sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Domingo,com as abelhas.

No último domingo,eu fui visitar,meu amigo Tadeu Leite,que é um criador de uruçu(melípona scutellaris),em uma bela praia daqui de João Pessoa.



Cheguei em sua residência,pela manhã,e já o encontrei em meio as caixas e ao movimento das abelhas campeiras.

O Tadeu,é professor universitário(aposentado)e fez da meliponicultura uma verdadeira paixão,é muito bom ver como ele trata as abelhas,com tanto cuidado,amor,responsabilidade e acima de tudo respeito,pois ele só realiza uma divisão,quando a colônia está muito forte,e não terá grandes dificuldades em se recuperar,outra coisa que chama a atenção,é o fato de sempre receber propostas para vender alguma colônia,mas ele nem pensa nisso,ele pode até fazer alguma doação(se souber que a pessoa que vai levar as abelhas,terá o mesmo cuidado e amor que ele tem,por elas).


Essa foi a segunda vez que visitei seu belo e organizado meliponário,aproveitei a visita,para fazer a transferência de uma mirim,para uma caixa nova.
Também realizamos algumas divisões de scutellaris,que estavam muito fortes.


(Eu,fazendo a transferência de uma mirim)


(Caixa,nova e a caixa velha,ao lado...)

Passamos o dia entre as abelhas,boas conversas,um bom aperitivo,rsrs,afinal ,como todo bom nordestino,nós apreciamos uma branquinha(de boa qualidade).

Após esse dia maravilhoso,o amigo Tadeu,me surpreendeu com um presente inesquecível:uma bela colônia de uruçu, e uma caixa racional(nova),para que eu faça a divisão e comece a criação de mais essa espécie.


(Colônia,que ganhei de presente.)


(Caixa nova,também presente de Tadeu.)

Ele me incentivou muito,para que eu transforme essa minha paixão, em um negócio,pois não existe nada melhor que trabalhar com aquilo que gostamos,nisso,ele tem toda razão.

Pretendo,aos poucos ir botando esse plano em prática,embora saiba que as coisas não são tão fáceis,mas vale a pena enfrentar,principalmente,quando acreditamos naquilo que estamos fazendo.

Tadeu,deve ter mais de cinquenta colônias de melípona scutellaris,além de algumas mirins,e ainda esse ano estará com umas cem uruçus,pois ele mora em uma área,que tem mata atlântica,uma bela área de mangue,além de muitas árvores frutíferas,e suas abelhas estão se dando muito bem nesse local.

Realmente,esse domingo foi um dos melhores que passei,nos últimos tempos.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Preservação da caatinga e das abelhas nativas.

Será que nós devemos desistir dos nossos sonhos,se eles parecem impossíveis de serem alcançados??

Sinceramente,eu acho que não.Mas sei que temos que tocar a vida em frente.Sempre tentando realizar os nossos sonhos,mas tendo que conviver com a realidade.

Nos últimos tempos,eu tenho sido chamado de sonhador,ingênuo,louco,etc.,por achar que é possível se viver bem,no semiárido nordestino,com aquilo que a própria natureza nos oferece.Esse é um dos meus sonhos.



Acontece que se criou,em nossa região,uma cultura onde só se deve criar gado,cabras ou ovelhas,o resto é perder tempo e dinheiro.

Não tenho nada contra as vacas(eu crio algumas),nem as cabras e ovelhas,mas apenas acho que existem muitas outras formas de se investir e ter um bom retorno financeiro,sem prejudicar a nossa tão ameaçada caatinga.

Entre essas alternativas,está a criação racional de abelhas nativas,que já estão ficando um pouco mais conhecidas(embora sendo nativas as pessoas nunca deram o devido valor,muitas nem sabem de sua existência,por isso,várias espécies já se encontram em extinção);a criação de peixes em tanque rede;criação de galinhas caipiras;produção de verduras,através do uso da hidroponia,etc.

Eu venho à algum tempo,tentando mudar o modo como as pessoas do “meu cariri”paraibano,veem essas alternativas,mas essa tarefa não tem sido nada fácil,afinal para se mudar a cultura de um povo,se leva tempo,paciência e muita perseverança.



Quantas vezes,ao falar sobre a criação de abelhas nativas,eu fui chamado de sonhador,pois algumas pessoas acham que temos que continuar investindo nas mesmas coisas,e sofrendo com a seca.



Quando eu percebia que alguém se interessava pelo assunto,eu aproveitava e tentava convencer.Falando dos casos de sucesso,nessa atividade,da importância para a nossa caatinga,afinal as plantas dependem das abelhas (e de outros insetos),para se multiplicarem.

Felizmente,esse meu trabalho quase solitário(em minha região), está sendo aos poucos entendido por algumas pessoas,que já acreditam na viabilidade econômica e na importância ecológica dessa atividade.



Claro,que as outras atividades que citei,também são bastante viáveis para nossa região;porque o mais importante é a diversificação das atividades,só assim,teremos um bom retorno financeiro.

Espero que esses meus sonhos de menino do interior,se tornem realidade,afinal tenho feito minha parte.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

10.000 acessos,obrigado!

Quem imaginaria,que um blog tão simples e amador,falando de coisas simples;mas verdadeiras,chegaria aos 10.000 acessos,em menos de um ano de existência?

Com certeza,eu não imaginaria,mas fico muito feliz,ao ver que hoje,dia 30/08/2010,meu humilde blog,alcançou esse número de visitas.

Em setembro de 2009,eu fui incentivado por meu sobrinho(Lucas),à criar um blog,para falar dessa minha paixão pelas abelhas nativas(acho,que ele já não aguentava mais me ouvir falando sempre desse mesmo assunto,por isso me mandou criar esse blog,só assim,eu teria um local específico,para expressar minhas idéias, rsrs).




Durante esse período,muitas coisas aconteceram;coisas alegres e coisas tristes;em dezembro de 2009,eu tive a maior tristeza de minha vida:perdi meu pai,aos 67 anos de idade,ele sempre viveu no cariri paraibano,pois ao contrário de seus irmãos,não quis ir para a “cidade grande” estudar,preferiu ficar ali mesmo,na luta com os animais;essa era a sua maior paixão,a vida de vaqueiro.

Aos 13 anos de idade,ganhou de seu pai um cavalo,uma sela e uma roupa de couro(uniforme do vaqueiro nordestino) e a cada dia,sua paixão por essa vida só aumentava;...quantas e quantas vaquejadas por esse sertão;quantas pegas de boi no mato;quantos cavalos ele domou;quantos amigos vaqueiros ele fez;quantos aboios(canto típico dos vaqueiros nordestinos,onde se faz versos de improviso);quantos sonhos;quantas saudades...


Como eu já falei em outras postagens,eu sou tipicamente um homem do campo,e essa minha paixão pelas coisas da minha terra,eu herdei de meu pai e de meus avós.

Se Deus permitir,em dezembro próximo,meu avô,estará completando 102 anos de idade,e minha avó 97 anos em outubro.

Sempre moraram no cariri paraibano,apesar de já terem possuído casas em cidades,nunca quiseram morar fora de sua terra natal,meu avô sempre disse ,que se tivesse que ir morar em uma cidade,com certeza morreria mais rápido,pois não aguentaria ficar longe de seu torrão.

Uma das lições,que eu aprendi com meu avô,foi:sempre trabalhar,para conseguir ser alguém na vida,de forma honesta;e ninguém melhor que ele para servir de exemplo.Na sua juventude,herdou de seu humilde pai,a profissão de “tropeiro”,e ele sempre trabalhou para ser “alguém”na vida.

Trabalhando de sol à sol,ele foi juntando umas reservas e,após alguns anos de muita luta e sofrimento,conseguiu comprar sua terra,seu lar,onde com muito suor,criou dez filhos e conseguiu se destacar em sua região,como um homem honesto e “de palavra”,que sempre primou pelos bons costumes.

Foi nesse meio,que eu fui criado,mas ao contrário de meu avô,que sempre gostou de “gado”,eu fui me apegando as abelhas nativas que,embora não me tragam retorno financeiro,me fazem ficar cada dia mais ligado as coisas do “meu cariri”.

Estou na luta para divulgar a meliponicultura em minha região,e já consegui alguns avanços,pois as pessoas não estão mais vendo essa atividade,como “coisa sem futuro”,e algumas já pensam em investir nessa atividade,O que falta são cursos,seminários,discussões sobre o assunto,para que as pessoas conheçam mais essa minha paixão.

Espero,que meu humilde blog,continue sendo um ponto de encontro de pessoas, que como eu,são apaixonadas pelas abelhas nativas;pela minha querida caatinga,pela natureza,enfim por nosso planeta terra.

Agradeço a todos que seguem,visitam,comentam e acompanham esse blog.

Grande abraço a todos.

Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Divulgando a meliponicultura.

Em algumas postagens anteriores,eu já mencionei a importância de se divulgar a meliponicultura em nosso país,pois a grande maioria das pessoas, nem imagina que existem abelhas sem ferrão.Acham que só existe a ápis mellífera.

À poucos dias eu estava na casa de minha irmã,alimentando as minhas abelhas.Quando um rapaz que veio lá fazer um serviço,ao ver as caixas,perguntou se eram abelhas...falei que sim,eram abelhas nativas,sem ferrão,mesmo assim ele me disse que elas são bem perigosas,que eu estava era doido,criando aquilo...e ficou com uma cara de medo,enquanto realizava o seu serviço;eu lhe expliquei claramente,que se tratavam de abelhas inofensivas,aproveitei para esclarecer algumas dúvidas que ele tinha ,à respeito do assunto e aos poucos ele entendeu que as jandaíras não faziam mal algum,pelo contrário são altamente importantes para a natureza,tão ameaçada.

Claro,que aquele rapaz,só conhecia a ápis,e por isso acha que todas as abelhas são iguais,ou seja acha que todas tem ferrão,por isso aquela cara de medo e espanto,afinal a maioria dos acidentes com as africanizadas,acontecem nas cidades.

É bem difícil,entender,porque a criação racional de abelhas nativas(abelhas sem ferrão ou indígenas) não é divulgada,apoiada e incentivada em nosso país.

Todos sabem,da importância ecológica,e econômica que essa atividade tem,e poderá ter, se houver apoio para novos criadores.

Sabemos que existem muitas pesquisas,nas universidades,embrapa,emater,etc. Mas essas pesquisas(na grande maioria) não chegam aos criadores,que têm necessidade de novas técnicas de manejo racional.O próprio IBAMA,ao invés de facilitar a regularização do setor,dificulta muito a vida de quem quer fazer dessa atividade um negóci(no meu caso eu só crio por paixão,pois não disponho de muitas colônias,para comercializar,mesmo achando que pode ser um bom negócio,vender abelhas,mel,pólen...)

Também acho que os próprios meliponicultores,podem,e devem ajudar nessa tarefa de divulgar a nossa atividade,pois só teremos a ganhar com a profissionalização do setor.

No meu caso particular,estou tentando encontrar novos criadores, aqui em João Pessoa,mas só encontrei pouquíssimos,embora saiba que existem mais.

Existe uma amiga minha,que quer divulgar a meliponicultura em nosso estado(Paraíba),e está montando um meliponário na cidade de Campina Grande,claro que eu vou participar desse projeto,pois sou apaixonado pelas abelhas nativas e não ficaria de fora,por nada eu vou à Campina,na próxima semana e pretendo ir conhecer o local ,onde já está sendo montado o meliponário.

Essa amiga é zootecnista ,e é apaixonada pelas abelhas nativas,com certeza ela fará um ótimo trabalho.

Em breve espero ter boas notícias à respeito desse maravilhoso projeto,que visa divulgar e incentivar a meliponicultura na Paraíba,e no nordeste.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

sábado, 14 de agosto de 2010

Abelhas nativas,e as cidades.

No último domingo,dia 8 de agosto,eu trouxe duas jandaíras do cariri,pra João Pessoa...

Essas duas caixas,foram divisões que eu fiz e que aproveitei para trazê-las pra cá,afim de acompanhar melhor seu desenvolvimento.

Como eu já havia trazido duas jandaíras e uma cupira,hoje meu meliponário urbano conta com cinco caixas...



Lendo relatos, do amigo Kalhil(do meliponário do sertão),...um dos maiores problemas para se criar abelhas nativas nas cidades,é sem dúvidas o “fumacê”(carro que passa soprando veneno,para tentar matar o mosquito da dengue,mas na realidade,mata todos os insetos que encontra pelo caminho)...E esse ano,infelizmente,esse carro está passando rotineiramente por aqui,...o que tem me deixado bastante apreensivo...

Algumas vezes,o “fumaçê” passa à noite,...menos mal,pois as abelhas estão dentro das caixas,e podem se proteger...mas,já houve dias que “ele”passou à tarde,enquanto as campeiras estavam em plena atividade...e isso é um desastre,sem igual...,pois com certeza,a colônia perde um bom número de campeiras,...que são as que alimentam toda a colônia...

Por enquanto,eu ainda estou conseguindo administrar as perdas,... mas não sei se isso vai piorar,só com o acompanhamento é que saberei...

Eu estou alimentando as abelhas,e fornecendo cera,para facilitar a vida delas...,pelo menos, até que elas estejam completamente adaptadas ao litoral paraibano...

Mesmo com o inconveniente do “veneno”,eu pretendo trazer mais algumas caixas para cá,pois aqui posso acompanhar tudo,bem de perto...e com certeza aprender sobre as abelhas nativas...,coisa que só se consegue,acompanhando o desenvolvimento diário delas...,e lá no cariri fica difícil,devido à distância...

Pra minha surpresa,a cupira(partamona seridoensis)está indo muito bem por aqui...,apesar de ser nativa do semiárido nordestino,está conseguindo se adaptar por estas bandas...



Em breve trarei as moças brancas,e acho que elas se darão bem,pois são bem fortes...

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB

terça-feira, 27 de julho de 2010

Imagens do "meu cariri paraibano".


Ao criar esse blog,em 2009,eu queria apenas relatar experiências com as minhas abelhas nativas e trocar experiências com outros apaixonados pelo assunto,mas com o passar desses meses,sei que ele é uma ótima ferramenta para facilitar a nossa vida,e fazer algumas amizades.


Como todos sabem,a internet é um ótimo meio de comunicação,e sempre converso com pessoas dos diversos locais do Brasil e até do mundo,sempre sobre meu assunto preferido(abelhas nativas).

Faz algum tempo,que eu encontrei um blog muito interessante,o Monte do mel http://montedomel.blogspot.com/e mantive os primeiros contatos com o seu proprietário,o Joaquim Pífano.

O Joaquim é de Portugal,é técnico em apicultura,mas apesar de estar bem distante das nossas abelhas nativas,ele se mostra um apaixonado por elas,e pelas nossas paisagens tropicais,sempre que ele visita meu modesto blog,faz algum comentário a respeito das belas paisagens do meu semiárido nordestino,pois são bem diferentes das do seu país.

Aproveitando esse seu interesse, em ver nossas paisagens,eu resolvi fazer essa postagem em sua homenagem,e em agradecimento à força que ele sempre deu a mim e ao meu blog;inclusive fazendo de um comentário meu,uma postagem em seu blog,aproveito também para dedicar a outros grandes amigos,por exemplo José Halley Winckler,da associação dos meliponicultores do Rio de Janeiro(AME-Rio)http://ame-rio.blogspot.com/,que sempre me deu força para continuar com meu trabalho,aos meus amigos que seguem o blog,enfim à todos.

As fotos não são boas,pois minha câmera é simples e eu não entendo nada de fotografias.

Espero que gostem,pois são paisagens do “meu cariri paraibano”,que para mim é o paraíso.

Esse é o berço da jandaíra(melípona subnitida),da cupira(partamona seridoensis),da manduri/rajada(melipona asilvai)e de tantas outras espécies de abelhas nativas.


Esse é o leito de um pequeno rio(riacho),coberto de pedras,que com a passagem da água,faz muito barulho.


Formação rochosa(lajedo)no meio da caatinga,foi feita uma pequena parede de contenção,para armazenar a água da chuva.


No meio da caatinga,muitas pedras e algumas plantas típicas:xique-xique,macambira,urtiga,marmeleiro.





Leito de um riacho,pode-se ver algumas plantas nativas:craibeiras,catingeira,ao fundo pode-se ver uma barragem de pedra e cimento.



Um pé de jucá.


Época de chuva,no cariri a natureza se transforma,é só alegria.


Leito seco,do riacho.


Algumas construções comuns,no cariri:curral,cocheira e armazém,sítio da família.


Palma forrageira,alguns pés de algaroba e ao fundo a caatinga.


Plantio de palma,e muitas flores nativas,que fazem a alegria das abelhas.


A esquerda,um pereiro,no centro uma jurema preta e a caatinga maravilhosa.


Reservatório de água(açude),e um cata-vento,usado para captar água do subterrâneo.


No meio da caatinga,o "caroá",essa planta que é parente da macambira,foi muito importante para a região,pois era usada para fabricar cordas,e os caririzeiros vendiam suas folhas,para conseguirem alguma renda.


Essas são algumas imagens do cariri paraibano,um lugar de homens fortes e trabalhadores,que apesar das adversidades, continuam na luta e com esperanças de dias melhores.


Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponaário Braz.
João Pessoa,PB.

sábado, 24 de julho de 2010

Forídeos,a pior praga da meliponicultura.


Em muitas das minhas postagens,eu falei das dificuldades de morar longe do meu meliponário,e hoje estou escrevendo essa postagem,justamente para contar um acontecimento que me deixou muito chateado.

No último sábado,(aproveitando uma carona de um primo )eu fui ao cariri Paraibano,onde localiza-se meu meliponário.



Chegamos lá,quase à noite,mesmo assim fui dar uma olhada rápida nas abelhas nativas...e,uma caixa de jandaíras me chamou atenção,pois eu não vi nenhum movimento,nem vigia...e já imaginei que algo de ruim estava para acontecer,ou já teria acontecido.

Rapidamente,peguei a escada e tirei a caixa(ao pegar a caixa eu já disse para meu irmão,que ela tinha perecido,pois estava muito leve),ao abrir eu pude ver uma destruição,que nunca tinha presenciado,pois essa foi a primeira caixa que eu perdi,para os malditos forídeos.

Essa caixa foi invadida pela maior praga da meliponicultura,(na minha opinião)os forídeos,que destruíram completamente os discos de cria e os potes de alimento...,não sobrou nada,tudo foi reduzido a pó.



Houve um problema com essa caixa,ela foi virada e teve um derramamento de mel,o que atraiu os forídeos,e como eu não estava por perto,para organizar as coisas e salvar essa colônia(que era bem forte),ela pereceu.



Ao ver aquela destruição, eu tive um misto de raiva e tristeza,pois pra quem ama as abelhas,do jeito que eu amo,é muito difícil ver uma cena como essa,e não ficar desanimado.



Aproveitei e revisei as outra caixas,mas estava tudo em ordem.

Eu trouxe uma jandaíra, e uma cupira (que estava em Campina Grande)para João Pessoa,pois essa jandaíra estava um pouco fraca e eu preferi tê-la por perto,para poder reforça-la e acompanhar seu desenvolvimento.


Apesar do pouco tempo,a cupira(partamona seridoensis) parece está se adaptando bem ao litoral,pois estão com um bom movimento, e estão chegando carregadas de pólen.



Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

sábado, 17 de julho de 2010

A abelha cupira.



Mais uma vez,eu vou falar de uma abelha nativa(abelha sem ferrão,ou abelha indígena) do semiárido nordestino,que eu tenho um amor especial,trata-se da abelha cupira(partamona seridoensis).

Durante o mês de junho,eu fiz uma transferência de uma cupira do cupinzeiro,para uma caixa racional.
                                             Em destaque uma realeira da abelha cupira.


O cupinzeiro onde estava essa colônia,estava em um tronco de pereiro,quase encostado ao chão.

Como já é de costume,para fazer essa transferência,eu contei com a ajuda de um dos meus irmãos,que está ficando fera nessas transferências.

Logo cedo,nós começamos os trabalhos,e para facilitar,levamos o cupinzeiro para uma distância de uns dez metros(pois esse era um local mais limpo,sem muito mato)o que facilitaria o nosso trabalho,inclusive na coleta de abelhas ,com o sugador.

Após abrirmos o cupinzeiro,eu retirei as crias com cuidado,e coloquei na caixa,deixando a tampa entre-aberta,para facilitar que algumas abelhas, já fossem entrando na nova morada... À essa altura,as abelhas já estavam nos mordendo pra valer,mais já estamos acostumados e não perdemos tempo...eu consegui retirar uma parte dos potes de alimento,sem danificá-los e também coloquei na caixa,os outros potes que se romperam,foram pra casa.

Tivemos muito trabalho para encontrar a rainha,pois com a abertura do cupinzeiro,ela se escondeu e quase ficou sem ir pra nova caixa,pois pensamos que ela estivesse dentro do envólucro,junto com as crias,e se não tivéssemos procurado minunciosamente,teríamos a deixado nos pedaços do cupinzeiro...,também tivemos um trabalhão,para sugar as abelhas novas(que são bem clarinhas),e são muitas,...quase ficamos sem fôlego,de tanto sugar abelhas...mas valeu todo o esforço,pois essa é uma bela colônia.




Terminada a transferência,colocamos a caixa no local onde estava o cupinzeiro,que a essa altura já estava tomado pelas abelhas adultas,que estavam trabalhando...,e também as que voaram no momento da abertura do cupinzeiro.

Durante o dia ,eu fiquei observando o movimento das abelhas ,que rapidamente,trataram de vedar todas as frestas da caixa,(pois mesmo usando fita,entra claridade,e elas não gostam)e,também retiravam a cera que eu coloquei na entrada,para sinalizar a nova moradia.

Quase que eu perdi essa colônia,pois,por está quase no chão,as pequenas formigas pretas(que são altamente mordedeiras)estavam entrando na caixa,por por pequenas imperfeições que existiam em seu fundo.

Ainda bem que eu vi,durante o dia,pois se eu tivesse deixado a caixa passar a noite lá,possivelmente teria perdido,todas as abelhas.


Eu peguei a caixa e trouxe para casa,e fiquei durante um bom tempo matando as formigas,passando a mão na caixa e esmagando-as...até não ver mais nenhuma formiga,só então abri a caixa para ver como as coisas estavam por lá,e por incrível que pareça...as abelhas estavam bem,apesar de estarem agitadas...resolvi não mexer mais,e coloquei a caixa pendurada na parede da casa,protegida pelas telhas...,no outro dia bem cedo,eu já pude ver um bom movimento de abelhas voando ao redor da caixa.

Ao voltar ao local onde estava o cupinzeiro,eu vi uma boa quantidade de campeiras lá,pousadas no galho de pereiro e algumas voando...,aproveitei e peguei uma colônia que estava um pouco fraca, e levei ao local para pegar essa campeiras...,(e isso aconteceu sem problemas)ao colocar essa caixa na mesma posição,em que estava o cupinzeiro,as abelhas foram entrando aos poucos, até não restar mais nenhuma abelha no galho do pereiro,nem voando ao redor.Nesse momento,eu levei a caixa de volta ao seu lugar de origem.

Passei o dia, observando o trabalho das abelhas que estavam em casa,e percebi que elas estavam bem,...uma coisa que me chamou atenção ,foi ver que ela estavam roendo a fita que eu tinha colocado,para ajudar na vedação da caixa...elas roeram uma boa parte dela.

Outra coisa bem interessante,foi ver que elas estavam saindo por dois locais,isto é,ela conseguiram abrir outra entrada(aproveitando uma fenda que a tábua tinha,e foi fechada com cera e fita)...e durante os dias que eu estava por lá,elas continuavam utilizando as duas entradas,...claro que a entrada principal,tinha mais movimento,mas elas continuavam entrando e saindo também,pela entrada pequena,aberta por elas.



Essa caixa está em Campina Grande,mas em breve estará aqui em João Pessoa,pois pretendo ir buscá-la logo.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Meliponário urbano II.

Eu trouxe uma jandaíra,do cariri pra João Pessoa,no dia 04 de julho,e, para evitar perturbar ainda mais elas,resolvi só fazer uma revisão hoje...

É claro que, todos os dias eu estou observando o movimento das campeiras,que ,para minha alegria estão chegando carregadas de pólen...esse é um ótimo sinal que elas estão se adaptando bem à nossa cidade...

Uma das minhas dúvidas,com relação à adaptação delas por aqui,era justamente a mudança nas espécies de árvores,...que são bem diferentes das encontradas no semiárido...,mas elas são muito valentes e fortes(como os sertanejos)e conseguiram descobrir novas plantas,para retirarem o seu tão precioso pólen...

Para minha sorte,por aqui existem muitas fruteiras,e como todos sabem,as abelhas gostam muito do pólen dessas plantas:mangueira,cajueiro,acerola,coqueiro,jambo,mamoeiro e goiabeira,são exemplos de fruteiras que existem aqui,por perto da minha casa,... além de outras tantas
árvores que eu nem sei o nome,mas que possivelmente as abelhas também visitam suas flores...



Quando eu coloquei a caixa no local definitivo,ofereci xarope,para dar um reforço na alimentação,até que elas se adaptassem...,o que não demorou muito,pois,no segundo dia eu já vi as campeiras voltarem carregadas...

É bem interessante,ver as abelhas saindo para o seu trabalho diário,...elas saem em várias direções,e sempre conseguem alimento...



Ao abrir a caixa,hoje,elas saíram e ficaram voando ao meu redor,mas não me morderam(e olha que elas sempre me dão pelo menos uma mordidinha),...eu vi que estava tudo em ordem,(apesar de ser uma colônia em desenvolvimento)e não demorei a fechar a caixa e colocá-la de volta ao seu lugar de origem...



Essa caixa está na casa de minha irmã,pois eu moro em um 1º andar e preferi,deixar elas se acostumarem um pouco mais com a cidade,para trazer pra minha casa...,que é perto de onde elas estão …

Quando eu organizar o meu tempo,vou pra Campina Grande,buscar a cupira e a moça branca,que eu deixei lá...,talvez,com essas eu tenha um pouco mais de trabalho...,principalmente com a cupira...

Em minha próxima viagem ao cariri,eu trarei mais uma jandaíra,pois já sei que elas se adaptam bem por aqui...

Posso dizer que já tenho um meliponário urbano(ainda que seja só com uma jandaíra...rs,rs,),mas pra tudo tem o primeiro passo,e em breve darei outros passos...,até trazer algumas das minhas abelhas pra cá...

Esse contato diário,(ainda que pequeno,devido ao tempo)só tem aumentado a minha paixão pelas abelhas nativas,e com certeza vai me fazer aprender um pouco mais sobre elas...

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

São João no cariri Paraibano.

Como disse,na última postagem,passei o período junino lá,no “meu cariri".

Graças a Deus,as chuvas apareceram por lá,embora um pouco fora de tempo,mas não podemos reclamar,pois chuva é sempre bem vinda por aquelas bandas...

Com as chuvas,as matas se reverdeceram,e a caatinga está linda,nem parece aquele mesmo lugar dos períodos de seca.



Quase não conseguimos acender a fogueira de são joão,(tradicional,por aquelas bandas)foi preciso usarmos querosene,pois a lenha de algaroba que eu e meus irmãos tiramos, estava bem molhada e a chuva estava sempre por perto.
Mas é essa chuva que deixa o caririzeiro feliz e que faz a alegria dos animais e plantas da região.




As minhas abelhas estão bem. E eu,como faço sempre que estou por lá,fiquei observando o movimento delas,no meliponário e nas plantas floridas,para ver as preferências e o belo trabalho de coleta de pólen.

Eu aproveitei para fazer algo,que eu já pensava em fazer à algum tempo:um espécie de senso,das imburanas e imbuzeiros ,ocupados pelas africanizadas.

Para essa missão,eu contei com à ajuda de um dos meus irmãos,que está cada vez mais apaixonado pela meliponicultura,embora essa paixão só tenha aparecido, após ele ter me ajudado em algumas transferências.

Nós saímos de casa cedo,e escolhemos uma área do sítio, que sabemos ter bastante árvores dessas espécies.
Olhamos umas cinquenta árvores,e para minha alegria,só encontramos três africanizadas.

Uma coisa que me chamou atenção,foi o fato da maioria das imburanas e imbuzeiros vistos por nós,terem cicatrizes,causadas pelas retiradas do mel de ápis...,essas cicatrizes são bem profundas e muitas vezes,a árvore não resiste e cai devido ao vento e a fragilidade que o seu tronco apresenta,após os cortes.



É por isso,que eu dou tanta importância ao plantio dessas árvores,para tentar minimizar o impacto sofrido por nossa caatinga,ao longo do tempo.

Quando eu estiver por lá,vou continuar esse trabalho,para ter uma ideia da quantidade de colônias de ápis e de abelhas nativas em nosso sítio,é claro que esses dados não são tão rígidos,pois as abelhas podem enxamear,e isso pode trazer algumas diferenças nos números mesmo assim,dar pra ter uma ideia.

Outro dado animador,é que encontramos algumas moças brancas,jandaíras e cupiras,(as cupiras em cupinzeiros)o que mostra que as nativas estão conseguindo se manter nessa região,apesar das adversidades,dos desmatamentos,das queimadas,da invasão das ápis e da destruição causada pelos meleiros.

Claro,que eu pretendia trazer algumas caixas para João Pessoa,e fiz...
Eu deixei em Campina Grande,na casa de uma tia,uma cupira e uma moça branca,para que elas se adaptem as mudanças de temperatura,clima e tipo de flores,só depois de alguns dias irei trazê-las pra cá.

Aproveitei e trouxe uma jandaíra,ela já está aqui em João Pessoa,e parece está se adaptando bem,apesar de estar chovendo muito por aqui,elas estão trabalhando bem,mesmo assim,vou alimentá-la e acompanhar seu desenvolvimento e adaptação...


Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.