sábado, 15 de outubro de 2011

Repensando a meliponicultura IV.




E o debate continua.

Resolvi,postar mais um email que recebi de um amigo,que também tem sua opinião à respeito desse assunto.


Olá amigo.

 Desculpe a demora para lhe enviar o e-mail com o ponto de vista que havia proposto,pois somente hoje pude dispor de um tempo livre nos afazeres do dia a dia.



Como mencionei no último comentário que participei no seu blog,somente através desse contato direto entre meliponicultores é possível colocarmos um ponto de vista acerca da viabilidade na criação de uma espécie de abelha melípona em outra região que não a região em que naturalmente a espécie se encontra,pois podemos dispor de mais espaço para desenvolver uma reflexão;e um ponto de vista alicerçado por pesquisas que eu fazia sobre o assunto,de maneira mais abrangente,há quinze anos atrás.




Primeiro,temos que levar em conta que a criação de abelhas indígenas,aqui no Brasil,sempre fora desenvolvida de forma artesanal,até o começo do século passado,em suas próprias regiões naturais de incidência.


Creio que só havia,por esse tempo,um maior interesse pelas ditas abelhas unicamente pelas populações envolvidas em tais criações,tornando inexistente essa questão do transporte de colônias,e a viabilidade,ou não,da criação de uma espécie de determinado ecossistema em um outro ecossistema diferente do original,pois não havia e não houve nenhum registro importante de algum transporte e criação de meliponíneos de uma região a outra por esse tempo,e de algum eventual desenvolvimento das mesmas.



Coube a um grupo de cientistas,ou pesquisadores,há algumas décadas,essa tarefa de voltar os olhos para as abelhas melíponas com vistas a transformar a então criada atividade “meliponicultura” em algo menos artesanal,mais racional em termos de manejo,assemelhando-se à apicultura que já era desenvolvida no país,desde a Colonização.E esses pesquisadores voltaram os seus olhos para as mais variadas espécies distribuídas e conhecidas em cada região.E esses pesquisadores procuraram não somente desenvolver as técnicas de criação,mas,também,estudar essa questão do isolamento genético de populações de abelhas de outras regiões que poderiam ser criadas fora de sua região de origem.




Então,é necessária,nessa questão da viabilidade da criação de abelhas melíponas de uma outra região,com uma preocupação no campo genético,uma leitura totalmente científica,feita por esses pesquisadores de então.Porque sabemos que existe, pelo menos inicialmente,um bom desenvolvimento das colônias,mesmo sob essas condições de isolamento genético,mas,há essa teoria de que,com o tempo, se não houver,eventualmente, a adição de outras colônias,ou discos de crias,a criação tenderá a se extinguir devido à consaguinidade.




Não conheço relatos de criadores que conseguiram manter (sem haver essa renovação genética)uma criação por um maior número de anos,pois acredito que a maioria dos meliponicultores que se interessam em criar abelhas de outras regiões,sabe que existe a teoria da necessidade de um número mínimo de colônias para manter a criação longe de uma extinção futura,devido à consaguinidade.




Acho que uma boa fonte para verificarmos a viabilidade na criação de meliponíneos em outras regiões que não as de origem dos mesmos,seria através do link fornecido pelo amigo português na última postagem do seu blog,pois o mesmo nos leva a um nome que deve ser levado muito em conta,por tratar-se do nome de um autodidata/criador muito conhecido literatura afora,há muitos anos,e contemporâneo e amigo do grande mestre Paulo Nogueira-Neto,que em seu livro narra, àquele tempo(acho que na década de 60),que forneceu ao senhor Cappas colônias de meliponíneos brasileiros,e que tais colônias,àquele tempo,se desenvolviam bem;cabendo aos que se interessam pelo assunto atualmente,saber se esse criador ainda possui aquelas colônias “intactas”,ou seja,sem ter havido o expediente da renovação genética através da aquisição de novas colônias da mesma espécie,ou a aquisição de discos de cria.Então,poderíamos ter uma melhor ideia da viabilidade da criação de meliponíneos sem o perigo da consanguinidade,tendo em vista o tempo decorrido no desenvolvimento das colônias e o isolamento geográfico (outro continente)que tais colônias -se ainda existirem -se encontraram,ou se encontram.




Então,espero ter fornecido uma visão conseguida através de pesquisas que fiz de uma maneira mais aprofundada há quinze anos,e de repente a provável existência novos dados,mais atuais,sobre o tema,possam fornecer mais subsídios para que possamos chegar a uma conclusão sobre a viabilidade da criação de uma espécie diferente de melípona em um outro ecossistema diferente do original.



Um abraço amigo.


 Fco Mello .

Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Repensando a meliponicultura III.




Como esse tema”abelhas nativas,fora de sua área geográfica original”,tem sido muito discutida nos meus últimos posts,tenho recebido emails de várias partes do Brasil e do mundo.

Um desses emails,me chamou atenção,por isso resolvi fazer dele uma postagem.Ele foi enviado por um amigo de Portugal.


Boas...


Correndo o risco de deitar mais lenha na fogueira vou aqui deixar a minha opinião...
Antes de mais,sou um apicultor amador de Portugal (amador apenas por falta de tempo em virtude da minha profissão)... fui "contagiado" pelo meu avô materno para este mundo das abelhas (Apis)...Um senhor com 101 anos que diz dever a sua longevidade e saúde às inúmeras picadas/ferroadas de abelhas que apanhou ao longo da vida..
 

Mas vamos ao que interessa...No que respeita a abelhas polinizadoras e produtoras de mel (retiro portanto as pilhadoras, carniceiras,etc.),não vejo grande problema em mover colónias de um local para o outro...principalmente quando nem se sai do mesmo continente...e tal como já por aqui disseram não se sabe e ninguém pode afirmar com segurança se elas já não existiram em locais onde hoje em dia não se encontram.


Mas para levar a coisa mais longe...Eu mesmo"estou morto"por possuir por aqui algumas Meliponíneos, especialmente aquelas que se adaptem a clima temperado...Pois por aqui o nosso clima do norte de Portugal é algo semelhante ao do Rio Grande do Sul.


 Se bem que alguns Meliponicultores com quem tenho estabelecido contacto me tenham falado de algumas espécies que embora de clima tropical, se parecem adaptar a clima temperado.


Por acaso cá em Portugal existe um investigador autodidacta que parece ter adaptado com sucesso algumas espécies de Meliponíneos ao nosso clima...o Sr.Cappas e Sousa( http://www.cappas-insectozoo.com.pt/)...Ao que parece um verdadeiro mestre nesta área e referido em diversos meios como uma autoridade no estudo de diversos insectos,entre os quais as Abelhas Sem Ferrão.


Portanto eu ainda pretendo ir mais longe, que é introduzir diferentes espécies de Meliponíneos num território onde eles não existem mesmo...e sinceramente só vejo vantagens...e nenhuma desvantagem...Quer no que respeita a um aumento de eficiência na polinização,pois as Apis e as Meliponíneos complementam-se...até por "iguismo",é preciso não esquecer que muitas das plantas das quais dependemos para a nossa alimentação dependem e muito, da polinização efectuada por estes polinizadores.


E ainda outra vantagem poderia ter a ver com um combate e/ou redução da varroa (ácaro que tem atacado forte e feio os apiários por todo o lado)...pois varroa que tente atacar as Meliponíneos é varroa destruída...quer em virtude das maravilhosas mandíbulas das Meliponíneos,quer em virtude do modo como elas tratam das crias/larvas,quer da temperatura dentro da colmeia, etc....(tal como é referido por Cappas e outros).


Ecologia e/ou ecologistas tem limite...

Sinceramente há coisas mais importantes com que se preocuparem,do que com as distribuição de abelhas polinizadoras por outros locais.

Atenciosamente,

Paulo.
Portugal.

Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

domingo, 9 de outubro de 2011

Repensando a meliponicultura II.


E a discussão continua.

Afinal,as abelhas nativas não podem ou não devem ser criadas em regiões,onde imagina-se que elas não sejam nativas??Como teremos a certeza se algum dia,elas não viveram ali??

Como,esse assunto não é sequer discutido pelos órgãos fiscalizadores/regulamentadores,pois pra eles isso seria um CRIME;nós simples meliponicultores,e acima de tudo amantes e defensores das abelhas nativas,vamos tentando chegar à uma conclusão,mesmo sabendo que sempre haverão pontos que discordância.

Vejam bem,em minha região(semiárido nordestino),especificamente em sítios vizinhos,a abelha manduri/rajada(melípona asilvai)já não é mais encontrada,pois os meleiros(pessoas que vivem da venda do mel retirado da natureza,sem nenhum manejo)e o processo de degradação da caatinga,(inclusive com o apoio de instituições públicas),pois facilmente se encontra,áreas de caatinga sendo desmatadas,com o financiamento do BNB(Banco do Nordeste do Brasil),afim de  serem feitos plantios de palma forrageira e capim búffel;esse "costume"fez com que essa adorável abelha fosse extinta,de algumas localidades,onde antes,elas existiam naturalmente.

Pergunto:será que algum órgão governamental,está fazendo algo para mudar essa realidade??A resposta é triste,dura,mais verídica,NÃO.”Eles”,sequer conhecem essa abelha,quanto mais fazer algo para trazê-la de volta e cuidar,para que se mantenha nessa região.

Enquanto isso,”seu Zé”,que sempre viveu ali e conhece  os segredos dessa e de muitas abelhas nativas da região,(pois,desde menino,aprendeu com seu pai a cuidar da caatinga e das abelhas)conseguiu comprar,de uma cerâmica,um tronco de catingueira,com uma colônia dessas abelhas,e mesmo morando,em outra região do país,conseguiu reproduzi-la,e está a cada dia,aumentando o número de colônias;tendo apenas  um intuito,um pensamento:reintroduzir essa espécie, aquele local onde foram extintas;afim de vê-las nidificando nos troncos das catingueiras,dos pereiros,das imburanas.

Se não fosse seu trabalho solitário,e seu amor pela caatinga e pelas abelhas nativas,as manduris não voltariam para essa região,pois enquanto “seu Zé”,se preocupa com a preservação das abelhas nativas,e vive essa realidade;alguns DOUTORES,estão apenas interessados em criar dificuldades,burocracia e tentando criminalizar gestos como esse seu;que muitas vezes são a última oportunidade de se salvar essas espécies .

Mesmo,sem saber que era “CRIME”,”seu “Zé”,reproduziu,cuidou,aprendeu segredos e salvou essa abelhinha da extinção,pois,mesmo morando hoje em um estado brasileiro,onde essa abelha não é nativa;fez um esforço solitário para devolver as manduris ao sertão.

A discussão continua;mais tenho certeza que,se não fosse esse gesto de amor e dedicação às abelhas nativas;as crianças do sertão,só iriam conhecer essa abelha,por fotos ou através das histórias dos mais velhos.



Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

domingo, 2 de outubro de 2011

Repensando a meliponicultura.


Amigos!

Em uma das mensagens,recebidas no grupo ABENA;do qual faço parte,uma,entre tantas,chamou-me a atenção,pois eu falei à respeito desse tema em minha última postagem,por isso,pedi permissão,para reproduzi-la aqui.



Thurma Abenauta,

Realmente gostaria de que os defensores ferrenhos de certas posturas, também o fossem para defender a natureza da destruição que corre solta em nosso País!




E, que essas pessoas também condenassem e agissem para minimizar a CORRUPÇÃO que está impregnada em TODOS OS SETORES da nossa sociedade,do governo aos serviços essenciais,como também na educação, saúde,segurança,produção de alimentos,bens de consumo e na própria atividade privada.



Que defendessem as ASF com a mesma energia e disposição.



Daí tava cá pensando com o meu Tico-manco (o Teco está internado com amnésia):



Puxa se o seu Chico do Sul que é quase anaRfabeto, que adquiriu uma meia dúzia de dois ou três Uruçú da Bahia, ou Merrilae do PA, ou Tujuba do RJ, e as dividiu com sucesso, saindo em dois ou três anos desses poucos enxames, para dezenas de colméias profícuas e muito mais fortes dos que as nativas em seu local de origem;


Que o seu Chiquinho,sem ter feito nenhum Curso,e nem ter Recebido nenhuma orientação dos Técnicos da Epagri, Emater ou outra Instituição que Ganha para defender a natureza,mas trabalham focados como cabos eleitorais de partidos políticos para elegerem pessoas que se auto promoverão durante suas carreiras,acumulando fortunas bilionárias desviadas de obras públicas,e que levarão consigo os cupinchas que se aproveitam de suas funções públicas para se darem bem... Ele,o Chico da sandália que tem a tira remendada com prego, consegue essa proeza.



E,como “Ele” dezenas ou centenas de "Seus Chicos do Sul" estão fazendo isso não só com abelhas nativas, de fora de seu Bioma endêmico,mas também com as abelhas sem ferrão de seus locais de origem.


Daí me força os neurônios pensar que POR QUE os Notáveis Pesquisadores,lastreados por entidades renomadas e dotadas de laboratórios e de auxiliares bolsistas,que escrevem livros,Teses de Doutorado, que editam leis ditando o que os outros podem ou não podem fazer,não conseguiram fazer com que dezenas de ASF estudadas e que fundamentaram seus pareceres,não tivessem o mesmo desenvolvimento????????



Será que tais estudos foram falhos,mal conduzidos, ou será que faltou "sensibilidade" e "Amor" pelas abelhinhas,que foram usadas simplesmente como objetos de conquistas de títulos?


Ou será que o "Seu Chico" é algum mágico ilusionista?

Me ajudem! Preciso de orientação para entender isso.

Saúde a todos.

Jean.

SC.

Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Apimeliponicultura.



“Apimeliponicultura”,palavra bonita,e que ultimamente tem sido muito usada;principalmente nos fóruns da internet,sobre:Apicultura e meliponicultura.



Mas,será que a meliponicultura nacional,só poderá ser conhecida e respeitada,se for “atrelada”à apicultura?(quero deixar claro,que não tenho nada contra os apicultores,apenas acho que a meliponicultura pode sim,ser uma atividade importante e ecologicamente sustentável,independente da apicultura,pois essa já está consolidada,em nosso país).



Outra questão:existe uma grande resistência,por parte de muitos “defensores”da natureza,de se levar espécies de abelhas nativas,de uma região do país,para outra,por representarem perigo,para a fauna daquela região.Não se esqueçam, que estamos falando de abelhas nativas do mesmo país,( que hoje se encontram em diferentes regiões geográficas)e não de introduzir espécies exóticas em nosso território.


Eu acho,que o mais importante desse questão,é saber se as abelhas estão sendo bem cuidadas;se o meliponicultor está dominando as técnicas racionais de criação da espécie;se o processo de multiplicação está ocorrendo de acordo com o esperado;se as abelhas estão bem adaptadas as condições climáticas e se elas estão livres do processo de extinção,que para mim é o mais importante dessa questão.
  
Sei,que essa questão é polêmica,mas acho que:Se são nativas do mesmo país,não haverá impacto ambiental...Quem garante que,antes do descobrimento do Brasil,e até depois,essas abelhas não habitavam as mais diferentes regiões desse país continental?E,devido à muitos fatores,inclusive a destruição de seus habitat’s,elas se refugiaram em determinadas regiões,por terem sidos expulsas de muitas partes do território.



Uma coisa é certa:os meliponicultores,tem uma grande importância na preservação das abelhas nativas,e portanto,merecem apoio,respeito e merecem ser tratados como aliados,na proteção e preservação da natureza e nunca como ameaça à preservação das abelhas nativas.



Espero,que em um futuro bem próximo,a meliponicultura seja vista,como umas das atividades de menor impacto ambiental(quando realizada de forma responsável)e que as abelhas nativas,possam ser criadas por todo esse país,afim de salvar muitas espécies da extinção,que já é vista por alguns recantos do país.



Abraço.

Paulo Romero.
Meliponário Braz.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Revoada de uruçu nordestina(Melípona scutellaris).



Amigos!

As abelhas nativas sempre nos trazem boas surpresas.

Sempre que estamos no manejo diário,aprendemos algo de novo,vemos cenas belas e interessantes,algumas bem intrigantes,como pude presenciar nesse último domingo(11/09/2011),uma espetacular revoada de urucus nordestinas(Melípona scutellaris).


Claro que eu já havia,lido e ouvido falar a respeito desse fenômeno,mas entre ver fotos,vídeos e relatos,e presenciar o fato,é algo bem diferente,com certeza.



Estávamos,eu,Tadeu Leite e Moacir Montenegro(meliponicultores e amigos),na casa de Tadeu,onde iríamos fazer algumas divisões e revisões nas caixas de urucus.

Enquanto nos preparávamos,para iniciar as divisões,nosso amigo Moacir,nos alertou para o fenômeno que estava começando:centenas de abelhas,em um espetáculo fascinante,faziam um verdadeiro balé,como se estivessem hipnotizadas,obedecendo à um comando que não sabemos de onde partiu.


Aproximamos-nos,e ficamos contemplando aquele “show”particular.Tadeu já pegou 3 cervejas,para comemorar aquele momento tão enigmático,quanto fascinante.

A revoada demorou mais de 30 minutos,e tinha momentos de “alvoroço”e momentos de “calmaria”,pois as abelhas alternavam seus movimentos,ora bem frenéticos,ora apenas realizando passos de um verdadeiro balé,bem sincronizado e organizado.

Observamos,que as abelhas saíam de uma caixa,próxima de onde estávamos.Demos uma olhada rápida,nas outras cixas,para ver se as abelhas também saíam delas,mas vimos apenas o movimento normal.

Eu acho,que as abelhas fazem esse ritual,como forma de comemoração,pelos bons estoques de alimento,pela primavera que está aí,pelo belo espaço que dispõem para forragearem,enfim,é uma forma de se alegrarem e alegrarem à  quem assiste esse balé .



Ficamos observando,e depois de algum tempo,pudemos ver que a quantidade de abelhas estava diminuindo,até voltarem completamente para suas caixas de origem.

Tadeu cria uruçus,à mais de 3 anos e nunca havia presenciado esse maravilhoso fenômeno.

Vejam,o vídeo abaixo.A qualidade não é tão boa,mas dá pra se ter uma idéia.

http://www.youtube.com/watch?v=vxoOVP7T9kg

Como,ficamos conversando á respeito da revoada,e demoramos um bom tempo sentados;realizamos apenas seis divisões,e deixamos as outras para um próximo final de semana.


Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

sábado, 27 de agosto de 2011

O nordeste brasileiro.



Das coisas do meu nordeste,
Que chamam mais atenção,
Vaqueiro,"cabra-da-peste"
Vestido com seu gibão,
Correr no meio da caatinga,
Mesmo assim,ele se anima
Pois ama essa profissão.

Menino tomando banho,
No açude,ao meio dia
Pra ele,nada é estranho
Mesmo o sol,dando agonia
Ele ali, fica nadando
E aos poucos transformando,
Sua vida em alegria.

Já na porta da cozinha,
Tem uma roça de palma,
Cuidada e bem plantadinha,
É tudo feito com calma,
Pois ela é muito importante
Se a chuva tiver distante,
Sua criação tá salva.


Bem ali,no meio da palma
Roça de milho e feijão,
É bonito,anima a alma
Olhar,essa plantação
Pois ,o “lucro”é garantido
E “ele”,fica agradecido
Com a chuva, molhando o chão.


Tem um cachorro,deitado
Na sombra do imbuzeiro,
Ele é sempre bem cuidado,
Pois é quem guarda,o “terreiro”
O seu dono,já velhinho
Se acorda,bem cedinho
E agrada,seu companheiro.

Um cercadinho,bem feito
Para o plantio de fruteira,
Cada uma,tem o seu jeito
Coco,banana,mangueira,
Caju,goiaba,mamão,
É com essa plantação,
Que,se complementa a “feira”.

E a vida vai seguindo,
Pois,o sertanejo é forte
Luta e trabalha,sorrindo
Não lamenta a sua sorte,
Mesmo,não sendo moleza
Se alia,a natureza
Para proteger,seu “norte”.

Se “ele”,tiver abelha
“Ela” é sempre,bem cuidada
Faz,uma casa com telha
Pra proteger,da “chuvada”
Em uma caixa,bem feita
Leva,pra lá e ajeita
Pra que fique,preservada.

Se,se ausenta do sertão
Faz,de tudo pra voltar
Pois,ali é seu torrão
Sua casa,berço e lar
“Ele”, estuda e trabalha,
Mas,um dia junta a “tralha”
E volta,pra seu lugar.

Seu retorno,é alegria
Ao pisar,no seu sertão
Faz,tempo que “ele” não via,
O verde,cobrindo o chão
Sua força,se refaz
E não se esquece,jamais
De mostrar,sua paixão.

Voltar,para a “casa grande”
Aonde seu pai,viveu
O seu coração,se expande
Lembrando,o passado seu
Das conversas,na “varanda”
Daquilo,que a mente manda
Esse,sonhador sou eu.

Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A caatinga ameaçada.

Como a maioria dos meliponicultores,eu tenho me preocupado muito com a nossa caatinga,pois “ela”está sendo destruída em uma velocidade infinitamente maior,que as poucas e raras ações para tentar recuperá-la.

Essa destruição ocorre por todos os estados nordestinos e,infelizmente não é diferente aqui na Paraíba.



Embora existam algumas ONGS(organizações não governamentais)e algumas empresas públicas e privadas,que investem na preservação e/ou recuperação de áreas devastadas da caatinga;a destruição caminha bem mais rápido e avança,deixando um cenário de destruição e desolação nessa região tão rica e tão ameaçada.



Tenho tentado mobilizar pessoas e organizações,para esse problema que parece não ser visto por nossas autoridades.

Toda ação de preservação da caatinga é bem vinda,por pequena e isolada que seja;mas será preciso uma grande mobilização de todos,para conseguir-mos vencer essa guerra.

Os meliponicultores,tem uma grande responsabilidade na preservação da natureza,pois disso dependerá o futuro da meliponicultura,e do planeta.



Esse não é um discurso,só para parecer “ecologicamente correto”,mas sim é algo que eu vivo desde minha infância.Mesmo sem conseguir realizar grandes ações,faço minha parte diariamente e tento conscientizar outras pessoas.

Eu estive no cariri,esses dias e pude ver que pequenos gestos,se forem continuados trazem resultados.Por exemplo,o plantio de espécies nativas,em áreas desmatadas,tem conseguido recuperar algumas áreas da nossa caatinga.

E é muito fácil fazer esse plantio,basta colher as sementes(em áreas onde essas plantas ainda existam em abundância)e no início da época das chuvas,enterrá-las,pois a natureza se encarregará do resto.

Algumas plantas “pegam” de galho,é o caso da imburana,do aveloz,do pinhão,do imbuzeiro,a favela,etc.,e essa característica aumenta as chances de recuperar determinadas áreas,pois esses galhos tem um crescimento bem mais rápido.

Também existem algumas árvores,que só produzem mudas através de sementes,mas que são de fácil germinação:a catingueira,o marmeleiro,a craibeira,o angico,a jurema,a aroeira,o cumaru,o mufumbo,a quixabeira,o juazeiro,e o pereiro,são alguns exemplos.

Se cada um de nós,fizéssemos a nossa parte e plantássemos,algumas mudas de árvores nativas;com certeza esse gesto serviria de exemplo pra muita gente,que pensa em fazer algo,mas na maioria das vezes não sabe o que fazer.

Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

domingo, 7 de agosto de 2011

Abelhas nativas do nordeste brasileiro.

No nordeste brasileiro,a meliponicultura tem se desenvolvido,e está se tornando uma importante aliada no processo de desenvolvimento de algumas áreas da região,além de ajudar na reprodução de muitas espécies vegetais da caatinga e do que ainda resta da mata atlântica.



Muitos meliponicultores,que sempre foram “criadores de abelha”(pois não conheciam técnicas racionais de criação),hoje em dia,já dominam os segredos dessa prazerosa e importante atividade.



A cada dia,as abelhas nativas do nordeste,são criadas por todo esse país,e mostram a sua força,impulsionando a meliponicultura nacional.



Dentre as abelhas nativas do nordeste brasileiro,que se destacam na criação racional,algumas tem uma importância significativa,pois são ótimas produtoras de mel,são bem adaptadas as caixas racionais e tem se adaptado a quase todos os estados brasileiros.




Bons exemplos dessas abelhas,são:a uruçu nordestina,a jandaira,a mandaçaia da caatinga,a manduri/rajada,a tubi,a tiúba e a moça branca.

Foto tirada,pelo amigo Jansen,do blog: Melíponas da Paraiba.

É claro,que existem outras espécies que também tem,seus valores e seus admiradores,afinal,o Brasil é um país rico em espécies de abelhas nativas;(apenas estou falando das principais de nossa região nordeste).



Assim,como muitos irmãos nordestinos,ajudaram no desenvolvimento do nosso país,as nossas abelhas nativas,também estão ajudando a desenvolver a meliponicultura,e conseqüentemente,estão saindo da lista de espécies ameaçadas de extinção.
E isso é algo muito positivo,pois a cada dia,mais pessoas estão conhecendo e ajudando a preservar as nossas abelhas.

Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Inimigos das abelhas nativas.



Meus amigos,estive conversando com alguns meliponicultores á respeito de algumas dificuldades, na criação das abelhas nativas.

Dentre algumas dificuldades apontadas durante essa conversa,algumas são mais evidentes.

Os inimigos naturais das abelhas sem ferrão,tem sido apontados como uma importante causa,que limita o processo natural de proteção e conservação dessas abelhas.

Esses inimigos naturais,como todos já conhecem bem,representam perigo para colônias fracas,ou desestabilizadas.São alguns exemplos desses inimigos naturais das asf:as lagartixas,os sapos,pássaros,algumas vespas e abelhas pilhadoras,forídeos e o mais temível e perigoso de todos:o homem.

Durante a nossa conversa,eu disse que para mim,o homem é o maior responsável pela extinção de muitas abelhas nativas;muitas delas,sequer sem terem sido estudadas.

Apesar de ser o único animal "racional",o homem usa essa racionalidade,de forma muitas vezes errada,pois destrói seu próprio lar;mata o seu próprio semelhante e leva à extinção,muitos animais e plantas.

No caso específico das abelhas nativas;nós temos muitos meliponicultores responsáveis,que lutam diariamente para salvarem espécies nativas,que se encontram em adiantado processo de extinção.

Apesar dos muitos casos de destruição das matas,ainda existem chances reais para que essas abelhas,consigam se reproduzir e serem reintroduzidas nas áreas,onde existam condições de recebê-las e dar-lhes as condições naturais,o mais próximo possível das originalmente existentes.

Nossa luta,apesar de ser desigual,recebe a cada dia,mais pessoas com esse mesmo pensamento:salvar o planeta e salvar a raça humana,juntamente com todos os seres criados pelo DEUS,criador do céu e da terra.


Abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.