeiro?




Após dar alguma resposta,fiquei pensando...o que os caririzeiros tem diferente dos outros povos ?



O que significa ser caririzeiro??A resposta mais lógica é ter nascido ou morar no cariri...
Mas eu tenho mais algumas respostas, e vou falar algumas,só pra ilustrar essa brincadeira,pois afinal,somos todos iguais...
Ser caririzeiro,é:

Vista da praia de barra de gramame,João pessoa,PB.

-Morar no litoral paraibano,onde existem praias belíssimas,e quando tem uma folga,prefere ir tomar banho de açude,lá no cariri;
-Enfrentar três horas de viagem,num sábado,só para aproveitar o final de semana,lá no cariri,mesmo tendo que voltar no domingo à noite,pra pegar no batente;
-Gostar de poesia..,e as vezes até escrever alguma,mesmo não tendo veia poética;
-Achar que o cariri é o paraíso,mesmo com todo desafio que é viver ali;
-Transformar uma tarefa difícil,em algo prazeroso e fazer brincadeira,só pra amenizar o esforço;
-Ser apaixonado pela caatinga e fazer de tudo para preservá-la;
-Gostar de acordar com o cantar do galo;
-Tomar leite quente,no curral;
-Preferir andar à cavalo,ao invés de andar de moto;
-Reunir os amigos pra tomar uma branquinha,com bode assado na brasa;
-Ficar horas,só observando o trabalho das abelhas,sem se preocupar com mais nada;
-Dormir um sono debaixo de uma imburana;
-Beber água pura,direto do riacho;
-Se emocionar com o início das chuvas;
-Ter orgulho de seu lugar,e sempre falar bem dele;
-Convencer as pessoas,que o cariri é um ótimo lugar pra se viver;
-Enfrentar a seca,com força e coragem,mesmo sabendo que ela é mais forte que você;
-Enfim,ser caririzeiro,...É ser nordestino,...É ser brasileiro,que não desiste de lutar,...Não se rende diante das dificuldades da vida,...Vai construindo sua história com muito trabalho,força,persistência...,e principalmente honestidade e fé.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João pessoa, PB.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O cariri paraibano...


Eu;sempre que faço alguma postagem,me refiro ao meu lugar de nascimento,como “o cariri paraibano”.Mas,a maioria das pessoas,não conhecem muita coisa dessa região,por isso vou falar de modo bem simples e direto,algumas características desse pedaço do nordeste brasileiro.



O cariri paraibano,está localizado no sul do estado,e é formado por 29 cidades,dentre elas,posso destacar:Boa vista,Cabaceiras,São João do cariri,Serra Branca,Sumé,Monteiro,dentre tantas outras.



O clima do cariri,é tipicamente semiárido,que caracteriza-se pelas baixas ocorrências de chuvas,e pela alta luminosidade do sol,durante todo o ano.

A sua vegetação é típica de caatinga,com árvores de pequeno e médio porte,com uma grande diversidade de cactus,que conseguem sobreviver aos grandes períodos de estiagem(comuns por aqui).




Algumas plantas que são típicas dessa
região,são:Aroeira,Baraúna,Craibeira,Juazeiro,Quixabeira,Catingeira,marmeleiro,Jurema preta,Maniçoba,Pereiro,Cumarú,Umburana,Umbuzeiro,Anjico,malva,mata-pasto,Favela,mororó...,além dos cactus:Mandacaru,Facheiro,Xique-xique,Palmatória,coroa de frade e combeba.



Toda essa diversidade de plantas,tem uma grande importância para a sobrevivência do homem e dos animais da região.




Dentre as espécies animais,nativas dessa região,existem algumas que se destacam,como é o caso de alguns roedores:o mocó e o preá...,répteis:o lagarto teiú,e o camaleão...,mamíferos:o tatu peba,o lobo guará,a raposa,o tamanduá,o gato do mato,a onça susuarana...,aves:a asa branca,o galo de campina,o canário da terra,a rolinha cascavel,o sabiá,a siriema,o carcará...,abelhas nativas:a jandaíra,a cupira,a manduri(rajada),a moça branca,o mosquito(lambe olhos).




Por aqui,não existem rios perenes,e a falta de água potável é uma das maiores dificuldades,enfrentadas pela população que vive nos sítios dessa região,muitos recorrem à construção de cisternas(reservatórios para armazenar a água das chuvas).




Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João pessoa,PB.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O resgate de uma cupira.

No ultimo mês de dezembro,eu passei as minhas férias no cariri...,dentre outras atividades com as abelhas nativas,eu fiz o resgate de uma cupira(partamona seridoensis).

Essa cupira estava situada em uma cerca,e teve parte do cupinzeiro derrubado...

Quem viu esse fato e me disse foi meu irmão,que também disse que , talvez elas abandonassem o local,pois os discos de crias ficaram aparentes,pois o cupinzeiro teve um lado derrabado...

Logo que eu soube dessa notícia,me dirigi ao local,para avaliar o estado dessa colônia...Pra minha grata surpresa,os cupins já haviam reparado os danos e as abelhas estavam trabalhando...



Mesmo com a reparação dos danos,o cupinzeiro ainda estava bem danificado e eu não quiz esperar para saber se o cupinzeiro seria quebrado novamente,pois isso poderia ser o fim daquela colônia...

De manhã,peguei uma caixa(que por sinal era um pouco improvisada)e fui resgatar aquela abelha...

Quando eu começei a retirar alguns pedaços do cupinzeiro,as abelhas já foram em cima de mim(muitas)e deram muitas mordidas,deu até vontade de correr,rsrs.



Mas isso é normal,pra quem cria cupira...,(eu tenho um chapéu com um véu,pra me proteger das mordidas,mas esqueci,e não quiz voltar pra pegar em casa)...

Aos poucos,fui vendo que aquela colônia era forte,apesar de ter perdido algum espaço do cupinzeiro...,com cuidado,tive acesso aos discos de cria e aos potes de alimento,fui retirando com cuidado,e colocando na caixa...


Depois que terminei a transferência,deixei a caixa no local do cupinzeiro,para pegar as campeiras que estavam “trabalhando”...

Nesse mesmo dia,à tarde eu tive que ir buscar a caixa,pois o tempo havia virado,e vinha muita chuva...

A chuva é sempre bem vinda em minha região,mas não dava para deixar aquela caixa se molhar,pois poderia entrar água e botar tudo a perder...

Levei a caixa para casa,com a entrada fechada..,e de manhã,providenciei um local para acomodá-la...


Durante alguns dias,forneci cera e acompanhei o trabalho das abelhas,que por sinal se organizaram bem depressa,pois elas são bem rústicas e trabalhadoras...



Essa resgate me deixou muito feliz,pois como eu já disse em outras postagens,sou apaixonado por essa pequena abelha,e farei de tudo para que ela consiga se livrar da extinção...

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Férias no semiárido paraibano.

Após algum tempo sem atualizar o blog,pois estava sem pc...,estou de volta à ativa,e confesso que já estava morrendo de saudades das minhas postagens,amadoras,mas verdadeiras e feitas com muito amor às abelhas nativas e à caatinga nordestina...

Eu passei o mês de dezembro último,lá no "meu cariri" e aproveitei para fazer algumas transferências de abelhas nativas...


O anoiteçer,no cariri...

Também adquiri uma nova espécie para meu meliponário:a abelhas manduri ou rajada(melípona asilvae)e estou muito satisfeito com elas,pois são bem produtivas,rústicas e mansas,com certeza aumentarei esse número em breve.

Durante esse tempo que passei no cariri,fiz várias caminhadas no meio da caatinga,observando,principalmente se localizava colônias de abelhas nativas,e tive boas surpresas,pois localizei algumas moças brancas,cupiras,jandaíras e mosquitos lambe-olhos.
Em um pé de umbuzeiro,localizamos duas jandaíras,o que prova que as nativas sempre dão um jeito de se manterem vivas,apesar das adversidades.


Meu irmão e meus dois sobrinhos,durante uma de nossas caminhadas no meio da caatinga.

Outra coisa que me deixou feliz,foi poder salvar uma cupira,que estava alojada em uma cerca,e por isso mesmo,já tinha sido derrubada quase toda,mas mesmo assim resistia,não sei por quanto tempo,a coloquei em uma caixa racional,e ela está muito bem,agora.

Graças à Deus,a chuva está chegando por lá,e as matas já apresentam um verde animador,por issso,pretendo voltar lá em breve.

Em breve,farei novas postagens detalhando as minhas aventuras em meio às abelhas nativas e à caatinga.

Grande abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Visita à criadores de uruçu. nordestina.


Nada melhor que passar o final de semana em meio as abelhas nativas,e,obviamente batendo um bom papo com os amigos meliponicultores.

No dia 13,do mês passado,eu fui visitar,e conhecer,mais um meliponicultor(o Léo Pinho,criador de uruçu,em Igarassu,PE)

O meu amigo Tadeu Leite,sempre me falava que nós precisávamos visitar outros meliponicultores,para trocar experiências e conhecer novas técnicas de criação.

Após uma conversa,eu entrei em contato com o Léo,querendo saber da possibilidade de nós írmos conhecer seu meliponário...,pra surpresa minha,pois estava muito "em cima da hora",...ele me disse que seria um prazer,e que só dependia de nós,o dia e a hora...,já marcamos para o outro dia.

Ao comentar com meu sobrinho(Lucas),ele me disse da vontade de também ir comigo,nessa viagem.

Saimos no sábado de manhã,eu,Lucas e Tadeu,com destino à Igarassu.

Léu,me passou todas as informações necessárias para chegármos a sua chácara...,ele me passou um verdadeiro mapa,rsrs.

Como a chácara de Léo ficava próxima a de Chagas(na realidade,um pouco depois),resolvemos fazer uma visita ao mestre das uruçus nordestinas(melípona scutellaris).

Chegamos ao restaurante,que fica próximo ao seu meliponário,e Tadeu perguntou se Chagas estava por ali,ou se estava na serra do araripe(PE),onde tem uma propreidade rural e se dedica as pesquisas com uma espécie de abelha muito rara(a uruçu da terra)...,pra surpresa nossa,o rapaz do restaurante nos disse que Chagas estava em seu meliponário,que fica por trás do restaurante.

Nos encontramos com um funcionário e amigo do Chagas,e ele nos recebeu muito bem,afinal Tadeu adquiriu suas colônias matrizes do Próprio Chagas,e por isso,sempre fazia visitas,até tornár-se amigo das pessoas dali.

O rapaz,nos levou até o meliponário,onde encontramos Chagas e outro funcionário prontos para fazer algumas divisões.

Uma coisa que me chamou atenção,foi a simplicidade de Chagas e a alegria,que nos
recebeu,após Tadeu apresentar à mim e à meu sobrinho,o mestre quis saber das minhas experiências com abelhas nativas,então lhe falei das jandaíras,cupiras,moças brancas,urucus...,ele me incentivou a continuar com minha criação...,inclusive aumentando o número de caixas...,mas ele deu atenção especial à meu sobrinho,pois disse que só assim,com novos meliponicultores,poderemos garantir o futuro das abelhas nativas.

E assim,meu sobrinho teve o privilégio de receber uma aula particular do maior criador de uruçu nordestina(melipona scutellaris),e um dos mais respeitados meliponicultores do Brasil,Francisco das Chagas.


Um dos meliponários de Chagas(Igarassú,PE).

Realmente, é impressionante a simplicidade e a forma apaixonada como o Chagas fala das abelhas nativas,que sirva de exemplo para a nova geração de meliponicultores.


Eu,de chapéu e Chagas.

Passamos uma boa parte da manhã,na companhia prazeirosa do Chagas...,mas nos despidimos e continuamos nossa viagem,até a chácara do Léo.

Após alguns minutos,chegamos à belíssima chácara do Léo,(como demoramos lá em Chagas,Léo já estava pensando nós teríamos nos perdido).

Fomos recebidos de forma calorosa,pelo Léo e por sua mãe...,e já fomos olhar algumas abelhas que estavam próximas da casa..,uma jandaíra e uma mandaçaia,que ele recebeu de presente de um amigo...,além de um mosquito(plebeia).

Léo nos chamou para conhecer seu meliponário,que fica em meio a uma mata muito preservada e linda...,fomos caminhando por entre árvores de médio e grande porte...,e comentando que naquela mata,ele terá muito sucesso na sua criação de uruçus...,o ambiente é fabuloso.


Meliponário de Léo.

Aproveitamos,que estávamos na meliponário e fizemos algumas revisões,fizemos perguntas uns aos outros,com relação ao manejo com as abelhas,alimentação,defesa contra os forídeos,tipos de caixas utilizadas e planos para o futuro da criação...,eu fiquei muito feliz em ver que Léo é um cara novo,mas com uma grande vontade de preservar a natureza ao seu redor,inclusive ,ele tem planos de comprar áreas vizinhas,só com a intenção de preservar a manter as áreas intocadas...,um belo exemplo.

Após algum tempo,no meliponário,o pai de Léo,foi nos encontrar,e voltamos para a casa de carro...,onde encontramos o irmão de Léo e algumas pessoas amigas da família.

Depois de um dia maravilhoso,fomos convidados para um almoço,com toda a família e amigos do Léo,ao lado de um rio,e com a natureza exuberante ao nosso redor,e com uma comida maravilhosa,preparada pela mãe do Léo.


Da esquerda,pra direita:Tadeu,o pai de Léo,a mãe,Léo e eu de chapéu..,Lucas não está na foto,porque era o fotógrafo,rsrs.

Eu já fiz algumas visitas à meliponicultores,mas essa foi especial,pois,conheci Chagas e Léo...,um é o maior especialista em uruçu nordestina,da atualidade e o outro,representa o futuro dessa criação...,e porque não,o futuro da meliponicultura nacional.


Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

domingo, 21 de novembro de 2010

Minha infância no cariri paraibano.


A viagem foi cansativa,mas mesmo assim sempre vale à pena,pois estar de volta ao meu cariri,e poder rever os familiares,a minha caatinga,e as minhas abelhas nativas,é revigorante.

O dia amanhece.

_Paulo,venha tomar café meu filho,já tá tarde.
_Já vou mãe.
_Benção mãe.
_Deus te abençoe,meu filho.
_Cadê todo mundo?
_Seu pai foi lá no riacho,olhar a sangria da barragem.
_Sangria?E a barragem está cheia?
_Tá sim,meu filho,com a chuva dessa noite ela está sangrando.
-E os meninos onde estão?
-Foram olhar as cercas e ver se as águas não derrubaram alguma coisa.

Ao olhar pela janela da "sala de janta",eu tive uma grande surpresa,pois vi a mata nativa intocada,igualzinho a quando eu era criança,por um instante fiquei confuso.

Saí na porta da frente e vi,que na imburana haviam muitos canários da terra,fazendo a maior algazarra matinal.

Calcei a bota e fui até o curral,(a lama era muita)percebi que as vacas de leite estavam bem gordas e com muito leite,afinal ,meu pai ainda não tinha feito a ordenha.

Nesse momento,um grito estridente me atraiu a atenção,era o carro de boi,que apontava na estrada,carregado de palma e sendo puxado pelos bois "barra branca" e "bordado",ao lado dos bois vinha seu Manoel Pedro,aboiando e animando aquele começo de dia.

Ao chegarem ao meu lado,eu perguntei a seu Manoel,pra onde estava indo aquela palma.E ele,com aquele ar de alegria,me disse:Estou levando pra cocheira,seu avô está com uma engorda de 100 bois,e enquanto os meninos estão colocando o farelo de algodão e cortando o capim elefante,eu fui buscar essa palma,pra adiantar a luta.

Enquanto seu Manoel,seguia para a cocheira,meu pai apareceu na porteira grande,ele montava seu cavalo(batuque),e vinha apressado,pois já estava tarde para tirar o leite.

Após tomar a bênção,eu já fui querendo saber da sangria da barragem,então ele me disse que a água estava passando uns 60 centímetros acima da parede, da velha barragem de pedra e cimento,mas está sem perigo,quando seu avô construiu aquela barragem,ele teve todo o cuidado de fazer o melhor serviço possível,para evitar rompimento.

Meu pai disse que quando vinha do riacho,passou pelo meliponário e olhou algumas caixas,elas estão cheias de mel,se organize para fazer a colheita,pois esse ano elas trabalharam muito,e nas 100 caixas,vamos tirar uns 200 litros de mel,com certeza.

Enquanto eu estava preparando as coisas,para começar a colheita do mel,os meninos chagaram,e disseram que a chuva havia feito alguns estragos,derrubado algumas cercas,e que os reparos tinham que ser feitos logo,senão os animais poderiam sair da propriedade.

Meu pai ouviu o que os meninos disseram,já mandou chamar seu Zé Gonzaga e Inácio de Manoel Pedro,e disse onde estavam os estragos nas cercas,e que era pra eles irem consertar,e depois fazerem uma revisão geral nas cercas,pra verem se não haviam mais estragos,como eles iam andar muito,foram à cavalo.

Chamei meu irmão mais velho,pra ir comigo fazer a colheita dos primeiros litros de mel do ano,seguimos para o meliponário das jandaíras,levando 10 litros vazios.

Como meu irmão era mais ágil,já foi tirando as melgueiras,tapando os buracos que ficaram abertos nas caixas articuladas,e me entregando para que eu furasse os potes e virasse sobre a vasilha com a peneira,realmente as melgueiras estavam bem pesadas.

Terminada,a primeira colheita,voltamos pra casa com os litros cheios e a certeza que esse ano a produção de mel de jandaíra seria quase o dobro dos outros anos.

-Meu filho,esses 20 litros foram de quantas caixas?
-De 10 caixas mãe,é muito mel,essa é a hora de investir um bom dinheiro nas jandaíras,toda essa produção é resultado do bom inverno,mas também do trato que eu dei nas abelhas no período da seca,elas só estão me recompensando.

-Veja,prove o sabor desse mel,existe coisa melhor nesse cariri?
-Realmente esse é o melhor mel,que temos por aqui.

Paulo...Paulo...,acorde,meu filho já é tarde...,eu só deixei você dormir até agora,porque sabia que você estava cansado da viagem de ontem...
-Mãe,eu estava tendo um sonho,que preferia não ter acordado.
-Você sonhou com o quê?
-Com minha infância,com papai vivo...,não chore não meu filho,foi só um sonho;eu sei mãe,mas parecia tão real,como eu gostaria que fosse realidade...A realidade do meu tempo de criança.

OBS.:Todo esse relato,foi minha infância...

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A casa das abelhas.

Como já foi dito por mim ...,eu tenho algumas colônias de jandaíras, de uruçu e uma cupira,aqui em João pessoa...Essas caixas estão na casa de minha irmã;penduradas na frente da casa...,mas em breve providenciarei nova localização para elas...

Com o desconhecimento quase que total das pessoas do meu bairro,em relação as abelhas nativas,muitas pessoas chegam a chamar meu sobrinho,para perguntar como é que alguém cria abelhas na cidade,botando os vizinhos em perigo...

Em quase todas as vezes que eu vou lá,alimentar as abelhas,ou simplesmente fazer uma inspeção,sempre me aparece alguma pessoa curiosa, querendo saber das abelhas...claro que eu explico que são nativas,sem ferrão...,mas ,a maioria das pessoas ficam com uma cara de quem não acreditou muito,nessa explicação...

Ontem,eu recebi um telefonema de minha irmã,dizendo que um rapaz veio lá e chamou meu sobrinho,para perguntar de quem eram aquelas abelhas...Ele respondeu que eram minhas...,aí o rapaz disse: Lá na minha casa tem um monte de abelhas,em um galho de árvore,e todo mundo está com muito medo...será que são dessas daí?Meu sobrinho disse que com certeza não eram,e que possivelmente seriam ápis...,e orientou ele a chamar os bombeiros para fazerem a retirada...,pois, seriam um perigo para os moradores...

Quando eu estou nas ruas próximas,algumas pessoas já me conhecem como o rapaz da”casa das abelhas”...

Eu vou colocar as abelhas na parte da trás da casa,pois elas ficarão mais protegidas e não chamarão atenção dos vizinhos...

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Conhecendo mais um meliponicultor.

Como já relatei em postagens passadas,através desse blog,eu conheci muitas pessoas(umas pessoalmente,outras só pela internet),algumas dessas pessoas,hoje são consideradas meus amigos,pois sempre nos falamos,nos visitamos,enfim,fazem parte da nossa vida.

Hoje quero relatar mais um desses encontros prazerosos,e muito proveitosos,que aconteceu,lá em Campina Grande.

Foi através de um comentário no blog,que a Professora Maria do Carmo Carneiro,(ou simplesmente Carmem,como é chamada)falou de seu interesse pelas abelhas nativas,e que queria me conhecer pessoalmente,para trocarmos algumas ideias.

Aproveitei uma das minhas idas ao cariri,e fui lá na UFCG(Universidade Federal de Campina Grande),para conhecer a professora Carmem.

Cheguei cedo e fui logo para o setor de trabalho dela,...liguei para dizer que já havia chegado e fiquei olhando as coisas,ao redor,logo de frente ao setor de trabalho de Carmem,eu encontrei uma colônia de mirins(mosquitos),em uma bela árvore.



Após alguns instantes,chegou uma mulher com um grande sorriso no rosto,e já foi dizendo:pela curiosidade,em ficar vasculhando as árvores,você deve ser Paulo.

Após as apresentações,já começamos a falar das asf,e ela me chamou para ver algumas caixas de uruçu(melípona scutellaris),que ela mantém lá na UFCG,e um mosquito que tinha transferido à poucos dias(ele estava alojado em uma calçada,e foi transferido para uma caixa racional).

A professora Carmem,é zootecnista,e professora da universidade de Alagoas.
Ela criou e executou,em todo o cariri paraibano,o projeto de criação de peixe ou camarão,com água de rejeito de dessalinizador(esse rejeito se jogado na natureza é altamente maléfico para o meio ambiente)...,com esse projeto,Carmem,ganhou prêmio da UNESCO,participou de programas como “Globo rural”e “Jornal nacional”,da rede globo de televisão...,como diz ela,”ficou famosa”,rsrs...Com todo esse reconhecimento,ela é uma pessoa muito simples,o que me deixou muito à vontade ao seu lado.

Atualmente ela é pesquisadora da UFCG,e está com uma pesquisa do CNPQ(Conselho nacional de desenvolvimento científico e tecnológico),onde estão sendo produzidas caixas racionais para abelhas nativas,com a utilização de bagaço de cana e fibras de bananeira,eu mesmo peguei na caixa,e achei uma boa ideia,pois além de serem resistentes,essas matérias-primas,são fáceis de serem encontradas,e poderão ser ótimas alternativas para substituir a madeira na confecção desses caixas,além de outras aplicações.



Durante o tempo em que estávamos conversando,eu fiz a divisão de uma colônia de uruçu,fizemos a inspeção na caixa de “mosquito”,enfim foi uma tarde muito proveitosa.

Após algumas conversas,eu disse que deveríamos criar uma associação de criadores de abelhas nativas,até sugeri o nome AME-PB,e Carmem ficou muito interessada na ideia e disse que vai tentar levar à frente,claro que farei o possível para ajudar.

Eu fiz a doação de uma colônia de moça branca,para a universidade,pois Carmem está montando um meliponário lá,e eu espero que tenhamos muitas novidades boas com esse meliponário,que servirá para pesquisas,visitas,palestras,aulas e com certeza será um ponto de encontro dos amantes das abelhas nativas.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.