quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Poesia sobre meliponicultura no nordeste brasileiro.

O amigo Joaquim Pífano, apicultor de Portugal, em visita ao meu blog me propôs um desafio: fazer uma poesia falando da meliponicultura no Nordeste Brasileiro. Mesmo sem ser poeta, aceitei o desafio e aqui está o resultado!

A Meliponicultura no Nordeste Brasileiro
Autor:Paulo Romero.

Meu amigo Joaquim, de Portugal
Apicultor experiente e respeitado
Me fez um desafio sem igual
Falar da Meliponicultura em meu estado

As abelhas nativas do nordeste
São fortes e se adaptam muito bem
E o homem por ser cabra da peste
Sabe dar o valor que ela tem

Manduri, Canudo e Jandaíra
Hoje é mais difícil de encontrar
Jataí, Mosquito e a Cupira
Só encontro muito Arapuá

No nordeste a criação racional
De abelhas nativas tá crescendo
Pois o homem já viu o potencial
Precisa preservar e está fazendo

Lá do mato a abelha vem num toco
Pra poder ser transferido para a caixa
Mesmo o mel produzido ali é pouco
De meio litro a um litro, é nessa faixa

Pra transferir as abelhas para a caixa
Você tem que ter muito cuidado
Pois os discos de cria que se encaixa
Não devem ser por você machucado

Uma vez a transferência já completa
Faça um reforço alimentar
Pois o sucesso é sua meta
E é isso que você vai alcançar

Quando a colônia estiver bastante forte
É a hora de fazer a divisão
E se você tiver cuidado e sorte
Só irá aumentar a criação

Pra retirar o mel tenha cuidado
Uma seringa é bom você usar
Higiene sempre é recomendado
Pra que o mel não venha a fermentar

Esse alimento é fonte de energia
Conhecido por ser medicinal
É por isso que todo mundo deveria
Consumir esse néctar natural

Amigo, preserve a natureza
Não destrua o seu meio-ambiente
Pois isso é sua maior riqueza
Aprenda a preservar daqui pra frente

Aveloz, marmeleiro e catingueira
Fazem parte da paisagem do sertão
Umburana, umbuzeiro e quixabeira
O pereiro, juazeiro e o pinhão

A meliponicultura tem ajudado
Na preservação ambiental
Pois o meliponicultor tem evitado
De cortar a mata natural

Criem abelhas, faz bem pra todos nós
É o que eu sempre vou dizer
Mesmo que eu seja uma só voz
É isso que eu sempre irei fazer

Me desculpe se a rima não prestou
Mas foi feita com muita dedicação
Atendendo a um pedido hoje estou
Dando uma de poeta do Sertão

Meu amigo Joaquim, aquele abraço
Muita sorte na sua criação
Por aqui vou seguindo passo-a-passo
Esse ofício que escolhi por profissão

Um abraço.

Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

TRANSFERÊNCIA DE ABELHAS DO TRONCO PARA AS CAIXAS RACIONAIS




O primeiro passo:localize a colónia na natureza.Após localizá-las ,você deve agir com muito cuidado e sem pressa.

Para transferir a colónia para o meliponário,o melhor horário é depois das 17:30hrs.pois as abelhas campeiras já estarão se recolhendo.

TRANSFERINDO A COLÓNIA PARA O MELIPONÁRIO

Eu,particularmente,costumo ir ao local com antecedência,levar um serrote e serrar o galho,após serrá-lo,eu o deixo no mesmo lugar amarrado com um arame.Eu faço isso para diminuir o estresse das abelhas;com o corte e transporte na mesma hora.

No dia escolhido para trazer o galho para o meliponário,após checar se as abelhas estão recolhidas,você deve fechar a entrada da colónia com um bolinho de papel ou folhinha de árvore,para que não saiam abelhas.

De preferência,traga o galho no ombro,para evitar os solavancos característicos do carrinho de mão.Esses solavancos podem romper os potes de mel,de polén,danificar os discos de crias,o que pode ser fatal para toda a colônia.

Ao chegar ao meliponário com o galho,pendure-o no local onde vai ficar a caixa racionalcom a nova colónia e tire o papelzinho da boca de entrada.

Eu costumo deixar a colónia natural nesse local por,pelo menos um mês antes de fazer a transferência para as caixas racionais.Isso faz com que as abelhas se acostumem com o novo ambiente que irão viver.

A PREPARAÇÃO DAS CAIXAS RACIONAIS

Dependendo do tipo de abelha nativa que você for criar,compre ou construa a caixa racional recomendada para essa espécie.
Antes de começar a transferência das abelhas para a caixa escolhida,passe um pouco de cera de abelha na parte interna da caixa(você também pode passar folhas de "capim santo"/capim cidreira),também passe um pouco de cera na entrada da caixa para que as abelhas identifiquem ,e se acostumem com a nova moradia.

MATERIAIS UTILIZADOS PARA AUXILIAR NA TRANSFERÊNCIA

-Machado,
-Serrote ou serra circular,
-Faca de mesa,
-Martelo,
-Cunhas de madeira ou ferro,
-Sugador de abelha,
-Colher,
-Fita crepe,
-Vasilhame para colocar o mel dos potes que se romperem,
-Caixa racional.

COMO ABRIR O TRONCO

Dependendo do tipo de madeira,o galho se racha facilmente.Usando o machado,o serrote ou a serra circular,começe a abrir o galho com muito cuidado e calma.
Após começar a abrir uma fresta,vá batendo as cunhas ,com cuidado.De preferência vá abrindo dos dois lados ao mesmo tempo,até chegar ao meio.
Quando for levantar as partes do galho,tenha cuidado para não danificar os discos de cria.Após aberto,volte a sua atenção para a rainha e os discos de cria

Vá soltando os discos de cria com muito cuidado,utilizando a faca de mesa,sem danificá-los.Coloque-os na caixa ,na mesma posição em que estavam no galho.

Os discos de cria possuem pilares,que se forem destruídos,devem ser refeitos com cera da própria abelha,para que as abelhas nascentes tenham espaço para se movimentarem entre os discos.

Localize a rainha,que geralmente está próximo aos discos de cria.Com a ajuda de uma colher , uma folha de árvore ou um papel,pegue-a e coloque-a na caixa.

OBS.:Não pegue a rainha com a sua mão, pois,pode deixar cheiro nela e as abelhas poderão rejeitá-la.

Se os potes de alimento estiverem rompidos ,não coloque-os na caixa,pois,o alimento derramado pode atrair formigas,apis,forídeos,etc.

Utilizando o sugador de abelhas,pegue o maior número de abelhas possível,principalmente,as abelhas jovens que ainda não voam e,coloque na caixa.

Use a fita crepe para lacrar a caixa,tapando todas as frestas que tiver ,isso faz as abelhas se sentirem mais protegidas.

Terminada a transferência para a caixa racional,coloque-a no mesmo local onde estava a colónia natural,na mesma altura e com a boca voltada para o mesmo lado,que esta a boca da colónia natural.

ALIMENTANDO A NOVA COLÓNIA

Para ajudar no fortalecimento da nova colónia,você deve fornecer alimento artificial para as abelhas.

Essa alimentação só é fornecida,um dia após a transferência,para que as abelhas possam se organizar melhor,podendo assim defender a colónia de possíveis saques
.
Existem algumas formas de se preparar esse alimento energético,eu vou falar de duas,que eu gosto muito:xarope,é feito com água,capim santo,folhas de laranjeira,açúcar e mel de apis;e pasta candi,que é feita com açúcar e mel de ápis.

Xarope:junte todos os ingredientes em uma vasilha limpa e leva ao fogo,essa mistura deve ser bem fervida,coada e oferecida às abelhas em alimentadores próprios para isso.Existem meliponicultores que utilizam alimentadores de pássaros,copinhos,algodão molhado com essa solução,etc.

Eu gosto de alimentadores externos,pois,posso acompanhar a forma como as abelhas utilizam o alimento,e não preciso ficar abrindo a caixa direto.

Pasta candi:Essa pasta é feita usando-se duas partes de açúcar de confeiteiro e uma parte de mel de apis.Leve ao fogo para homogeneizar e,após esfriar,deve ser servido às abelhas.

As abelhas nativas também precisam de alimentação protéica,e isso pode ser resolvido,oferecendo pólen de ápis,misturado com mel,formando uma "massa"e "mergulhando na cera de Apis derretida",formando bolas e servindo às abelhas.

Um abraço.

Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

sábado, 31 de outubro de 2009

Abelhas nativas,brasileiras.





(Foto tirada por Paulo Romero,em destaque um galho de umburana com um colônia de jandaira)

Segundo algumas literaturas,existem mais de 400 espécies de abelhas nativas no mundo;dessas,mais de 300 espécies estão no Brasil. Quase a metade delas estão em risco de extinção,devido,principalmente,a destruição das matas nativas.

As abelhas nativas,dividem-se,basicamente em dois grupos: As melíponas e as trigonas...Além das abelhas solitárias e semissociais...

Entre as melíponas,podemos destacar: jandaira(melipona subnitida),mandaçaia (melipona quadrifasciata),uruçú(melipona scutelaris),manduri(melipona marginata)entre outras.

Entre as trigonas,podemos destacar:moça-branca(frieseomelita varia),jataí(tetragonista angustula),mosquito(plebeia ou friesela),iraí(nannotrigona testacocieformes),entre outras.

ALGUMAS DIFERENÇAS ENTRE MELIPONAS E TRIGONAS:

MELIPONAS:
-São abelhas maiores;
-fazem a boca de entrada da colônia com geoprópolis;
-fazem estrias,na entrada da colônia;
-tem sempre um vigia na entrada da colônia.

TRIGONAS:
-são abelhas menores;
-a entrada da colônia tem cera ,ou nada;
-possuem as patas traseiras maiores;
-tem sempre vários vigias,na entrada da colônia.

SUBSTITUIÇÃO DE RAINHAS

As melíponas substituem as rainhas com facilidade.Das abelhas da colônia,que nascerão, de 10 a 25% são rainhas virgens (princesas),que podem substituir a rainha ativa,caso a mesma morra,ou esteja velha.

As trigonas são diferentes;o que vai determinar a sua função na colônia é a alimentação fornecida à determina fêmea em uma célula especial,com maior espaço para o acúmulo dessa alimentação(realeira)


As trigonas têm um processo de substituição da rainha,bem complicado.
Em determinadas épocas do ano,quando existe florada em abundância,a colônia sempre vai ter realeiras (células maiores,que darão origem a a uma rainha).Já,quando as floradas não existem,ou estão escassas(época da seca),essas realeiras também serão raras.Se nessa época,por algum motivo a rainha morrer,a colônia vai fracassar.

Os meliponicultores devem sempre fazer trocas de enxames,para evitarem a consanguinidade das abelhas(cruzamento de indivíduos de uma mesma família).
Outra coisa que pode ser feita para evitar a consanguinidade das abelhas,é quando for fazer a divisão das colônias;pegar discos de cria de duas colônias diferentes e abelhas de outra colônia,ou seja,para se obter uma nova colônia,usa-se material de três colônias.

Entre as melíponas,existem algumas espécies que são genuinamente nordestinas:a jandaira,a uruçú nordestina ,a mandaçaia da caatinga,a manduri/rajada..Essas abelhas conseguiram se adaptar ao clima semi-árido,onde as chuvas são poucas e mal distribuídas,com temperaturas altas durante o dia e frio durante a noite.
Essas espécies são de fácil adaptação ao criatório racional,sendo as mais criadas na região nordeste.


Se você deseja começar a criar abelhas nativas,o primeiro passo é estudar sobre o assunto(se você ainda não dominar as técnicas de criação racional),visitar um meliponicultor experiente,para lhe passar algumas dicas;construir ou comprar as caixas,conseguir as colônias na natureza,através de "iscas"ou adquirir de  um meliponicultor.

CAIXAS ISCAS


Uma forma simples e funcional de se conseguir enxames é usando caixas iscas.Essas caixas são simples de construir,funcionam muito bem e você não precisa cortar árvores para conseguir sua abelhas.

As caixas iscas podem ser de madeira,isopor,garrafa pet;e o que sua imaginação mandar.
No caso das garrafas pets,essas devem estar bem limpas,você deve passar uma solução de cerume ou própolis, com álcool de cereais,no interior da garrafa ,para atrair as abelhas;também enrole uma lona preta ou papel alumínio,para escurecer a garrafa.Faça um furo na tampa,e coloque perto de alguma colônia natural.Fique sempre observando a isca,se você perceber que as abelhas estão entrando na caixa isca,espere alguns meses para que elas construam os discos de cria,potes de alimento,enfim,formem uma nova colônia com condições de ser transferida para a caixa racional.



Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.


terça-feira, 6 de outubro de 2009

As abelhas e as plantas da caatinga.


(Foto tirada por Paulo Romero,em outubro de 2009,em São João do cariri,PB.)

Em destaque uma umburana.

As plantas da caatinga,teem uma importância muito grande para a sobrevivência das espécies animais.Isso é fato,como eu já falei antes,as abelhas dependem das plantas para sua sobrevivência e principalmente, as plantas precisam das abelhas e de outros insetos para a polinização de suas flores.

Se o homem continuar a destruir a "caatinga",as espécies de abelhas,principalmente as nativas(por serem mais frágeis)vão desaparecer,e isso já pode ser observado em diversos estados nordestinos e com muitas espécies de abelhas nativas.

Na foto acima,uma umburana com uma cicatriz em seu tronco, feita por meleiros,para tirar mel;coisa muito comum na região nordeste do Brasil,infelizmente.

As abelhas nativas são responsáveis por cerca de 85% das polinizações nas matas brasileiras.Existem pesquisas que provam que,sem as abelhas a produção agrícola seria muito afetada em termos de produtividade;em alguns estados do Brasil,já existe o "consórcio"abelha/agricultura onde todos saem ganhando: ganha o produtor de mel,que com as flores em abundância tem sua produção aumentada e ganha o agricultor que com um grande número de abelhas para polinizarem as suas plantas,garantem um aumento na sua produção agrícola.

Aqui no nordeste mesmo,existem consórcios entre produtores de girassol,manga,acerola,etc,com apicultores/meliponicultores.

Uma colónia de abelha nativa(asf )chega a ter ,em média 5.000(cinco mil )indivíduos;a arapuá é uma exceção(chega á 30.000 indivíduos),já a apis mellífera (africanizada),pode facilmente chegar à 60,70 mil abelhas por colmeia.Com essa diferença na quantidade de abelha por colónia,é claro que a produção de mel também é proporcional à quantidade de abelhas.
Em média as abelhas nativas,produzem de 1 à 2 litros de mel por ano,podendo variar,dependendo das floradas.


OBS.:asf =abelha sem ferrão/(abelhas indígenas)




Em minha região(São joão do cariri,PB)as árvores mais utilizadas pelas abelhas para a construção de ninhos,são a umburana(foto acima),o umbuzeiro,a catingueira e a craibeira.Principalmente no caso da umburana,por ser sem dúvida o local mais procurado pelas abelhas para a construção de seus ninhos ,muitas vezes a árvore é derrubada para facilitar o acesso ao mel.



Se as pessoas parassem com essa prática devastadora e,ao invés de destruir o meio ambiente começassem a plantar árvores nativas do semiárido, diminuiria o processo de desertificação,fazendo com que a nossa caatinga,tivesse uma chance real de se recuperar.

Já as plentas mais visitadas pelas abelhas nativas,para coletarem pólen e néctar ,são:malva,jurema,maniçoba,marmeleiro,catingeira,anjico,muçambê,mata pasto,amarra cachorro,mufumbo e jitirana.

MEU PEQUENO GESTO

Eu mesmo tenho plantado alguns pés de umburana,por ser a árvore que mais sofre com a retirada do mel,pelos meleiros.É muito fácil plantar essa árvore,basta cortar um galho,cavar um buraco e colocá-lo dentro,como se fosse uma "estaca" de cerca,e pronto dentro de algum tempo ela irá começar a crescer os primeiros galhos.





Com o umbuzeiro,também podemos fazer mudas à partir de galhos,mas é um pouco mais complicado,pois na cova tem que ser colocada areia para facilitar o enraizamento e nem sempre as mudas brotam,algumas,simplesmente secam.Já as mudas feitas à partir das sementes,demoram muito para crescer e a grande maioria os animais comem;o que não acontece com as mudas feitas com galhos ,pois são altos e os animais não alcançam.

A catingueira e a caibeira teem sementes que brotam facilmente,simplesmente pega-se as sementes secas e coloca em um saquinho com areia e estrume,molhar três vezes por semana,que em poucos dias já teremos as mudas.Quando as mudinhas estiverem com 30 centímetros,devem ser plantadas no local definitivo,as catingueiras se adaptam bem em qualquer terreno,já as caibeiras,devem ser plantadas em terrenos mais baixos,perto de riachos para que tenham um bom crescimento.

É claro que a época de plantar as mudas em seus locais definitivos,deve ser na estação das chuvas.

Esse pequeno gesto, ajuda na preservação dessas espécies tão importantes para as abelhas nativas e para todo ecosssistema da caatinga,e tão ameaçadas pela ganância humana...

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

Flores de jurema



Entre tantas espécies de plantas nativas do semi-árido nordestino,sem dúvidas a jurema é uma das mais conhecidas.Existem algumas espécies de jurema,(jurema preta,jurema de imbira,unha de gato...),todas com as suas particularidades e usos de acordo com as necessidades dos animais e do homem.Por exemplo,a jurema preta,é muito apreciada pelas cabras,que não teem tanto interesse nas outras espécies.Já a jurema de imbira é muito utilizada como moirões de cerca,por ser muito resistente.

Eu não posso deixar de mencionar que, a jurema também é famosa pelos seus espinhos,no caso da unha de gato,o nome já diz tudo,os seus espinhos paressem com as unhas de um gato(daí o nome).Para se andar por onde tem jurema temos que ter muito cuidado,mesmo assim,não é raro rasgar a roupa com os espinhos.Esse é um dos motivos,pelo qual os vaqueiros usam uma vestimenta feita com couro de boi,para se protegerem dos espinhos.

Essa planta,também é muito visitada pelas abelhas,à procura de pólen.Quando ela está com flores é fácil de ver abelhas voando por entre suas flores...

UM ABRAÇO.
PAULO ROMERO.
Meliponário Braz.

sábado, 3 de outubro de 2009

Caixas racionais para abelhas nativas.


Amigos.

Uma boa alternativa,para conseguir as suas caixas racionais,é você mesmo constri-las.

Para isso vocês devem ter alguns cuidados indispensáveis:escolha bem o tipo de madeira,de preferência que não tenha cheiro forte,pois isso não vai agradar as abelhas,elas se comunicam ,no interior da caixa usando o feromônio(Odor característico)e o cheiro forte da madeira vai deixa-las confusas e/ou irritadas.

Escolha uma madeira que não seja susceptível ao ataque de cupins e que esteja bem seca.

Uma boa opção de madeira,é o louro canela,pois essa é uma madeira de ótima qualidade,garantindo uma vida útil bem longa,para as suas caixas racionais.

A caixa deve ser pintada por fora para,prolongar a sua vida útil
.Outra coisa importante:se você não possuir os equipamentos básicos para trabalhar com madeira;mande alguém que trabalhe com madeira,serrar as tábuas para que fiquem todas bem aplainadas,sem desigualdades e no "esquadro",pois na hora da montagem não vão existir brechas, fazendo  as abelhas se sintam seguras.
Algumas vezes,você se vê obrigado a construir as suas próprias caixas ,pois ,o mercado local não lhe oferece opções de modelos para à sua necessidade.

Lembre-se que cada abelha tem as suas particularidades,portanto ,prestem atenção no melhor modelo para cada tipo de abelha.

As primeiras construções podem parecer complicadas;mas depois de praticar,você vai se aperfeiçoando.

Na internet,existem os mais variados modelos e medidas.As mais utilizadas são as caixas modelo FO/INPA.;que foi aperfeiçoada pelo amigo e estudioso das abelhas nativas,Fernando Oliveira.


Aqui estão alguns exemplos de caixas,para as abelhas nativas.

















OBS.:É recomendado usar tábuas de no mínimo três centímetros de diâmetro,nas regiões frias do país,para garantir um bom conforto térmico,para as abelhas.
Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

sábado, 26 de setembro de 2009

TRANSFERÊNCIA DE ABELHAS NATIVAS,DA MATA PARA O MELIPONÁRIO


(Foto tirada por Paulo Romero;em destaque um cupinzeiro,(com uma cupira),em cima de uma umburana)

PARTE I

O PLANEJAMENTO:Dia 21/06/2008,eu e meu irmão conversamos um pouco sobre a área do sítio que nós iríamos procurar as abelhas.Decidimos por uma área que fica após o riacho,pois é uma área que tem muitas umburanas grossas,e teríamos mais chances de encontrar algumas colónias.

A SAÍDA:Dia 22/06/2008,às 4:30hrs.da manhã nós saímos sem tomar nem café,pois estávamos atrasados,levamos uma foice e água para beber ;nunca se sabe o que vamos encontrar no meio do mato.Andávamos rápido para chegar ao local o mais cedo possível,o que facilitaria ver as abelhas saindo e entrando de suas moradias.

OS PRIMEIROS RESULTADOS:às 5:10hrs.da manhã encontramos a primeira "cupira",em um pé de xique-xique,marcamos o local,andamos mais um pouco e achamos mais uma cupira,dessa vez em um pereiro;após marcarmos o local da segunda cupira ,nos separamos,para cubrírmos uma área maior.

Deu certo logo á frente eu vi uma umburana muito jeitosa para ter alguma abelha,me aproximei e fiquei olhando para cima,procurando alguma abelha,algum oco,até ver algumas abelhas saindo de um oco,olhei bem e consegui ver a boca,era uma "jandaira";chamei meu irmão e lhe mostrei a abelha.
A umburana era muito alta e,como toda umburana,muito lisa;meu irmão ainda quis subir ,mas desistiu resolvemos deixar para outra hora.
Quando estávamos voltando para casa ainda achamos mais uma cupira ,bem perto de casa em um lagedo.

A TRANSFERÊNCIA PARA PERTO DE CASA:No mesmo dia 22/06/2008,saímos de casa de tardezinha,para buscarmos as cupiras ,levamos um carrinho de mão para facilitar o transporte dos cupinzeiros e uma corda para ajudar a puxar o carrinho.
Fomos logo para o pereiro,já estava quase escuro,eu tampei a boca de entrada das abelhas com um bolinho de papel higiénico,com cuidado para não machucar as abelhas,nem quebrar a escultura que elas fazem na entrada.

Meu irmão serrou o galho do pereiro com um serrote para não chocar muito o cupinzeiro,e botamos no carrinho forrado com alguns sacos para ficar macio;seguimos para o xique-xique,eu botei o carrinho em baixo do cupinzeiro e meu irmão cortou o galho com cuidado,ele já foi descendo dentro do carrinho.À essa hora já estava escuro,mas como nós conhecíamos o caminho ,não foi difícil.

Na volta para casa eu ia na frente puxando o carrinho ,pois,os cupinzeiros eram muito grandes e pesados.Ainda passamos no lagedo perto de casa,e levamos mais uma cupira para casa,pois não podíamos perder a chance de ter todas as abelhas dentro do cupinzeiro.

Quando chegamos em casa,pegamos a lanterna e fomos logo botar as abelhas nos seus lugares,onde iriam ficar depois da transferência para a caixa racional.Ao tirarmos a última "cupira" do carrinho,eu levei uma espinhada com o xique-xique,que quase chorava de dor,os espinhos atravessaram meu dedo polegar e a unha .

Em casa ainda com o corpo quente,meu irmão tirou alguns espinhos,os outros eu não aguentei a dor e não deixei ele tirar.(Dias depois eu fui ao médico para ele tirar os espinhos que estavam muito inflamados).Mas isso faz parte do dia-a-dia de quem vive no cariri,a maioria das pessoas esperam os espinhos inflamarem e furam com uma agulha de costura,para tirá-los.Voltando às abelhas ,de manhã eu fui observá-las e vi algum movimento na boca de entrada,vi que estava tudo certo.

Como eu ainda não estava com todas as caixas racionais prontas,deixei para fazer a transferência depois. Acima,vocês podem ver a foto de uma das cupiras,que trouxemos nesse dia.

Valeu o esforço ,pois eram mais três cupiras para minha criação,fora a "jandaira" que ficou no mato.

Só fomos buscar a jandaira,alguns dias depois...

Um abraço.

Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Semiárido nordestino.



Foto tirada por Paulo Romero em junho de 2009,em São João do Cariri,PB.

CENÁRIO TIPICAMENTE DA CAATINGA DURANTE A ESTAÇÃO DAS CHUVAS.

Meliponário Braz.

ABELHAS E PLANTAS



Algumas pessoas me perguntam porque ,ao invés de falar sobre abelhas nativas,em meu blog,eu falo das plantas do cariri?
Com certeza ,eu não posso falar de abelhas nativas,sem falar da flora da minha região.Por um motivo muito simples,as abelhas dependem das plantas para produzirem o seu alimento e moradia e as plantas dependem das abelhas e de outros insetos para fazer a polinização de suas flores.

Por isso à importância de se preservar às matas nativas;que dão moradia e alimento para as abelhas.E em troca as abelhas retribuem fazendo a polinização de suas flores,em uma convivência harmônica ,sem nenhuma das espécies prejudicar a outra;ao contrário elas se ajudam mutuamente.

Quem interfere e prejudica quase sempre as duas espécies é o homem que só pensa em tirar vantagens em tudo o que faz,não se preocupando com os outros nem com o futuro de sua própria espécie.

Na foto acima,você pode ver como ficam as plantas do cariri,durante o período das chuvas.

Nós devemos ter a consciência que dependemos da natureza para continuarmos nossa história na terra.Se cuidarmos bem "dela"ela nos retribui com proteção, ar puro,água limpa,alimentos saudáveis ,etc ,tudo em perfeito equilíbrio homem/natureza.


Uma boa alternativa para se preservar a caatinga,(que está altamente ameaçada,com o desmatamento,as queimadas e a desertificação)é,sem dúvidas a apiculturae a meliponicultura.

Com a criação racional de abelhas,o homem,que vive no semi-árido,não vai precisar sair para as cidades.E,criando abelhas,"ele"ajuda na preservação da mata nativa,pois,as abelhas precisam da mata nativa para produzirem seu alimento.

Um abraço.

Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

As plantas apícolas do semiárido paraibano.

No semiárido nordestino,existe uma grande diversidade de plantas nativas e outras que foram introduzidas pelos pesquisadores.
Um exemplo bem sucedido de plantas que foram introduzidas e que se adaptaram muito bem a região é o caso da algaroba,que é uma ótima produtora de madeira (de ótima qualidade),utilizada para fazer carvão,lenha e,principalmente,a construção de cercas.

A algaroba também produz uma "vagem",que é muito apreciada pelos animais,e fornece energia aos mesmos,além de ter muitos usos na indústria.Para as abelhas nativas ela tem sua importância,pois,na época da seca,(meses de setembro à fevereiro)quando a mata nativa parece morta,ela está com flores à disposição das abelhas.

Flores de marmeleiro.

Outros exemplos são:o nim indiano e a leucena,que estão sendo aos poucos introduzidos em nossa região,com o intuito de melhorar a alimentação dos animais e ajudar a preservar as matas,evitando que se corte um grande número de árvores nativas .
Todas as vezes que alguém precisar de madeira,para as construções do dia-a-dia,utilizará as árvores que foram trazidas de "fora",diminuindo o impacto sobre o meio ambiente.

Flores de catingeira.

Dentre as espécies nativas,do semiárido nordestino,existem algumas que se destacam,pela grande produção de néctar e pólen:marmeleiro,catingeira,malva,maniçoba,muçambê,jurema,anjico,amarra cachorro,mufumbo,maria velha,capa bode,dentre tantas outras.

Flores de jurema.

Algumas espécies de árvores nativas do semiárido,florescem durante o período da seca:o juazeiro,o pereiro,o feijão de boi,a craibeira e o imbuzeiro,são bons exemplos,justamente nesse período quando a maioria das plantas estão "secas";aparentemente sem vida,essas árvores estão verdes e com muitas flores,uma maravilha para as abelhas e,depois quando as flores virarem frutos,servem de alimentos para os animais.

Flores de malva.

O meliponicultor,também deve cultivar plantas que ajudarão,na manutenção de suas abelhas nativas em períodos do ano,em que as flores não estão disponíveis para as abelhas;algumas plantas de fácil manejo e que são boas fontes de néctar e pólen são:amor agarradinho,ora-pro-nóbis,coroa-de-cristo,ipezinho de jardim,xanana,manjerição,erva cidreira,etc.Todas essas plantas,manteem uma floração,por quase todo o ano e isso é muito importante para a manutenção do meliponáro.

Flores de maria velha.

O meliponicultor pode alimentar as abelhas,na falta de floração,mas essa é apenas uma alternativa;pois se houverem flores a disposição das abelhas elas com certeza vão preferi-las.

Flores de muçambê.


Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz
João Pessoa,PB