sexta-feira, 9 de julho de 2010

São João no cariri Paraibano.

Como disse,na última postagem,passei o período junino lá,no “meu cariri".

Graças a Deus,as chuvas apareceram por lá,embora um pouco fora de tempo,mas não podemos reclamar,pois chuva é sempre bem vinda por aquelas bandas...

Com as chuvas,as matas se reverdeceram,e a caatinga está linda,nem parece aquele mesmo lugar dos períodos de seca.



Quase não conseguimos acender a fogueira de são joão,(tradicional,por aquelas bandas)foi preciso usarmos querosene,pois a lenha de algaroba que eu e meus irmãos tiramos, estava bem molhada e a chuva estava sempre por perto.
Mas é essa chuva que deixa o caririzeiro feliz e que faz a alegria dos animais e plantas da região.




As minhas abelhas estão bem. E eu,como faço sempre que estou por lá,fiquei observando o movimento delas,no meliponário e nas plantas floridas,para ver as preferências e o belo trabalho de coleta de pólen.

Eu aproveitei para fazer algo,que eu já pensava em fazer à algum tempo:um espécie de senso,das imburanas e imbuzeiros ,ocupados pelas africanizadas.

Para essa missão,eu contei com à ajuda de um dos meus irmãos,que está cada vez mais apaixonado pela meliponicultura,embora essa paixão só tenha aparecido, após ele ter me ajudado em algumas transferências.

Nós saímos de casa cedo,e escolhemos uma área do sítio, que sabemos ter bastante árvores dessas espécies.
Olhamos umas cinquenta árvores,e para minha alegria,só encontramos três africanizadas.

Uma coisa que me chamou atenção,foi o fato da maioria das imburanas e imbuzeiros vistos por nós,terem cicatrizes,causadas pelas retiradas do mel de ápis...,essas cicatrizes são bem profundas e muitas vezes,a árvore não resiste e cai devido ao vento e a fragilidade que o seu tronco apresenta,após os cortes.



É por isso,que eu dou tanta importância ao plantio dessas árvores,para tentar minimizar o impacto sofrido por nossa caatinga,ao longo do tempo.

Quando eu estiver por lá,vou continuar esse trabalho,para ter uma ideia da quantidade de colônias de ápis e de abelhas nativas em nosso sítio,é claro que esses dados não são tão rígidos,pois as abelhas podem enxamear,e isso pode trazer algumas diferenças nos números mesmo assim,dar pra ter uma ideia.

Outro dado animador,é que encontramos algumas moças brancas,jandaíras e cupiras,(as cupiras em cupinzeiros)o que mostra que as nativas estão conseguindo se manter nessa região,apesar das adversidades,dos desmatamentos,das queimadas,da invasão das ápis e da destruição causada pelos meleiros.

Claro,que eu pretendia trazer algumas caixas para João Pessoa,e fiz...
Eu deixei em Campina Grande,na casa de uma tia,uma cupira e uma moça branca,para que elas se adaptem as mudanças de temperatura,clima e tipo de flores,só depois de alguns dias irei trazê-las pra cá.

Aproveitei e trouxe uma jandaíra,ela já está aqui em João Pessoa,e parece está se adaptando bem,apesar de estar chovendo muito por aqui,elas estão trabalhando bem,mesmo assim,vou alimentá-la e acompanhar seu desenvolvimento e adaptação...


Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Meliponário urbano.

Eu crio abelhas nativas,à algum tempo,mas por morar distante do cariri(onde está o meu meliponário),eu não acompanho o desenvolvimento das colônias,e isso já me trouxe surpresas desagradáveis...

Por não poder ir sempre ao meliponário,eu já perdi algumas colônias,que poderiam facilmente ter sido salvas,se eu estivesse mas próximos delas...



Por exemplo,após fazer uma transferência,é preciso ficar de olho nos forídeos,que se aproveitam de situações como essa para invadirem a caixa, e se você não estiver atento poderá perdê-la.
Outra atenção especial,precisa ser dada durante os períodos de escassez de alimento,quando deve ser dada uma alimentação complementar,para que a colônia continue forte até a chegada de novas floradas...

Esses motivos,aliados à vontade de aprender mais sobre as abelhas nativas(coisa que só se aprende com dedicação,e observação das abelhas)fez com que eu decidisse trazer algumas caixas,para João Pessoa,cidade onde moro.

Essa transferência de abelhas,vai acontecer já nesse meio de ano,pois,eu vou passar o período junino,lá no meu cariri e ao retornar(no final de junho),pretendo trazer comigo pelo menos duas caixas com as abelhas nativas.

Eu ainda tenho algumas dúvidas de quais espécies trazer,pois sei que a jandaíra e a moça branca se darão bem por aqui,mas no caso da cupira(partamona seridoensis),a coisa é mais complicada,já que não se tem referência delas em outras localidades,que não sejam a nossa caatinga...Mesmo assim,pretendo trazer uma cupira,para poder acompanhar seu desenvolvimento,e aperfeiçoar as técnicas do manejo racional dessa espécie,tão querida,por mim...

Além da cupira,eu pretendo trazer uma jandaíra,mas sei que ela se dará bem por aqui,pois existem pessoas que já criam essa espécie,no litoral nordestino,como em diversas regiões do país.

Minha principal preocupação,em trazer essas abelhas pra cá,é alimentação,já que a maioria das plantas que existem por aqui,são da mata atlântica e de espécies exóticas .

A princípio,eu vou deixar elas em minha casa,e com o acompanhamento de seu desenvolvimento,poderei transferi-las para um outro local,onde existem muitas fruteiras(quase todas as abelhas visitam as flores de árvores frutíferas),além de reforçar a alimentação,até a completa adaptação delas ao novo ambiente...

Se tudo der certo,aos poucos eu pretendo trazer todas as minhas caixas com abelhas nativas,para João Pessoa...Claro que esse processo se dará aos poucos,sem pressa e de acordo com o desenvolvimento,das espécies que já estiverem por aqui...


Boas festas juninas para todos!!

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

sábado, 12 de junho de 2010

Mais um meliponicultor.

-Bom dia,amigo...

-Bom dia,o que manda?
-Eu comprei um terreno,aqui próximo ao de vocês e como sou novo aqui no cariri,gostaria de conhecer os vizinhos,fazer amizade e pedir algumas dicas à respeito de como se obtém renda por aqui,sem devastar a caatinga...
-Você já começou com o pé direito...,pois quer fazer seu sítio produzir,mas não quer destruir a nossa caatinga...,as coisas não são muito fáceis por aqui,mas se você tiver coragem de enfrentar os desafios,verá que essa terra pode ser uma aliada nossa...
-É,desde que conheci essas terras,tenho visto muita destruição,das matas nativas e sei que isso,não é a forma correta de se manejar a terra...
-Muito bem,você quer mexer com quê?
-Rapaz,eu ainda não sei,por isso estou aqui,pra trocar umas ideias,talvez,você me de uma dica...

-Veja bem,se você quer fazer essas terras secas produzirem algo,e ainda preservar as matas nativas que restam,eu sugiro investir na criação de abelhas nativas...
-Certo...,mas me diga uma coisa,isso traz retorno financeiro?
-Com certeza...a criação de abelhas nativas,já é praticada em várias partes do país,principalmente aqui no nordeste...e existem muitos casos de sucesso...é só ter dedicação e cuidado com as abelhas que o retorno vem...
-Então é isso,vou começar uma criação de abelhas nativas...você pode me ajudar na implantação dessa criação...?
-Claro...,pra mim será um prazer,ter mais um criador de abelhas nativas,por essas terras...

-Quais espécies,eu devo criar?
-Você tem que criar as espécies,que são nativas daqui,da caatinga:a jandaíra,mandaçaia,a manduri,a moça branca,a cupira...,pois essas espécies já estão acostumadas com o clima e com as árvores de nossa região...
-Qual é o primeiro passo,para começar a minha criação?
-Primeiro,você tem que ver qual é a sua capacidade de investimento...depois,vamos ver qual espécie criar,mandar fazer as caixas,comprar algumas colônias de criadores da região,...e o mais importante ver se você dar pra coisa...
-Como assim,ver se eu dou pra coisa?

-Vamos ali comigo...
-Essas caixas,são abelhas?Você já cria faz tempo?
-Sim,são abelhas,eu já mexo com elas há algum tempo...mas no meu caso,eu só crio para preservar as espécies,o que me dá muito prazer,...mesmo sem ter nenhum retorno financeiro,pelo contrário,eu tenho gastos com elas...
-Elas não são bravas?
-Pra ser sincero,algumas são valentes,mas não são todas assim,...as cupiras são as mais bravas...já as moça branca e a jandaíra,são mais fáceis de manusear...é claro que elas não têm ferrão,apenas dão umas mordidinhas...coisa besta...
-O que você vai fazer,com essa caixa?
-Eu vou abri-la,para que você veja o comportamento das abelhas e vá se acostumando,pois se você realmente montar seu meliponário,terá que fazer revisões constantes em suas caixas...

-Que espécie é essa?
-Essa é a jandaíra,uma abelha muito boa para criação racional...
-Meu amigo,isso tudo é mel..?
-É,elas estão produzindo bem,por aqui...,nessa parte de baixo,estão os discos de cria...aquela abelha grande ali,é a rainha...
-Que interessante,eu pensava que as crias delas, eram como as das africanizadas,mas são em forma de discos...
-Existem crias em forma de cacho,como aquelas moça branca,ali...quer ver?
-Claro,eu já estou me interessando pelo assunto...
-Realmente,esse assunto é muito apaixonante...
-Pronto vamos abrir a caixa,essas são bem mansinhas,nem sequer beliscam...
-Veja,esses cachos,são as crias...não são lindos?
-Demais...mas, posso provar um pouco desse mel?
-Pode sim,deixe eu pegar essa seringa aqui...pronto,abra a mão...e aí,o que achou?

-Eu achei um mel muito cheiroso,ácido mas muito bom,tem um gosto de planta...é medicinal?
-Sim,como a maioria dos méis das abelhas nativas,esse mel é considerado pelos sertanejos medicinal...
-E aqueles potes de cor diferente...
-Ali está o pólen,armazenado...
-E aquelas pretas ali,que abelhas são?
-Aquelas são as cupiras,mas é melhor não mexer com elas agora,para que você não sai daqui correndo...pois elas mordem bastante,e como nós não trouxemos o chapéu,vamos deixar para outra hora...

-E aí,o que você achou das abelhas?
-Rapaz,eu fiquei impressionado como elas são organizadas e produtivas...
-Vai montar o meliponário?
-Vou sim...,vamos conversar mais sobre os detalhes,pois,tenho muito que aprender...mas se você puder me ajudar,vou começar a organizar as coisas...pelo que você me disse, a criação de abelhas nativas pode ser um bom negócio...
-Sim com certeza,esse é um bom negócio e ecologicamente correto,pois não traz impacto ambiental...e ajuda a manter o homem no campo,com dignidade...

-Agora vou lá,pois já está ficando tarde, e tenho que fazer algumas coisas ainda hoje...mas vou procurá-lo em breve para tratarmos dos detalhes da montagem do meliponário...
-Amigo,pode contar comigo pra o que precisar,afinal esse é um assunto que eu adoro falar,...quanto mais mexo com as abelhas nativas,mas gosto delas...,quando precisar é só vir aqui,que estarei à disposição...

-Obrigado.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB

terça-feira, 8 de junho de 2010

Período de seca,no semiárido nordestino.

-É,meu filho,infelizmente esse ano de 2010,foi um dos piores anos de chuva para nós,e agora não temos mais o que esperar,pois,já estamos em junho,e como sabemos não é mais época de chuvas,por aqui...
-Mas,vovô e como é que nós vamos alimentar,o gado,as cabras...?eles vão morrer de fome...?

-Não...,vamos fazer o que sempre fizemos,eu e seu pai...queimar macambira,xique-xique,palmatória,tirar galhos de mandacaru,tirar ou queimar os espinhos,e dar para o gado...




-Isso,sempre foi feito por aqui,nos anos de seca...sem ter como alimentar os animais,nós saímos para o mato,bem cedo e já começamos a arrancar macambira,...vai dois arrancando e uma pessoa juntando em montes...depois, juntamos alguns matos secos e botamos fogo...as folhas da macambira são queimadas e só resta a “cabeça”...aí,com a ajuda de uma marreta de cabo longo,nós batemos nessa cabeça e ela se parte em pequenas partes,para ficar mais fácil para o gado comê-las...temos que sempre deixar alguns pés de macambira sem arrancar,para que elas voltem a crescer e ocupar toda a área...só assim,teremos uma reserva para anos como esse...




-Mas vovô,me diga uma coisa...esse ano não choveu,por aqui?,porque não fez alimento para os animais?
-Porque as chuvas foram muito irregulares,por exemplo,choveu bem,dois dias seguidos...aí passou um mês sem um pingo de chuva...com o sol quente,as plantas que brotaram,não conseguiram sobreviver...,apenas as árvores grandes se mantiveram verdes,pois já estão adaptadas a esse clima,mas os animais querem as gramíneas,os pequenos brotos mais molezinhos e apetitosos,e eles não resistiram ao sol...

-Sim,e as cabras,o que elas irão comer?
-As cabras,também comem xique-xique...mas,também temos que cortar alguns galhos de juazeiro,galhos e vargens de algaroba,feijão de boi ,jurema preta,aveloz e complementaremos com um pouco de palma...elas são mais resistentes a seca,apenas aqueles animais jovens,ou muito velhos,precisam de uma atenção especial...

-Eu terei que ter uma atenção especial, com as minhas abelhas senão,poderei perder alguma colônia,por falta de alimento;já que algumas plantas da caatinga, não chegaram a florir,devido a estiagem...

-E o que voce bota,pra elas comerem?
-Mel de africanizadas ou um xarope,bem doce,com um complemento...
-Mas,porque você precisa alimentá-las?elas não se viram sozinhas?
-Podem até se virar sim,mas vão ficar muito fracas,aí quando chegar o novo período de chuvas,ela vão demorar para se desenvolverem...e com à alimentação,durante a seca,elas se mantém fortes,e prontas para a chegada do próximo inverno...
-Muito bem,assim como o gado,as suas abelhas também precisam de alimentação extra,para atravessar o período de secas...?
-Sim,senhor...


Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Meu nordeste querido!

Hoje,eu resolvi enveredar por caminhos que eu não domino.Mas
por ser um legítimo caririzeiro,amante da poesia simples,do homem do campo;aquela poesia que nasce na alma do homem sofrido do meu cariri paraibano.

Eu resolvi,mas uma vez,tentar passar para os meus amigos leitores,desse humilde blog,um pouco da minha vida,que vai está sempre ligada ao meu querido,sofrido e amado semiárido.

Espero que gostem e se não gostarem me desculpem...




Outra vez vou fazer uma poesia
Pra falar da minha terra,Deus me guia
Pois pretendo,encontrar sabedoria
Onde sei que só brota matutice
Pois poeta não sou,nunca serei
Mesmo assim ,me arrisco nessa lei
Onde tem bons poetas,isso eu sei
Mas me deixo levar pela tolice

No nordeste,seu doutor é bom demais
Se você quiser,saber de algo mais
Por aqui,tem plantas medicinais
Que o homem do sertão,sabe encontrar
Aprendeu,desde cedo o tratamento
Pra poder acabar o sofrimento
De seu povo,que espera um acalento
Dessa vida,que só sabe machucar

Quando a chuva cai nesse lugar
O caririzeiro,fica alegre à festejar
Pois bem sabe,que só assim ele terá
Alimento para si e para o gado
Ele planta seu roçado,com alegria
E trabalha sol a sol,durante o dia
Mas a noite olha o céu pra ver se via
Um relâmpago,pra ser recompensado

Hoje em dia,só tem terra e tem poeira
De animal,uma cabra,a derradeira
Mesmo assim,tô na luta a vida inteira
Pra um dia,mudar essa história
Tô tentando,ter algo pra mostrar
Pra meu povo,ter em quem se espelhar
E ver que,o difícil é esperar
Se quiser,corra atrás dessa vitória


Quando a seca castiga,a nossa terra
E eu vejo,só mato seco,lá na serra
E de fome,no curral a vaca berra
Fico triste,dá vontade de chorar
Na cacimba,feita no riacho
Só água salobra,é o que eu acho
E as lágrimas vão caindo,rosto abaixo
Porque sei,o que teremos que passar


É bem triste,ver os animais sofrendo
Sem poder amenizar,fico querendo
Encontrar uma solução,que eu entendo
Poderia ser bem mais fácil,por aqui
Se os homens,fossem mais organizados
E tivessem outra visão,dos dos seus estados
Não precisariam,passar por flagelados
Teria outra história,o cariri


A caatinga,é sempre generosa
Pois,nos trata feito uma mãe amorosa
Porque,o que digo em verso e prosa
Posso provar,isso tudo,com certeza
É o homem,que está só maltratando
Essa terra,que está se transformando
Num deserto,aos poucos vai virando
Esse lindo pedaço da natureza


O que digo,não é nada demais
Muitas vezes,o homem é mais voraz
Que a grande maioria dos animais
Que estão só tentando,escapar
Veja bem,pois as coisas são assim
Cada vez mais, se aproxima nosso fim
Se nada for feito,por você,por mim
Que planeta,nossos filhos vão achar?


Mas o homem,continua destruindo
Quase tudo,que encontra perseguindo
Não tem nada,que lhe mude esse destino
Pois,só pensa em destruição
Não se importa em proteger a natureza
E essa é sua maior fraqueza
E por isso,vai continuar na pobreza
Dessa imensa,ganância e ambição


As abelhas do meu belo cariri
Quase todas,já se mudaram dali
Pois o homem está sempre à destruir
As árvores que lhes dão a moradia
Imburana,imbuzeiro,catingueira,
Cumaru,baraúna,craibeira,
O pereiro,e até a quixabeira
Só algumas,resistem hoje em dia


Hoje em dia,se você não fizer a criação
Não encontra essa abelhas ,aqui mais não
Foram embora,se mudaram onde estão?
Com certeza,em algum lugar melhor
Onde o homem sabe,tratar com respeito
O que a natureza,quer que seja feito
Mesmo assim,ainda aparece um sujeito
E nos mostra,que pode ser bem pior


Nessa luta,diária e bem pesada
Vou seguindo,minha sina transformada
Em defesa dessa minha terra amada
Continuo,na luta até o fim
Muitas vezes, a luta parece perdida
Mas foi essa que escolhi,pra minha vida
E encontro forças,pra continuar na lida
Não desisto,pois Deus me fez assim


Aos amigos de luta,aquele abraço
Pois não sou poeta,não sei o que faço
Pra continuar na rima,eu me embaraço
Mas espero,que seja perdoado
Pois a minha intenção,foi muito boa
Navegando,por esses lados sem garoa
E eu me aprofundo,nessa lagoa
Pra tentar obter bom resultado


O cariri é o meu berço e é,meu lar
E é por isso que não desisto de falar
Precisamos,proteger esse lugar
Antes que seja muito tarde
Pra tentar proteger os animais
Muitas vezes,eu tive que andar mais
Do que eu podia ,mas jamais
Vou parar de tentar fazer alarde


Me desculpem,pois,como disse antes,não sou poeta,apenas um amante da poesia,e da natureza nordestina.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João pessoa,PB.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Alternativas para o semiárido nordestino.






-Quem quer saber de defender um pé de imburana,rapaz?Isso é coisa pra “cabra besta”,gente que não tem o que fazer,e fica inventando isso,eu quero saber se um pé de mato vai salvar a vida de alguém,...é muito fácil vir com essa conversa de preservação,...eu queria ver se fossem eles que estivessem na minha situação ,se eles não fariam a mesma coisa?
-Realmente,uma imburana não vai salvar ninguém,mas o problema é que não é apenas uma única árvore que você vai cortar,e as outras?quantas árvores você já cortou,”por essas bandas”?
-Cortei muitas,as esse é o único jeito de arrumar a feira...ou você acha que uma imburana vale mais que meus “moleques”?se não fosse essas toras de imburana que eu vendo,pra fazer tábuas,eu ia viver de quê,eu ia matar meus filhos de fome?
-Eu sei que não é fácil,mas,veja que as grandes imburanas estão cada vez mais difíceis de se encontrar,cada vez você tem que ir mais longe ,no meio dessa caatinga,...já dizia meu avô,de onde se tira e não se repõe,acaba-se,e isso parece que está mais perto do que nós imaginava-nos...temos que arrumar outro meio de vida,outra coisa pra fazer e conseguir o dinheiro da feira...
-Meu amigo,por aqui não adianta plantar nada,pois a seca acaba com tudo,...se você tiver um animal,não consegue alimentá-lo durante a seca...qual é o negócio que se pode ter num lugar desse?
-Olhe,eu estava conversando com um menino,filho de seu João,aquele que mora na capital...à respeito da dificuldade de se conseguir renda por aqui,e ele me disse que nós temos que tentar sobreviver com aquilo que a caatinga nos dá...
-E não é isso que eu estou fazendo?
-Sim,mas sem acabar com a caatinga,pois,ele disse que já tem partes da caatinga que está virando deserto,...devido justamente,ao corte das árvores,às queimadas,e ao uso desordenado dos recursos naturais,por parte do homem...
-Então me diga,o que nós podemos fazer para conseguir dinheiro,sem cortar e vender,essas madeiras...
-Segundo ele estava me dizendo,nós temos que formar uma associação,com os nossos vizinhos,familiares,conhecidos,...ele disse que pode ajudar na organização,dar umas dicas...
-Sim e isso vai nos ajudar em quê?
-Calma,eu ainda não terminei...depois de fundar a associação,nós vamos tentar conseguir apoio dos órgãos,do governo,(Bancos,Emater,Embrapa,Universidades,Prefeitura,...),vamos fazer alguns treinamentos,cursos...
-Pronto!agora depois de velho,eu vou ter que ir pra escola...?
-Tem que ser assim,pra se fazer algo dar certo,temos que estudar,aprender novas técnicas,só assim poderemos mudar nossa vida.
-E ele disse,o que nós vamos fazer com essa tal associação?
-Claro!Ele acha que um negócio que daria certo,por aqui,é a criação de abelhas.
-Criação de quê?
-De abelhas,exatamente isso que você ouviu.
-Se qualquer um pode cortar um pé de imburana pra tirar o mel,quem precisa criar abelhas?
-Mas com a criação racional de abelhas nativas,não vamos ter que cortar mais as árvores para tirar o mel,pelo contrário,vamos preservar as árvores que ainda existem por aqui,pois elas são muito importantes para que as abelhas produzam mel.
-Segundo disse o filho de seu João,se nós aprendermos o manejo correto,as abelhasnativas de nossa região,irão ter uma boa produção de mel por aqui,e essa produção tende à crescer ,conforme nós dominamos mais as técnicas de manejo racional.
-E as abelhas nativas,vão ser criadas em caixas?
-Sim,elas podem e devem ser criadas em caixas racionais.Por exemplo,nós poderemos criar a jandaira,pois,o seu mel é um dos mais valorizados,e ela se adapta bem à criação racional,também podemos criar a manduri,,a moça branca e a cupira.
-Tá certo,vamos reunir os vizinhos e tentar formar essa associação,pois,pior do que está não pode ficar.
-É isso aí,com força,garra,trabalho e vontade de vencer as dificuldades,que certamente aparecerão,as coisas ficam mais fáceis.
-Se tudo der certo,nós vamos vender mel para o país todo,porque,o mel produzido no nosso semiárido paraibano é considerado orgânico,pois por aqui não existem cultivos comerciais,não se utiliza agrotóxicoa,pesticidas,nem defensivos agrículas.Além disso, o mel dessas abelhas nativas é considerado medicinal e também é bastante procurado por pessoas,que querem alimentos naturais.
-Eu espero reunir as pessoas no sábado,eu já falei com o filho de seu João,ele vai lá,nos ajudar na organização e no encaminhamento da documentação.


Pronto,o primeiro passo para mudar essa história,já foi dado,com iniciativas como essa,o homem que vive no semiárido nordestino,tem uma forma de se manter na sua região,sem destruir os poucos recursos naturais que ainda restam,ou seja viver de forma sustentável,esse é o meu sonho,que espero tornar realidade um dia.


Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Transferindo uma jandaira(parte II).


Após aquela primeira colônia ter fracassado,eu fiquei imaginando qual era o motivo disso ter acontecido,já que muitas pessoas,daqui do cariri,têm troncos com abelhas e passam muitos anos sem terem problemas.

No sábado,meu tio chegou de viagem e como é de costume,ele vai logo ao seu sítio,saber se está tudo bem,deixar ração para os cavalos,cabritos,enfim fazer algumas obrigações,eu aproveitei e fui com ele e meu irmão,para abrirmos um novo galho e finalmente fazer a primeira transferência ,bem sucedida daquele sítio.

Durante a viagem,eu não disse nada sobre a tal tentativa de transferir as abelhas,chegando lá eu e meu irmão fomos tirar um galho de imburana que tinha uma jandaíra,e estava pendurado em uma algaroba,atrás da casa.Enquanto isso meu tio estava indo com Miguel olhar algumas mudanças que precisavam ser feitas no açude.


Levamos o galho para o mesmo lugar:a cocheira,e já fomos abrindo-o e novamente nada,a mesma coisa da galho anterior;alguns potes de alimento vazio,algumas lamelas de cera,pouquíssimas abelhas,e agora,o que vamos fazer?perguntou meu irmão,com um ar de desânimo.Vamos abrir mais um,respondi com segurança e certeza que não adiantava deixar aqueles galhos,(que nós achávamos que estavam bem)intactos sem sabermos se ainda tinha uma colônia de jandairas,dentro deles.

Qual é o que nós vamos abrir agora?O que estiver mais perto e mais fácil,respondi.
Meu irmão tirou um galho que estava próximo ao galpão da forrageira,pois,era bem perto de onde estávamos.Fizemos todo o procedimento,só que dessa vez,o resultado foi um pouco diferente,pois,nesse galho tinha dois pequenos discos de cria,alguns potes de mel,e a rainha.Com cuidado,transferi tudo para a caixa;e resolvi levar para minha casa,pois,achei que aquela colônia precisaria de um bom reforço e cuidados especiais.

De volta à nossa casa,levamos a caixa para um pé de angico,que tem uma jandaíra à mais de vinte anos(o curioso é que geralmente,angico,quase não tem oco)e é uma colônia muito populosa e brava,pois,se alguém bater nessa árvore,pode se preparar para correr,pois,não vai aguentar as mordidas,digo isso,por experiência própria.
Essa colônia é da espécie de jandaíras "pequena",que são muito produtivas,valentes e mais rústicas,se comparado com a espécie de jandaíras"maior".



Levei a escada,pois,a entrada da colônia é alta,também levei o chapéu com tela,para me proteger,subi com a caixa na mão e mandei que meu irmão desse algumas batidas no tronco de angico;ele só conseguiu dar uma três batidas,e as abelhas botaram ele pra correr.
Eu fiquei observando a saída das abelhas,pra não deixar sair demais(isso poderia enfraquecer a colônia natural),quando percebi que já tinha um bom número de abelhas fora,fechei a entrada com um pedacinho de papel,e posicionei a caixa racional na altura da entrada,prendi a caixa com um arame e fiquei observando as abelhas entrarem,pois a cera ajudava na identificação da nova morada e atraía as abelhas.

Quando as abelhas entraram,eu fechei a caixa dessa vez com a própria cera,e abri a entrada do angico,fazendo com que as abelhas que estavam dentro do oco saíssem e fizessem uma nuvem ao redor do meu chapéu.Eu desci da escada,com cuidado,levei a caixa pra longe,chamei meu irmão para vir buscá-la,peguei a escada e voltei pra casa com a certeza que aquela colônia tinha uma nova chance de se recuperar.

Fui levar a caixa para o local definitivo,deixei a entrada fechada com cera,pois quando elas abrissem a entrada,já estariam acostumadas à nova colônia e com o novo local,que é distante uns 500 metros do angico.

Amanheceu o dia,eu fui tirar o leite,fazer mais algumas coisinhas,pra poder ir olhar como estavam minhas novas hóspedes.Cheguei ao meliponário,com cuidado para não estressar ainda mais as abelhas,e percebi que elas já haviam aberto a entrada, e estavam retirando o excesso de cera, que estava ao redor da boca.

Botei algumas armadilhas externas para forídeos,e só revisei essa caixa uma semana depois,felizmente estava tudo em ordem,forneci um pouco de alimento,coloquei mais cera,próximo a entrada,para que elas colhessem,e sai de lá feliz da vida,pois pra quem ama as abelhas sem ferrão,é muito bom vê-las bem.

Hoje essa colônia está bem forte, com bastante discos de cria e alimento...

Eu falei com tio Carlinhos,que temos que abrir os galhos que ainda faltam,pra ver se tem ainda alguma colônia que possa ser transferida para caixa racional.

Conversando com Miguel,ele me disse que sempre via lagartixa,perto da entrada das abelhas,talvez esse seja o motivo dessas colônias terem se acabado.
Outra coisa que pode ter influenciado,para o fracasso dessas colônias,é o fato de terem sido tiradas durante o dia;cortadas com machado(os galhos)e logo em seguida,terem sido trazidas pra casa(o que deixou a quase totalidade das abelhas adultas fora do ninho).

Após essas primeiras experiências,com as jandaíras,meu tio disse que não iria mais querer comprar mais nenhum galho,com abelhas,pois,só estaria tirando-as de seu habitat e não conseguía criá-las.

Mas da próxima vez que ele encontrar alguma abelha,dependendo de onde está alojada(porque jamais eu cortarei o tronco de uma árvore,para tirar uma abelha;aliás,eu tenho lutado contra isso,em nosso sítio e nos sítios vizinhos)se for em um galho que possa ser cortado,sem danificar a árvore;eu mesmo irei fazer a transferência,direto do galho para a caixa,com todo cuidado com as abelhas e com a árvore.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

domingo, 16 de maio de 2010

Transferindo,uma jandaira para a caixa.(Parte I.)


Era quarta -feira,dia 10 de março,e eu estava me preparando para ir ao sítio de meu tio(sítio cachoeirinha)transferir uma jandaíra que estava em um galho de catingueira,para uma caixa racional.

Peguei o cavalo(pé de pano),coloquei a sela,e fui arrumar os apetrechos ,que eu utilizaria para facilitar a transferência.

Coloquei num saco:um pequeno machado,um martelo,uma cunhas de ferro,fita crepe,arame,um chapéu com tela,e a caixa.

Quando eu estava de saída,mamãe,me disse:porque você não deixa isso para outra hora?O sol tá muito quente.
Não mãe,eu quero transferir pelo menos uma jandaíra,antes de tio Carlinhos chegar de viagem;quero fazer-lhe uma surpresa.

Meu tio,mora em Campina Grande,mas trabalha em Roraima,e vem todo mês passar um final de semana por aqui. Ele que também gosta de abelhas nativas,adquiriu uns dez galhos,com colônias de jandaíra,e esses galhos já estavam em seu sítio à uns dois anos,e sempre aparecia algum imprevisto,para que elas não fossem transferidas.

Eu fui rápido,pois,pé de pano estava bem forte e bem tratado,eu nem percebi a distância.



Ao chegar à cachoeirinha,eu botei o cavalo na sombra de uma quixabeira,que tem na porta da casa,e já fui chamar Miguel,que é o morador e vaqueiro;responsável pelo bom funcionamento de todo sítio.

Aproveitei e já fui tirando,um galho de catingueira com uma jandaíra que tinha logo na entrada da casa,pendurado nos caibros por um arame. Levei-o para a cocheira,pois lá ficaria mais fácil de trabalhar e tinha uma boa sombra(o sol estava de matar),Miguel ficou olhando,disse que queria ver se tinha muito mel.



Coloquei o galho em uma boa posição,e comecei o trabalho,com a ajuda do machado,consegui rachar o galho,e usando as cunhas fui abrindo bem devagar,com cuidado(a essa altura,Miguel disse:aí não tem é nada,porque se tivesse as abelhas já estavam mordendo nós)e pra minha triste surpresa,essa colônia tinha se acabado,só restavam alguns potes de mel vazios,cera,e umas cinco abelhinhas,que voavam ao nosso redor,nada de rainha,discos de cria.

Com a decepção dessa primeira tentativa,eu desanimei,ainda pensei em abrir mais um galho,mas deixei pra outra hora.Deixei a caixa,ali mesmo na cocheira,presa em um prego,tomei água,me despedi de Miguel,montei em pé de pano,e voltei decepcionado,pra casa,decepcionado,não porque a transferência não aconteceu,mas sim,porque perdemos aquela colônia,e isso me deixava triste e sem entender o que havia acontecido,para aquelas abelhas abandonarem aquela moradia,isso não me saía da cabeça.
E com certeza,no sábado eu voltaria,pra finalmente realizar a primeira transferência,bem sucedida,daquele sítio.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Abelha moça branca.


Dentre as espécies de abelha nativa,que eu tenho atualmente,existe uma que para mim é muito especial:é a moça branca.

Eu considero essa abelhinha especial,porque,apesar de ser bem pequena,ela é muito forte,rústica,boa produtora de mel e com grande poder de recuperação de suas colónias.

Elas produzem em média um litro de mel,por ano,mas podem tranquilamente chegar a dois litros se houver boa florada.

Por pertencerem ao grupo das trigonas;elas para serem divididas precisam de uma realeira(no caso,casulo real),do contrário não se obtém êxito na divisão.Esse casulo,é facilmente reconhecido pelo meliponicultor,pois tem o tamanho bem maior que os demais(o dobro)e só existe um ou dois por colônia,dependendo da época do ano.

Para localizar o "casulo real",deve-se ter muito cuidado e paciência,senão perde-se muitas crias,que são muito frágeis e se "quebram"com facilidade.

São abelhas muito mansas,portanto indicadas para criação racional,pois não "mordem" e isso facilita muito o manuseio da caixa,no momento das revisões e da coleta do mel.
Devido à esse comportamento,elas são indicadas para aulas de educação ambiental.

Essa abelhinha ainda é encontrada com certa facilidade por aqui,inclusive, algumas pessoas a chamam de “mosquito”(quando na realidade,o mosquito seria plebeia).



Um fato que me chama atenção,é que a maioria dos seus ninhos são encontrados em imburana,árvore que tem grandes ocos;o que se imaginaria era que,por ser a moça branca bem pequena,ela utilizaria árvores mais finas,como a catingueira,por exemplo.

Recentemente,eu encontrei duas colónias em troncos de imburana;uma dessas colónias à +ou- dois metros de altura e outra,com um metro de altura(a entrada da colónia).

Só quem conhece essa abelha,para ver o quanto a sua cera é macia,fácil de ser manipulada,cheirosa(com um cheiro muito grande de resina de imburana);e o sabor de seu mel,um gosto ácido,que também lembra a imburana,segundo o povo do cariri,esse é um dos méis mais medicinais que nós temos;com a palavra os estudiosos.


Para mim esse mel é muito bom,sempre que estou por lá,tiro um pouquinho pra saborear.

Outra cacterística dessa abelha são suas crias,ao invés de serem em discos como estamos acostumados a ver;são em forma de cachos,realmente muito bonitas.

Eu utilizo caixas racionais de dois modelos,para essa abelha:uma horizontal,que mede 40cmx15xcmx15cm/.E outra vertical:20cmx20cmx25cm,de altura.

Deve-se colocar uma folha de acetato,por baixo da tampa da caixa,pois,por ser transparente,permite uma boa visão do interior da caixa,sem a necessidade de interferir diretamente no equilíbrio da colônia.Por cima desse acetato,coloca-se um emborrachado escuro e depois a tampa.



OBS.:As duas colónias naturais,que eu encontrei em imburanas,continuam exatamente no mesmo lugar,pois,jamais eu iria cortar o tronco de uma árvore como a imburana,para tirar essas abelhas(nem permitirei que ninguém as tire)elas são bem perto de casa e servirão de atração para meus amigos,que vem nos visitar,e não conhecem essa abelha,em seu estado natural.

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A caatinga ameaçada.



Sempre que estou no "meu cariri",eu procuro conversar com as pessoas do campo,que,com seu modo de vida simples,teem muita coisa para nos ensinar,e eu,estou sempre querendo aproveitar esse conhecimento,e passando novas idéias para eles,por exemplo idéias de preservação ambiental.




Eu tenho interesse,em todas as coisas,relacionadas à convivência com a caatinga.
A vida por lá,não é nada fácil,pois,por falta de opção,muitas vezes,o homem do campo derruba a caatinga,achando que isso vai lhe trazer alguma melhoria na sua qualidade de vida.

Com à destruição das matas,(para se fazer carvão,abrir novas áreas para plantios,retirar lenha,etc.)todos os animais que vivem ali,são afetados diretamente.
Esse uso desordenado dos recursos naturais,está acabando com esse importante bioma.

Já temos várias áreas, em avançado processo de desertificação e,a cada dia,mais áreas são abertas,sem que os poderes públicos,façam qualquer esforço para conscientizar essa população; se a vida já é difícil com a caatinga preservada,imaginem viver ali,sem ter mais as matas,os animais silvestres...enfim,seria como viver em um deserto.

A cada dia,está mais difícil se ver uma colónia natural de abelhas nativas,isso,eu já comprovei.
Em 2005,em uma determinada área do sítio da minha família,eu consegui achar:três jandairas,uma moça branca,e quatro cupiras e muitas africanizadas;essas abelhas foram deixadas no seus locais de origem,eu apenas queria saber, se ainda existiam muitas espécies de abelhas nativas por aqui...

Se passaram apenas cinco anos,mas,das cinco colónias nativas achadas por mim,apenas a moça branca,continua na mesma imburana,(talvez,por se tratar de um local de difícil acesso,ela tenha escapado dos caçadores de mel).

Esse tipo de destruição,é muito difícil de ser combatida por nós,pois,esses caçadores,já acabaram com as abelhas nativas na vizinhança,e agora procuram novas áreas para continuarem sua destruição.Eles se camuflam por dentro da mata,para se esconderem e continuarem acabando com nossas a mata,e com os animais silvestres de um modo geral.

Eu tenho conversado com algumas pessoas,da vizinhança,à respeito da importância de se preservar as abelhas nativas,pois,sem as abelhas não teremos mais as matas;não teremos mais os animais;não teremos mais o homem.

Existem pessoas,que acham "besteira"se preocupar com preservação de abelhas,mas eu explico que,eles podem perceber a dificuldade de se achar uma colónia de abelhas nativas,em nossa região;reflexo da retirada indiscriminada de mel.

Uma das alternativas,para se diminuir essa agressão ao meio ambiente,é a criação racional das espécies nativas de nossa região,jandaira,por exemplo.

Essas conversas,estão surtindo efeito,pois,já existem pessoas interessadas em aprender,o manejo racional de algumas dessas abelhas.




Pena que eu estou muito ocupado,no momento,para intensificar essa luta em defesa da nossa caatinga,como um todo.Mas,vou me esforçar ainda mais,para tentar proteger o pouco de caatinga que ainda nos resta.


Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.